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Rock com The Feitos (RJ)
Imagens: Fotolog Oficial
São poucas as bandas que conseguem demonstrar "pra que veio" em 12 minutos, ou caso queira o prezado leitor, num simples EP. Tudo bem que as diversas matérias que saem sobre esse outro bom trio niteroiense (conterrâneos da Noitibó) sempre falam de shows energéticos e performáticos, mas se somarmos tais opiniões à audição do disco, atestaremos que qualquer semelhança não será mera coincidência: Rock com The Feitos!
De fato, não há obrigação alguma para um grupo em pleno início de divulgação de trabalho, com dois EP´s(somados têm quase vinte minutos gravados) debaixo do braço, fazer soar tão clara a proposta do seu som. Mesmo que muitos conduzam a vida, e por extensão assim compreendam a Música, como um maniqueísta selo do Inmetro e levem às conseqüências passionais termos do tipo lo-fi, Jovem Guarda, rockão sessentista, pitadas de punk rock e um sambinha incidental, estes são indissociáveis quando o feixe de laser dá uma geral no Eu Não Sei Se Vou Continuar a Ser Esse Cara Bonito Que Você Conheceu Quando Bebeu... (2003).
Esta segunda investida thefeituosa - o primogênito é Este Disco Kontém The Feitos (2000) e suas duas canções -, traz 4 balaços pélvicos, por mais que o Elvis seja relegado a segundo ou terceiro plano na arrasa-quarteirão Disco do Roberto, que abre o disco. Nesta, o sambinha já citado põe fogo na treta que a partir daí se desenrola, também fazendo da The Feitos uma assessoria jurídica e tanto para as crises entre marido e mulher. Na seqüência, mas não necessariamente cumprindo a ordem (em todos os aspectos!!!), as jece valadônicas "Por isso eu não dou satisfação" e "Um Dia Você Vai Querer Me Beijar", num desprendimento cafajeste à la Boca de Ouro; "Eu Perdi o Amor Pelos Meus Dentes", inconseqüente, versão suicida de um latin lover que não teme gabinetes odontológicos e páginas policiais, como vítima, claro.
Muito além ou aquém, não importa, dos rocks(?) requentados que vagueiam pelas ondas do rádio, entre a nova do Zezé e aquela clássica do Vercilo, uma grande surpresa ter conhecido som tão thefeituoso... Não pela carência de talentos e promessas do "submundo" alternativo, e sim pela mescla de humor/perda do siso como nos velhos tempos do Rock, sem precisar usar pantufas de Ursinho Puff e copiar os Mamonas; atitude, fazendo um disco independente em todos os aspectos; e Rock, sem desprezar estilos, usar caras-bocas-e-franjinhas mods e outros modelitos básicos dos milhares de leitores de orelha do Manual Prático-Estilístico de Rock ´n ´ Roll - Versão Anos 2000.
(...) Só não vá dizer que eu não lhe avisei (...)
***
A SEGUIR, cenas dos próximos capítulos!!!
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Quanto ao punk rock, eu particularmente sempre gostei dos clássicos, tipo
Sex Pistols e com certeza um pouco disso também culmina no nosso som. Ah! E
é uma honra me chamar Ramon visto que o mundo foi agraciado pelo som dos
Ramones.
Luiz Velhinho (The Feitos) - Olha, pode calhar de ter algo de punk sim, porque acho que todos nós ouvimos punk em algum momento ou ouvimos até hoje. Eu curto Ramones, Sex Pistols, até bandas mais novas como Down By Law e hardcore brasileiro, mas o sarcasmo não é exclusividade dessa vertente da música.
Outras coisas que ouvimos também estão implícitas no som, que não parecem tão óbvias. Nem nós mesmos sabemos onde estão nossas influências nas músicas, não temos uma fórmula equilibrada, por exemplo: aqui uma levada brega, ali um sambinha... As coisas estão nas músicas, mas não fica claro pra nós o que é cada pedaço ou se realmente vem de outra banda, tem muito de nossas personalidades também. Mas eu não diria que nosso "espírito sonoro" é punk propriamente, isso nos limitaria.
Pode-se dizer que tudo que rolou no Brasil nos anos 60 tem muita importância no nosso trabalho, pois a Tropicália de Mutantes e Tom Zé me alegra até hoje. As letras surgem de historias curiosas vividas por nós ou amigos, e acho que é por isso que as pessoas têm se identificado com o nosso som, por serem letras com temática muito cotidiana.
Luiz Velhinho (The Feitos) - Sim, a música brega é uma influência nas letras, que são compostas pelo Ramon e ele tem como base Odair José, Renato e Seus Blue Caps, Roberto Carlos, Erasmo... Mas as maiores influências nas letras estão mesmo nas nossas vidas e situações pelas quais nós ou nossos amigos passam.
Essa coisa de "instabilidade afetiva" é um traço comum nas pessoas do nosso cotidiano e, pelo visto, comum também às outras pessoas que nos ouvem porque a identificação é grande, quem nos ouve elogia as letras. Entretanto, não pretendemos retratar a vida de ninguém, são representações de situações do cotidiano de qualquer um.
