W.A.Mozart no radinho catalisa pensamentos matinais

 

Por Peter Strauss

Imagem: Reprodução

 
  E o rádio-relógio toca a Sinfonia 41 de Mozart. São 07:50 da manhã, ou seja, plena madrugada. Mozart não precisa de jabá para tocar na rádio, é um privilegiado. Um privilegiado morto, é verdade.

  Há quem acredite naquela história toda do Salieri que o Milos Forman contou no filme "Amadeus" que, como filme, acho muito bom. Não sei não, acho que é pura fantasia, mas vai saber.

  Para nós, jovens do século XXI é tão difícil compreender, sentir essa música tão antiga e que nos parece tão datada. Porém, assim como também demonstra o filme, W.A. Mozart, é genial, não tenha dúvida caro leitor amigo. Sua música tem que ser entendida no contexto em que nasceu. Nesses tempos de mp3, pânico da indústria musical isso fica ainda mais difícil de imaginar.

  O sujeito cresceu inserido como pequeno gênio naa sociedade de corte e respectivamente é essa a música que ele conhece. Uma música altamente estruturada e construída minuciosamente. Mozart era menino-prodígio, tocava vendado, de costas, cabeça para baixo e que passou seus últimos dez anos de vida tentando fazer carreira de compositor em Viena. Morreu endividado e o verdadeiro reconhecimento que tanto almejava (e merecia) só surgiu após sua morte.

  E aí está o paradoxo. Vivia em uma época em que a corte iniciava sua decadência enquanto ascendia a sociedade burguesa, da qual o compositor era membro. Essas aspirações burguesas estavam em seu coração, mas ao mesmo tempo era a aprovação da corte que Mozart queria. E necessitava, já que dependiam dela empreendimentos como a apresentação de uma ópera, por exemplo, coisa grandiosa e impossível de realizar por conta própria.

  É estranho como muitas vezes desejamos a aprovação daqueles que odiamos. Todo artista passa por esse dilema, consciente ou não. Criar uma obra não depende de ninguém além do artista. Mas depois de criada, o que vale aquela obra se ninguém a vê ou aprecia? A aprovação do público é o incentivo secreto, o alimentador de egos do artista, esse ser essencialmente egoísta. Guardada dentro de nossa lar nossa obra não passa de mera decoração.

  Mozart, apesar do reconhecimento de sua genialidade, não consegui ser compositor de duradouro sucesso em vida. Precisou morrer, assim como muitos outros (vide Van Gogh). Porque no final das contas se depende do público e depender de alguém é sempre uma tragédia. Felicidade utópica e perfeita é a total independência de todos. Como já dizia Sartre: "O inferno são os outros". E não podia ter mais razão.

  Queremos tanto que nos aprovem, queremos ser bem vistos, até (ou principalmente) por aqueles que desprezamos. De onde vem essa estranha necessidade? Porque até mesmo uma crítica construtiva e inteligente é capaz de magoar? Somos pessoas, fadadas a essas coisas que não vamos jamais explicar. Talvez seja esse um dos grandes problemas do homem. Ele procura explicações. E a dádiva da consciência é também a maldição da dúvida eterna.

  Enfim, essas coisas me vieram à cabeça porque acordei com o W.A. Mozart sublime em meu radinho, que apesar de não fazer jus a essa música grandiosa, é fiel companheiro. E realmente, vocês não tem nada com isso, mas essas coisas são curiosas não são? Boa semana para todos.


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