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Há Big Brothers que vêm
para o bem
Por Fernando Paiva Ilustração: Daniel Paiva
Mal da TV moderna, sinal dos tempos, egotrip de toda uma sociedade... Falem o que quiser do programa “Big Brother”, mas, ao que parece, ele veio para ficar. Confesso que à época da primeira edição brasileira eu apostava que essa onda não iria durar muito tempo. “O povo vai enjoar desse treco rapidinho”, eu profetizava com a mesma segurança desses videntes que aparecem no Fantástico apresentando previsões para o ano novo. Tal como eles, eu errei. O programa está em sua quarta edição, quebrou recordes de audiência, rendeu milhões de reais para a Rede Globo e segue em frente, firme e forte.
Se não pode vencê-los, junte-se a eles, reza o ditado. Pois bem, já que teremos que conviver com o “Big Brother” e seus similares na programação das emissoras de TV por muito tempo ainda, sugiro a criação de versões temáticas com fins educativos:
Big Jihad Brother: Seis palestinos do Hamas e seis judeus ortodoxos serão trancafiados na casa e obrigados a conviver pacificamente sem muro da vergonha para separá-los. Vão lavar os pratos uns dos outros, limpar os banheiros, dividir a comida. Será proibida a entrada de artefatos explosivos e gases tóxicos. Ah, e a regra é clara: em caso de violência física o agressor é expulso da casa e perde a chance de ganhar o prêmio máximo: 27 virgens no paraíso;
Big Poor Brother: Doze dondocas da Barra da Tijuca passarão três meses trancadas em um barraco na favela do Rato Molhado, comendo feijão aguado com farinha de mandioca no almoço, mingau na janta e uma marmelada de sobremesa em dias de festa. Nada de salão de beleza, banho com sais de frutas ou rega-bofes. Para passar o tempo: um radinho de pilha, uma penca de filhos para criar e muita roupa para lavar no tanque;
Big Rich Brother: Enquanto as dondocas sofrem com os freqüentes tiroteios na favela do Rato Molhado, suas empregadas terão o direito de viver confortavelmente nas mansões de suas respectivas patroas. Essa versão do Big Brother não tem como objetivo ensinar ninguém a nada, mas apenas dar uma oportunidade ao povão de ir à forra! As domésticas poderão fazer tudo que sempre tinham vontade na casa das patroas, como, por exemplo, ver um DVD no sofá após uma deliciosa refeição de pato à Califórnia, acompanhado de um Beaujolais, safra 73;
Big Nazi Brother: Está na hora dos neonazistas aprenderem uma lição de vida. Seis skinheads serão postos na mesma casa com um gay, um judeu, um negro, uma lésbica, um deficiente físico, um nordestino e um transexual. Eles terão que ler diariamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos e assistir a palestras sobre liberdade sexual e respeito às diferenças culturais. O apresentador(a) do programa será Isabelita dos Patins. Quem sabe, se esquecerem que estão sendo filmados, os neonazistas homofóbicos revelem seu lado feminino debaixo de algum edredon.
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