Diário do Noitibó (RJ) no Rio Grande do Sul



Por
Alex Luiz
(vocal e guitarra - Noitibó)


  A primeira e mais afoita missão com que nos deparamos foi a de conseguir os casacos mais grossos que poderíamos, já que não eram poucos os avisos de que os termômetros no Rio Grande do Sul, nessa época, ignoram o que seja calor.




Indo para o Rio Grande


  Antes de partir, é lógico, quase que alguém esqueceu a passagem em casa, mesmo com tudo já checado outras vezes. A viagem de avião foi ótima, rápida e indolor. Em menos de 2 horas já estávamos no aeroporto sendo recepcionados pelo Guerrillero (Dissonância) e Júnior (Viana Moog), e quase acompanhados de Sandy & Júnior, que também iriam fazer um show na capital e tinham desembarcado há minutos. Não deu nem tempo de combinar com eles uma canjinha no festival.

  Foi só dar tempo de almoçarmos, guardarmos os instrumentos na casa do Júnior, onde ficaríamos, e partir para a TVE-RS, onde estávamos agendados pra uma participação no programa. Foram 4 músicas e a recepção foi muito boa. O pessoal de lá é muito simpático e gostou do nosso som.




Radar (TVE RS)


  O frio até que não era tanto, mas minha sensação foi desmentida após o show do dia seguinte, no Dr. Jekyll, onde os rumores falavam de 1 grau e o vento não era lá muito amigável. Esse dia ainda contou com uma entrevista e execução de uma música nossa na rádio Unisinos FM, à tarde. A apresentadora, Kátia Suman foi muito simpática e essa foi uma impressão realmente tocante, já que se estendeu durante todos os dias em que estivemos por lá.




Na Unisinos FM


  O show do Jekyll foi legal. Pudemos confraternizar com o pessoal do Viana Moog, conversando besteiras pré-show, comendo o famoso Xis do qual o Júnior é fã e que não dá nem pra comer sozinho, porque não é como o daqui, (um hambúrguer comum), mas sim um pão enorme com tudo dentro e pra comer com garfo e faca. Outra peculiaridade também do show foi ver as pessoas totalmente alinhadas tomando o seu drink, esperando pelas apresentações. Claro que não era a maioria, mas chamava a atenção. Nesse show, também vimos várias caras que estariam no dia seguinte no Expresso 356, lugar em que de dia almoçávamos e à noite tocaríamos no Festival Dissonante. Na verdade, acho que ele é que tinha mais cara de Dr. Jekyll, já que pela manhã e tarde era um pacato restaurante com mesinhas e uma ótima comida caseira. À noite, se transfigurava totalmente, era Mrs. Hide se aproximando. Não era mais o mesmo local, as luzes, o palco, o ambiente todo mudava pra abrigar o esperado festival.

  Por causa da passagem de som, não pudemos comparecer na rádio Feitoria, mas nosso mais novo camarada, o Mano Vini (locutor do programa Cultura de Rua), foi lá cumprir essa divulgação da festa que também contava com o pessoal da Globax.tk, que está fazendo um documentário, filmou nosso show e alguns depoimentos que demos pra eles. A Michele, do Drops RS, da MTV, também compareceu, já que no dia anterior não pôde ficar nos vendo no Jekyll, e fez também uma pequena entrevista com a gente pro programa.

  Nesse último dia é que fomos no centro de Porto Alegre e compramos CD´s e souvenirs (gaúchos!) para a família, assim como descobrimos que tangerina é bergamota, pão francês é cacetinho e a boa gente por lá é que não falta.

  Depois do ótimo show da Walverdes, (que também tem um ótimo CD que escutamos bastante depois de chegarmos), veio a nossa vez. A galera já estava a mil e realmente, como diria Cidade (vocalista da Viana Moog), Detroit (como o pessoal chama São Leopoldo) é foda. Logo na primeira música, a galera já aplaudiu e gritou entusiasmada e, então, percebemos que o show já estava ganho. O som era maravilhoso e rolou de tudo: tombo do Sidney (Noitibó), a galera dançando e gritando demais... Era ótimo ver as expressões de felicidade no rosto da platéia, o que nos impulsionava ainda mais a darmos o melhor de nós mesmos ali. E assim o show transcorreu. Eu até me arriscaria a usar a palavra perfeito pra tudo o que aconteceu. Acabamos o nosso set, que não era assim tão pequeno, e fomos praticamente obrigados a tocar o bis. Engraçado é ver, na fita que gravamos, as pessoas berrando pra outra música e a gente “meio sem jeito” por causa das apresentações seguintes. Até que alguém foi lá perto do palco e deu o maior tapão na perna do Sidney: - Pô, “tocaí” cara! Não teve jeito, e foi maravilhoso. Não dava pra sair do palco sem que fôssemos parados com todo mundo querendo nos parabenizar. Foi demais.

 


   No Festival Dissonante  




  A seguir, veio a Lado 2 Estéreo, galera que já tínhamos um contato e que fez também uma belíssima apresentação com sua mistura de bossa, eletrônica e metal, muito bom. E para fechar o Festival Dissonante com chave de ouro, a galera nativa subiu ao palco. Devo dizer que o pessoal da Viana Moog, acima de tudo, é muito amiga. Luciano, o guitarrista, por exemplo, me emprestou um pedal fuzz Gianini, de mil novecentos e setenta e tal, que era uma porrada só. Resultado: um som belíssimo que engrandeceu nossa apresentação.

  Apesar de alta madrugada, ninguém parecia com vontade de ir embora. O lugar ainda estava cheio e a Viana completou a festa. Impressionante o carisma do vocalista Cidade, não só em cima do palco, mas também fora dele. Enfim, tudo acabou. Pena só que não tivemos tempo pra conversar mais com a Nina (Aline Ebert), com o Ricardo (Guerrillero), Júnior (Viana Moog), Mano Vini (apresentação do Festival e programa de rádio), Thales (produtor da Lado 2, que é gente finíssima, um cabra da porra), assim como o pessoal da banda e todos aqueles que conhecemos por lá. Até tinha uma menina, que não sei o nome, mas que parou a gente pra conversar e que repetia: - Porque vocês não vêm morar aqui?

  Sei que falta de amigos não teríamos, e o que eu mais levo na memória é mesmo esse sentimento de companheirismo. Nem parece que estamos tão longe de todas essas figuras...

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