|
Clique na imagem para
ampliá-la!

|
Tempos estranhos
Texto e foto:
Peter Strauss
São tempos muito estranhos esses para se viver e posso dizer que pela
sorte (?) de morar no Brasil, essa estranheza é talvez mais branda, mas
igualmente perceptível.
Somos governados por marionetes de vermelho, com pequenas estrelas
brancas que lhes faltam na hora de serem criativos. A estrela apaga. Deve
ser um problema da própria função de governo do Brasil. Uma vez nessa
posição, parece impossível ser corajoso, criativo, ousado. Sempre nos
limitamos ao que é "possível". É uma pena, mas eu votaria novamente, temos
que fazer do voto aquilo que é o mais realista, ou seja, nem jogá-lo fora e
de maneira alguma votar nos geriátricos (?) do poder eterno. Que, de uma
forma ou outra, sempre dão um jeito de aparecer, na cadeira do Senado, ou em
cima de nossas cabeças. Acabamos tendo que "nos contentar" com essa
mediocridade que aí está.
São tempos realmente estranhos, parece que a diversão se tornou uma
atividade bastante complexa para inúmeras pessoas, os jovens desse nosso
Brasil, ou seria um fenômeno local da cidade de São Sebastião? Recebi duras
críticas nos últimos dias por ter "desperdiçado" uma noite da minha vida
dançando alucinadamente Tim Maia e outros soul/disco/funk setentistas,
considerados pelos meus críticos como clichês inadmissíveis em uma pista de
dança (como provocação contei a eles que tocou "Stayin' Alive", e apesar de
detestar Bee Gees, dancei à beça, o que irritou ainda mais meus
interlocutores). A não ser que essa mesma pista de dança tenha se
transformado em um Fórum Mundial da Crítica Musical, o que não é de minha
ciência, para mim continua sendo a mesma coisa de sempre: um lugar feito
para dançar.
Posso até concordar com críticas à minha performance de dança, todas elas
provavelmente muito bem fundadas, mas musicalmente nosso velho Tim sempre
será um excelente estímulo aos movimentos de quadris e afins. Mas há quem
prefira debater a qualidade relativa de DJ's, o quanto clichê seria colocar
essa ou aquela faixa, nada que valha a entrada que se paga em qualquer pista
feita para dançar. Como eu disse, são tempos estranhos.
São tão estranhos que procuramos por toda a Internet por pessoas com quem
conversar, mas em nossas noites pela cidade não encontramos. As pessoas
se aglomeram mas não se acham, se mantêm em seus nichos. Faz tempo que não
conheço alguém por acaso, esbarrando por aí. Na grande rede parece haver uma
facilidade para as pessoas se comunicarem. Nunca sei dizer se acho isso um
efeito ou uma causa da falta de comunicação contemporânea. Talvez seja as
duas coisas.
De qualquer forma, esses estranhos tempos me estimulam de alguma maneira
doentia, apesar de me parecer que tudo está ficando pesado, sem sentido e
com um ar de tristeza. Um governo que se elegeu pelo social, de joelhos
perante os velhacos de sempre, cabisbaixo perante a elite imunda que sempre
governou o país de fato. Pessoas que saem para se divertir com pedras na
mão, uma brigada de críticos musicais (ôôô raça...) prontos para reclamar de
qualquer coisa. Palavras de amor pelo MSN. Medo do mundo lá fora. Conexão de
256 kbps. Rápido, porra!!!
Aguardem amigos, mas preparem a fuga. Se os caretas ganharem...
|
Textos Anteriores:
*
Documento Apático
*
Mentiras
*
Desliguei a TV
*
Essas questões
*
Morte ao turismo!!!
*
Apocalíptico
*
Roberto, o jornalista
*
Tempos de Fama
*
Chovendo Canivetes
*
Como
você banca sua rebeldia?
*
Palavras sempre erradas
*
Pós-Infinito
*
Gin Tônica, Dipirona e outras drogas
*
Soberania
*
Criticar a crítica
é uma crítica?
*
Elogio ao amor
*
Diário de
Viagem - 3ª. parte - Devaneios...
*
Diário de viagem -
2ª. parte - Vivendo com os porteños...
*
Diário de Viagem -
1ª. Parte - A Chegada...
*
Território Minado
[Página Inicial]
|
|