Fugaz: Graforréia Xilarmônica faz show no Opinião

 

 


 

Por Rodrigo "Sabão" Borges

 

 

 

 

  Segunda feira, 22 de Dezembro de 2003, 10 da noite. A proximidade do Natal alterou os ânimos dos viventes da capital gaúcha. No "Opinião", movimentos de pessoas que vivem da noite e que são dotadas de um bom gosto musical.

 

  Neste dia comemorava-se a edição de aniversário do projeto "Segunda Maluca", que sempre leva ao palco bandas irreverentes do cenário regional e nacional. Para este momento especial, convidaram novamente os integrantes da Graforréia Xilarmônica, que para tristeza de muita gente, finalizou suas atividades no início do novo milênio. A banda brindou o público que lotou a casa com um show de 2 horas e meia.

 

 

                                                  Yahoo Grupos- GX

   

  

 

 

  A abertura foi da banda "Os Bacanas", que faz um som legal e lembra de certa forma o grupo "Tarcísio Meira's Band". O show teve direito a privada no palco, letras engraçadas e muita disposição dos músicos.

 

  A GX entrou em seguida, disposta a realizar um belo espetáculo. Uma nota triste foi a ausência de Eduardo Christ, que entrou na banda a partir do segundo CD - Chapinhas de Ouro (1998, selo Zoom). O power trio composto por Frank Jorge (vocais e baixo), Carlo Pianta (vocais e guitarra) e Alexandre Birck (bateria), caracterizados pelo uniforme do não tão glorioso "Sport Club Internacional", mostrou disposição e energia no palco.

 

  Só em ver reunidos novamente estes três seres iluminados que fizeram parte de grandes bandas do cenário gaúcho, como Cascavelletes, DeFalla e Prisão de Ventre, já compensava a presença neste show.

 

  A banda apresentou um repertório regado a clássicos e músicas inéditas. Foram 37 músicas, só possível para uma banda que possui um vasto repertório de qualidade e que fazia aquilo que gostava. Além das músicas já conhecidas pelos cd's Coisa de Louco II (1994, Banguela Records) e Chapinhas de Ouro, tocaram também músicas da primeira demo oficial "Com amor muito carinho" (1988, selo Vórtex), como a música que dá nome a demo, de autoria de Roberto Carlos.

 

 

 

                                                          Reprodução - Senhor F

 

 

 

  Pode-se ouvir também "Cei que cê tá loca", presente no cd de "15 anos da Ipanema", e músicas não tão conhecidas como Chapolin e Gislaine. Além disto, tocaram uma música de autoria da banda "Julio Igrejas", que homenageia a Graforréia, e 3 músicas inéditas.

 

  O show aconteceu em clima de ensaio, com o pessoal da banda descontraindo e brincando com a platéia entre as músicas. Até eventuais erros e esquecimentos, tiveram uma reação positiva do público, cada vez mais esfuziante.

 

  Destaque especial para o coro da platéia na clássica Amigo Punk, a boa vontade de Frank Jorge ao cantar "Morte por Tesão" para um fã enlouquecido que pedia a tal música, e da platéia que vibrou durante todo o show.

 

  Tocaram clássicos como "Eu", "Empregada", "Nunca Diga", "Você foi embora", "Eu digo 7", "Eu gostaria de matar os dois", entre outras. Nos acordes iniciais de "Rancho", chegava a hora menos desejada do show: o seu final. A banda se retirou distribuindo baquetas e palhetas. Após alguns minutos de furor e muita emoção do público, a banda retornou ao palco.

 

  É a vez da inversão de papéis. Sentados ao lado da bateria, Frank e Pianta escutam de forma descontraída a história contada pelo Alemão Birck ao microfone, segurando um charuto entre seus dedos. A história, intitulada "Estorinha Segunda", faz parte do livro "Realidades e Chantillys Diversos", de Frank Jorge.

 

  Entre as pessoas que não sabiam o que estava acontecendo, podia-se ouvir ecoar as risadas dos que conheciam a obra de Frank. A banda encontrou uma forma não convencional de encerrar o show. Mas como o objetivo naquele momento era ouvir boa música, a banda repetiu, desta vez sem erros, as músicas do início do show.

 

  E para finalizar, nada mais xilarmônico do que a frase dita por Pianta: "Vamos embora, afinal todo mundo trabalha amanhã". Então as luzes foram apagadas, o pessoal do bar colocou som mecânico na pista e os roadies fizeram seu trabalho no palco. Talvez não nesta ordem, mas o que importa é que todos saíram contentes e que foi um belo espetáculo.

 

 

 

 


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