Essa história
tragicômica aconteceu com um parceiro há uns anos atrás. E como
coadjuvante da “patuscada” toda, não vou precisar a data, a banda
e nem o nome dele. Tocamos, não me lembro em que cidade, só me
recordo que o bar tinha dois andares e que o show aconteceu no
andar de cima.
Era verão, terminamos a apresentação bastante suados e fomos fumar uns
cigarros ao lado de uma janela, aproveitando a brisa da madrugada
que se iniciava e, também, porque descobrimos que lá embaixo havia
uma estratégica e enorme lata de lixo. A cerveja era servida em
copos de plástico e a gente tocava e jogava eles, acertando sempre
em cheio na tal lata.
Meu amigo começou a trocar olhares com uma garota da festa e não demorou
muito tirou sua aliança do dedo e me confiou para guardá-la...
Essas histórias de caras tirando a aliança dos dedos, bah, tenho
outras, mas naquela feita, eu peguei e só pensei em um lugar
seguro para não perdê-la e não desgraçá-lo em casa: no fundo do
plástico da carteira do meu velho Marlboro!
A noite rolou, eu bebi um monte, ele agarrou a guria, eu também conversei
bastante com uma e fumei muito.
Então o produtor avisou o toque de recolher, hora de partir. Nos
despedimos e ele chegou e pediu sua aliança de volta. Eu procurei
pelos bolsos. Ele me olhou sério. Então me lembrei e disse: “Não
há problema, amigo. Guardei tua aliança no meu cigarro...”. Só que
a carteira de Marlboro havia desaparecido! Ele entrou em pânico e
antes que começasse a suar frio, eu lembrei que tinha fumado todos
os cigarros e jogado a caixa com a aliança e tudo lá embaixo, na
tal lata de lixo.
Foi dizer isso e ele desceu as escadas feito um raio. E como péssimo
guardador de alianças de casamento, me sentindo culpado àquelas
alturas, corri atrás dele.
A lata de lixo gigante estava simplesmente lotada de copos e resíduos da
noite até a boca. E o público saindo do bar... E dois caras da
banda freneticamente fuçando dentro do troço!
Finalmente
encontramos, mas, lamentavelmente, ainda preguei mais um susto no
parceiro. O que restou da carteira estava completamente amassado
e, à primeira vista, nada! Ele ficou desesperado, mas apalpei o
que sobrava do plástico e me lembro como se fosse hoje, a tal
aliança brilhou na luz da noite alta. Lua cheia de verão.
Começamos a rir de nervosos.
Voltamos para casa e dali a uma semana ele estava em um magazine fazendo
compras, e quem o atendeu? A tal garota da festa... Mas meu amigo
resolveu encerrar toda confusão por ali mesmo.
Que história!!!
Até a próxima,
Julio Reny.
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