|
Curitiba Pop Festival
Por
Tulio Bragança
Fotos: Letícia Fontanella e Divulgação
Foram dois dias e 19 bandas. Uma maratona que poucos acompanharam por
completo. Sendo assim, muitas bandas acabaram não ganhando tanta atenção.
Sexta, 7 de maio - Dia 1
No Milk Today
A banda paranaense abriu o festival destilando o seu punk-rock. O público
estava ainda chegando e conhecendo a Pedreira Paulo Leminski, palco dos
shows. A pegada forte da banda, que tem mais 10 de anos de vida e é um dos
maiores nomes do gênero no Paraná, não agradou aos desatentos indiezinhos de
all star e franja que começavam a chegar ao festival.
Kingstone
Ska e um clima jamaicano no Curitiba Pop Festival? Essa estranha mistura
acabou fazendo muita gente dançar, só não agradando aos ouvidos mais xiitas.
As pessoas ainda chegavam na Pedreira. Talvez se cantasse em português
empolgasse mais.

Pipodélica
O quarteto catarinense chegou ao festival com alguns prêmios no currículo
graças ao seu primeiro cd "Simetria Radial", porém a apresentação não
empolgou nem um pouco ao público, que ficou apático. Decepcionante, já que
no cd a banda é ótimo.
Íris
Jazz, rock e poesia era o que prometia o cronograma entregue na entrada do
festival e foi bem isso o que foi visto no palco. Músicas lo-fi,
sussurradas, com fortes influências do jazz, um trompete e uma belíssima
canção chamada "Cachorro Magro". O único ponto fraco foi o péssimo som, com
o baixo estourado e o teclado quase imperceptível.

Sonic Jr.
Uma dupla contagiante, com elementos eletrônicos, muito rock e doses de
regionalismo nordestino. Um vocalista bem expressivo, um guitarrista
inventivo e com ótima pegada. Fez a pedreira pular.
Hell
on wheels
O trio sueco era totalmente desconhecido, mas agradou muito as pessoas que
esperavam o show do Teenage Fanclub. As músicas lembram um pouco White
Stripes, o vocalista lembra mais ainda. Um trio em perfeita sincronia, com
canções pegajosas que grudam na cabeça.

Teenage Fanclub
Canções singelas falando de amor. Assim é o Teenage Fanclub, uma banda que
não inova em nada em seu som, mas que faz muito bem feito o que se propõe.
Canções melodiosas, três vozes que se encaixam perfeitamente e muita
simpatia escocesa no palco. O público cantou junto num show que foi
puramente de Hits, a balada "Mellow Doubt" fio o ápice da apresentação.
Sábado, dia 8 de maio

Tarja Preta
Rock ´n roll setentista, com fortes influências de The Who. Um som simples,
mas não de má qualidade. Infelizmente tocaram para uma Pedreira muita vazia.
Poléxia
A banda que faz uma espécie de pop alternativo contou na apresentação com um
trio de cordas, dando um clima bem bucólico para a tarde fria de Curitiba.
Mesmo com o pequeno público, o Poléxia mostrou canções muito bem trabalhadas
que ainda devem dar o que falar.

Grenade
A tal falada banda de Rodrigo Guedes entrou na Pedreira tocando um rock
visceral, cantado em inglês. Não empolgou o público que permaneceu estático.
Fizeram uma apresentação mais rock ´n roll, deixando de lado músicas como "Bastard".
Excelsior
Uma banda singela, com um som muito agradável, com letras em inglês. A
vocalista Aline Roman tem uma voz lindíssima que se encaixa perfeitamente
com o som das guitarras. O público não deu muito atenção, deveria estar
guardando tudo para o Pixies.

Autoramas
O primeiro show da noite que teve a merecida atenção. O trio carioca
destilou suas canções dançantes, com letras sem importância e fez o público
pular. O som simples, mas com muita energia esquentou a pedreira.
Pelebrói
não sei
Para muitos foi o melhor show do festival. O vocalista da banda curitibana
parece ter o público em suas mãos. Foi o único que mencionou o "apartheid"
promovido pela organização do festival e acabou levando o pessoal do lado b
(mais distante) invadindo o lado a (próximo ao palco). Punk rock honesto e
muito bem feito. A música "Céu sem cor" foi pedida muito pelo público até
ser atendida.
Ludov
Pop assobiável, com uma vocalista que chama atenção. Ficou um quanto morno o
show, por ter sido logo após o do Pelebrói, porém a platéia continuava
atenta. O quinteto mostrou porque é uma das bandas alternativas que mais tem
tido destaque no cenário nacional.
Relespública
O trio curitibano, conhecido em todo o Brasil, esquentou ainda mais a
platéia com suas músicas carregadas de influências mod e da banda brasileira
Ira! Uma banda em plena sincronia. Oneide, o vocalista do Pelebrói, entrou
no palco para cantar junto a música "Boatos de bar", que na versão de
estúdio tem a participação de Nasi, do Ira!.
Mombojó
Se você não fosse tão atento e estivesse longe do palco da Pedreira, poderia
achar que quem estava tocando era o grupo Mundo Livre S/A. Porém, os
pernambucanos do Mombojó, agregam mais na psicodelia, abusando dos samplers
e loops. O som parece uma mistura do mangue beat com britrock. Os
indies mais xiitas torceram o nariz, mas muita gente pulou ao som da banda,
principalmente na música que fechou o set.
Frank
Jorge + Flu + Wander Wildner
Brega hits que a platéia sabia de cor. Um show que abusou de palavras de
baixo calão e expressões politicamente incorretas, mas era bem isso que
todos queriam ouvir. Para quem gosta do estilo, foi o melhor show do
festival.
Pin
Ups
De longe, a banda mais mal escolhida do festival. Por um conjunto que anos
não tocava, pouco conhecido antes do Pixies só podia dar nisso. Uma platéia
com pessoas impacientes, que pediam o fim da apresentação e uma banda sem
noção que não parava nunca de tocar. Uma mancada que a organização do
festival e os próprios Pin Ups podia ter evitado.
Pixies
Épico, emocionante, inesquecível. São alguns dos adjetivos para a
apresentação do grupo. Mesmo sem trocar nenhuma palavra com o público, nem
mesmo um "Hi Brazil", a banda mostrou disposição para tocar as 26 músicas do
set. Joey Santiago, Kim Deal e David Love estavam claramente felizes e
sorridentes com a reação do público que sabia cantar todas as músicas.
Apenas o balofo Frank Black não demonstrava a menor emoção. Um final mais do
que justo para o Curitiba Pop Festival 2004.
|