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* Festival de Rock - Unisinos 103.3 FM


Versão: Empalamento Rock Star

  Estava numa das eventuais filas do dia-a-dia de um país burocrata, e antes de ser atendido percebi um pequeno cartaz que continha “Rock 'n' Hall's 2003 – seja Rock Star por um ano”!!! De cara, pela afinidade com o estilo, fiquei boquiaberto com a criatividade das agências publicitárias, bem como a intromissão numa área absolutamente alheia, ao menos assim deveria ser, à fugacidade do mercado: o Rock!

  Depois de inventarem o Dia do Rock, nada mais natural do que o mítico dos míticos, o inovador Rock Star por um ano... Na explicação, estes tais 12 meses de fama estariam resumidos a direitos às “melhores baladas” (?)... Pensei nos ícones do Rock, enfim, naqueles que conquistaram um espaço de grandes proporções e imortal, agora partilhando os holofotes com bandas forjadas pelos (quando não deles mesmos!) publicitários, gravadoras e outros suportes comerciais, fadadas ao insucesso ou ao sucesso de verão; passado o chilique de cinco centenas de adolescentes, engordarão as filas do ostracismo.

  Campanhas publicitárias deste nível revelam a ilusão doentia a que o cidadão é conduzido, no caso comentado, alienação vendida como prêmio ou sonho de consumo. E surte efeito, basta procurar que as duas últimas décadas nos transformaram, numa visão geral, em cobaias de rockers com código de barras... Hoje então, barbicha no queixo, bonezinho para trás e  guarda-roupa com belas bermudas e camisetas de marcas + nenhuma cara de mal, pronto, teremos Jim Morrison com menos de uma caloria. É Rober Plant que “virou” Jonathan Davis (Korn), John Lydon na pele do vocal do CPM 22, Janis Joplin traduzida na Avril Lavigne, ou que o Ave Sangria seja O Surto...

  Banalizar é  verbo dos mais recorrentes, após as pedras do Muro de Berlin rolarem livres em 1990... A recíproca tanto é verdadeira que até o Scorpions com a sua melódica “Winds of Change”, e cujo sentido da letra  festejava a queda do Muro, não ficou isento das lascas que foram bem nas suas testas. Deles, das nossas, promovendo o império do marketing a reinar sozinho pelo inerte planeta. Cultura virou monopólio, tendência como a moda.

  O Rock Star que antes era peça rara, fechava hotéis para orgias, fazia cara de mal  e óbvio, mandava decibéis e criava sonoridades psicotrópicas, segundo o concurso Rock ´n´ Hall´s reflete a “tendência” forjada, o uso de termos “sacros” resumidos às pretensões vazias da atual Geração Saúde. Deverá ofertar aos contemplados (favor não confundir com virtuosos) também roupas da hora, aparição no horário nobre e o prêmio talvez entregue pela mais recente gatinha da Malhação, ou do malhado galã da novela das 8... Quem sabe, se forem pegos com drogas possam, inclusive, perder o “título”? Sexo? Tá, mas com amor e dosando os gemidos, fazendo beicinho e sem esquecer da cueca da marca patrocinadora e a camisinha de morango que também faz a sua radicalíssima imagem. Yeah!

  Nada agradável o tanger dos jovens contemporâneos à Doutrina Bush, os quais aqui na Terra de Vera Cruz, por exemplo, sob a esquerda palerma do Palloci, não sabem nada de música, sonham com o jeito “Rouge” de viver... A cada nascer do Sol, as trevas da vida vazia e sem nexo arrebanham mentes ao calabouço da mediocridade. Eu já juntei as minhas 4 embalagens, e você, o que está esperando? Quer ser diferente da massa globalizada? Afinal, a vida não é uma balada?

Por Ricardo Guerrillero
Imagens: Reprodução

guerrillero@zipmail.com.br

 

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