Dissonância - Quem acompanha os canais
de informação que divulgam o circuito alternativo tem lido, com razoável
freqüência, citações de shows e comentários sobre a The Feitos,
principalmente referindo-se ao segundo trabalho. De que maneira vocês
absorvem e convertem tais opiniões e repercussões?
Felizmente as críticas do “Eu não sei...” foram positivas e elas têm nos levado a tocar em vários lugares, inclusive fora do Rio. Os shows tem sido incríveis, inclusive em lugares onde ninguém nos conhece. A resposta tem sido excelente e estamos vendendo uma boa quantidade de cds. É bem legal perceber que tem muita gente antenada e sedenta por músicas diferentes por aí, prestigiando bandas novas, vestindo a camisa do independente.
Andrei (The Feitos) - Acho legal as pessoas gostarem tanto de um disco lo-fi como o nosso. Só nós e o Phisical Jones III sabemos o trabalho que deu para chegar naquela merda (hahahahaha), brincadeira, eu gosto muito do disco. Foi quase um ano de trabalho e muita cerveja nas idéias, de repente foi isso que fez a gente demorar tanto para terminar o disco, apesar de parecer que foi feito em 5 minutos.
Luiz Velhinho (The Feitos) - Nosso EP tem sido bem falado por aí e temos aparecido com constância nos sites. Até fomos indicados pra dois prêmios este ano, como banda revelação... É interessante ver a opinião das pessoas porque nosso trabalho é voltado essencialmente para nós mesmos, não buscamos agradar ninguém.
Certas resenhas falaram da produção do cd, que é aquém das possibilidades, mas eu gosto muito do som conseguido ali. Acho que além das nossas possibilidades de gravação, o cd tem um som muito bom que tem a ver com a proposta da banda, de defeitos propositais, ou como o Andrei sempre fala, do uso do erro como um recurso, as novas idéias que surgem das adversidades ou limitações.
Todo e qualquer tipo de repercussão é boa, porém, sabemos selecionar aquilo que tem algum fundamento e o que não tem para podermos apresentar um trabalho melhor a cada dia. Somos nossos maiores críticos, pode ter certeza.
Dissonância - Essa indagação todo mundo gosta: quais bandas novas vocês têm curtido e crêem contribuírem para o panorama musical?
Ramon (The Feitos) - Gosto muito de Sapatos Bicolores (DF). Os caras tocam pra caralho e fazem ótimas musicas. O nossos conterrâneos do Noitibó me agradam pelo inusitado de suas letras e timbres. De São Paulo, o pouco que ouvi de Continental Combo e Skywalkers me agradou muito. “Mercadologia”, do Los Canos, é uma música muito legal. Walverdes é muito bom também (tivemos a felicidade de vê-los ao vivo aqui no Rio). O Nélson e os Gonçalves é espetacular ao vivo!
E muitas outras que vou acabar sendo injusto agora por não lembrar, mas que me deixam a certeza de que o underground brasileiro possui um cast muito superior ao mainstream atual (que frase escrota cheia de palavras em inglês, pareci um intelectulóide de merda agora!!). Em outras palavras, o que não está tocando em rádio no momento é melhor do que rola por aí!
Andrei (The Feitos) - Eu gosto pra caralho do Sapatos Bicolores (DF) e do Walverdes. Tinha uma banda aqui em Niterói que eu curtia muito que era a Enzzo, mas eu nem sei se a banda ainda existe. Eu ouvi algumas coisas (01) do Continental Combo que eu achei do caralho, como dizem os gaúchos: “muito a foder!!!”.
Luiz Velhinho (The Feitos) - Citando literalmente: Sapatos Bicolores, Walverdes, Nelson e os Gonçalves, Prot(o), Ludov, The Honkers, Los Canos. Tem muito mais coisa que ouço, mas acredito que essa é uma boa seleção de bandas brasileiras independentes que ando ouvindo.
Andrei (The Feitos) - Um beijunda para todos.
Luiz Velhinho (The Feitos) - Queria agradecer ao pessoal do Dissonância pelo apoio e pela ajuda na divulgação; provavelmente estaremos indo pro Sul do país no segundo semestre e vamos mostrar todos os nossos thefeitos por essas bandas. Obrigado.
Ramon (The Feitos) - Meu objetivo é ir
pro sul ainda este ano, fazer um belo show, quebrar tudo e me entorpecer
bebendo vinho. Estão todos convidados!!!
* Contatos: Página Oficial - http://www.thefeitos.com
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Conspirações Anteriores: * O estilo original do Eddie (PE) * O Oscar e o dragão da ingenuidade * Disco novo e entrevista com Wander Wildner (RS)
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RUÍDO FESTIVAL II:
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RUÍDO FESTIVAL III: * Luísa Mandou um Beijo (RJ) lança Single * Diários de Motocicleta, Inc. * Entrevista com a Noitibó (RJ) * Show Viana Moog + Dante Inferno * Punk/Hard Core Cristão - Pogando com O Senhor! * Show Lava (SP), Girlish e Viana Moog no Andar de Cima * Show Detetives, Superguidis e Pública no Dr. Jeckyll * Entrevista com Ouvintes (RJ) * Show Da Guedes e Nação Zumbi, em Porto Alegre *
* Lançamento CD Bebeco Garcia e o Bando de Ciganos * Versão: Empalamento Rock Star * Festival de Rock - Unisinos 103.3 FM
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