Histórias do Rock Gaúcho:

 

Crônicas de um cowboy do deserto
 


                                               
 Por Julio Reny
                                                                       
 Imagem: Divulgação

 

 


 

 

  Alô, amigos! E como vou dizer nesta tal coisa de internet... Buenas tardes, bom dia, buenas noches? Mas, enfim, por sugestão do Pedro, nosso homem da internet pela página dos Cowboys, devo começar aqui os trabalhos... Mas confesso que não será fácil colocar os arreios no cavalo depois de tanto tempo sem escrever, sem pressão diária profissional, parado no rancho das terras do nada onde estive por estas últimas luas.

  E de volta ao velho front. O selvagem, selvagem eterno west... Conversando enquanto o barman me serve uma tequila, fico sabendo que o mundo está inevitavelmente pior, Barbosinha! Conseguimos fazer o que era mais fácil do que roubar doce de criança! Aliás... Estamos literalmente roubando o doce de muitas crianças neste mundo que Deus parece ter esquecido. Ou será que fomos nós que esquecemos de Deus?

  O que me espanta e me apavora nas guerras atuais e na guerrilha diária da vida é que o velho barbudo lá de cima, já usado como desculpa e escudo, seja qual for o seu nome, para tanta matança e discriminação, hoje parece meio de lado! O que queremos basicamente? Segurança e sobrevivência. E do outro lado? Que lado cara pálida? Resistência e ardis de sobrevivência. Mas não é disto que a base dos livros sagrados é feita?

  Bah! Mais um gole, porque o barman já está coçando a cabeça. Se é que não me perdi todo...

  O negócio é que vejo hoje, já em romantismo - porque o romantismo morreu salvo em algumas pessoas -, que a nossa cegueira galopa acelerada. E traz no seu alforje prepotência, reacionarismo e egoísmo como se fossem parte da cela de um dos cavalos - riders on the storm - do Apocalipse.

  Mas, e não existe solução? Quem sou eu, um cowboy, para dizer? Porém, se listei as pragas aqui vou recomendar um elixir que eu mesmo estou precisando tomar - porque uma noite dessas, como Clint Eastwood em "Os Indomáveis", bebi cântaros e saí com as armas pra passar fogo em uns bandidos do leste - mas vamos lá experimentar... Só uma vez! Argh! O gosto é bem ruim no início... Tem algo de espiritismo neste remédio! Cospe... E outras religiões e credos bons também... Argh! Engole. Pois bem...

  Não vou amar o inimigo, o pentelho que me embosca, o chefe que me atura, o que tem a língua mais afiada que machado de Sioux, nem o rebelde associado, muito menos dar a cara pra ele - aliás, se ele bobear, quebramos é a sua cara!

  Mas só uma vez... Uma única vez! Vou rezar... Urgh. Mentindo que entendo suas razões, mas que Ele, principalmente Ele, veja que sou um cara legal e que entenda meus motivos e não me queira mal... E que Deus encerre a pendenga no rancho da bonanza e o tiroteio no mundo!

  Hasta la vista, amigos! Yaahh!!!

 

Julio Reny.
 

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