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GRILOS E
BORBOLETAS
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Tim Tim
Por
Giovani Paim
Imagem: Reprodução
Eis que mal
acabou de ser enterrado no cemitério do vento o ano de 2003 e já tá todo
mundo, de novo, alegre e bestalhão beliscando a bochecha de 2004, que mal
acabou de ser parido.
É sempre a mesma história, no início todo mundo bajula o Ano Novo... Têm
expectativas, planejam um monte de coisas bacanas, novas, mudanças em tudo
que é canto da casa, do escritório, do cérebro. Nos seus primeiros meses de
vida, nossa! Todos que podem ficam mimando o Ano feito loucos, jogam futebol
com ele, vão pra beira da praia molhar as tangas, se atiram em redes, bebem
mais, comem mais carne, ficam bem bobões com o pequenino Ano Novo. É tão
lindo, parece tão intensa aquela felicidade e segue todo mundo desligado,
feliz, contente, babando em cima do picurrucho e fazendo bilú bilú bilú no
seu narizinho, e o Ano então, ah, esse não quer mais nada... Fica lá, paradão,
nem aí, curtindo o solzinho de fim de tarde, balançando as perninhas e
deixando que o tempo faça sua parte.
Então o tempo vai passando e o Ano vai passando, ficando
mocinho... Uma espinhazinha aqui, uma rebeldiazinha ali, quando vê ta um
adolescente chato pra cacete, com ressacas quase que diárias, e é aí começa a foder tudo... O Ano Novo já não é aquele garotinho meigo, atencioso,
simpático e que parecia que iria fazer tudo certinho durante todo ano. Ele
agora é frio, calado, cansado, parece desmotivado e também parece ficar
empacando o tempo...
As pessoas, aquelas mesmas que estavam otimistas e sorridentes, seguem
suas vidas normalmente, salvo algumas que já estão de saco cheio desse tal
jovem universitário que já não faz mais nada de útil, só atrapalha o caminho
da vida alheia. Tem gente que ainda tem esperança que ele possa mudar sua
personalidade, ser um cara bacana, um velho legal... Mas nem todos tentam
ajudar o pequeno Ano Novo a se recuperar dos momentos sombrios que teve na
metade de sua vida...
E assim segue o Ano, solitário, às vezes odiado extremamente, mas pra se
ter uma idéia do que se passa dentro da cabeça de um Ano Novo, pense que tem
que ter uma grande capacidade de assimilação das coisas que é obrigado a
ouvir, para tentar não pirar como pessoas comprando carros, celulares,
televisões... Tudo modelos do seu irmão que ainda nem nasceu, é um complexo
horrível pra pequena criatura, que assim, sem nenhuma forma de filtro, tem
que ouvir as pessoas querendo que ele vá pro saco logo e que venha o Novo
Ano Novo, que vai tomar seu lugar...
Coitado do nosso Ano Novo, virou um velho rabugento, cansado, maltratado,
enrugado e suando intensamente... O calor é o mesmo de quando foi parido,
mas agora ninguém lhe dá mais bola... Ele que procure um asilo, vá se tratar
na fila do SUS. Tá todo mundo preocupado com a loucura capitalista e não tem
tempo pra sentimentalismos débeis... Eis então que o ciclo se repete. Com
fogos de artifício, bebidas, sorrisos colgates e solidariedades duvidosas, as
pessoas largam a guilhotina no pescoço atrofiado do Ano Novo. Não querem nem
saber, o atiram numa fossa do cemitério do tempo e vão brindar o nascimento
do Novo Ano Novo, e lá ficou nosso amigo, estirado no chão, esperando que um
coveiro de bom coração venha lhe fazer o favor de tacar punhados de terra
sobre seu corpo fedido.
Pense nisso, seja cuidadoso com seu Novo Ano Novo,
não vai ter jeito, você vai ter que conviver com ele durante um ano mesmo,
então aproveite esse tempo pra criar, agir, faça e cumpra
bastante promessas pra você mesmo, se arrependa do tempo perdido, caia na
real de que o tempo não pára, e tudo tudo vai SIM se perdendo no tempo, não
planeje muito, faça! Seus amigos vão seguir caminhos que talvez se oponham ao
seu, você também vai pensar diferente, mudar, criar crenças, medos, vitórias.
As pessoas se afastam, voltam, crêem, mentem, se abraçam, se soqueiam, aaaaahhhhhh, mas faça qualquer coisa!
Não se deixe mover somente por inércia. Estude, crie, invente e veja se te
cuida pra não morrer de forma tão tola e rápida como nosso amigo 2003, que
mal durou um ano. Tenham um bom ano e libertem seus instintos!!!
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