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desde 13/07/2003

 

 Tal qual a reptilia

 

                                                 Por Ricardo Alexandre G.
                                                                                        
 Imagens: Reprodução

 

 



 

  Há quase um ano deixei de dissecar, que é a maneira com a qual brinco quando escrevo sobre algum disco, e entender a mensagem  do álbum "Avalanche", recém-saído do forno e segunda cria do IguanaS. Mesmo assim, sabia que a seqüência do "Música Tosca Para Quem Tem Pressa" (2000) não comprometeria a "reputação" desse que foi o primeiro registro deles. Do envelope postal ele seguiu direto para as malas... Com elas, carregava sem saber um trecho da quixotesca Antes de Tudo Acabar:

 

 

"(...) Há uma rua que eu não conheço

      não sei até onde vai

      hoje eu vou até o fim

      deixando os avisos para trás (...)"

 

 

  Passaram-se os meses. Daqui da rua que antes eu não conhecia, por entre os avisos que futuramente também deixarei para trás, malas estão desfeitas e pude enfim partilhar umas idéias com esses 12 minutos de secos e rasteiros pedaços de punk rock. Chances, falando do ocaso de uma juventude que vê a vida passar sem questionar ou se impor; Civilizado e as inexpressivas boas regras de conduta do cidadão pós-moderno; Avalanche (faixa-título do EP) e S.O.E., relembrando a Sala de Orientação Educacional e seus métodos burocrático-repressivos de tratamento. Todas elas juntam-se à dita Antes de Tudo Acabar e reafirmam as letras tensas sobre um cotidiano uniforme, programado para matar a estima e esvaziar pretensões realistas.

 

 

 

 

 

 

  Como o genuíno Rock não precisa de salvações ou bandas que irão “estourar”, a menos que as marcas que os vestem ou a indústria fonográfica apele e queira fabricar novos ídolos do Rock-Malhação, é satisfatória a descoberta de um outro trabalho no independente nacional, especificamente esta seqüência fonográfica do IguanaS. Tudo isso vai passando quase despercebido, enquanto a crítica especializada forma opinião à procura do seu novo hype pseudo-anglo-saxônico-intelectualizado do Rock feito nos trópicos...

 

  A seguir, uma conversa de “três acordes” entre o Dissonância e Hugo Braz, vocal e guitarra do trio de Barra Mansa (RJ), que ainda tem Lando nas baquetas e Pixote, no baixo e voz.

 

  Estamos Apresentando...

 

 

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Dissonância - Qual o pano de fundo do IguanaS desde o "Música Tosca..." (primeiro disco), até "Avalanche" (atual e em divulgação)? O que deixaram para trás, e óbvio, o que conceberam neste tempo de 2 anos entre um e outro trabalho?


Hugo Braz
- Desde a formação da banda (1999), nossa proposta foi fazer a música mais direta possível, unindo barulho e energia nas músicas e liberdade nas letras, gostamos de bandas que soam simples e empolgantes, como The Clash, Pixies, Hüsker Dü, Nirvana, Dead Kennedys e Ramones.

 

  Quando lançamos a primeira demo, nossa única proposta era fazer músicas que realmente nos agradassem, que fugisse do que estava sendo feito atualmente, queríamos as músicas simples, curtas e diretas, porque achamos que é assim que o Rock deve ser. Com ela, “Música Tosca Para Quem Tem Pressa” (2000), a gente não esperava um retorno muito rápido, mas tivemos a sorte de ter um retorno imediato do público, da imprensa e das bandas que tocavam com a gente. Isso fez com que o nosso número de shows aumentasse a cada mês e a distribuição da demo também. Depois de 1 ano tínhamos vendido umas 5 vezes mais demos do que podíamos imaginar, fomos chamados para participar de duas coletâneas, “Welcome To The Freakshow - Vol. I” e “Eu Tentei”; gravamos em 2002 o CD “Avalanche”, e logo em seguida participamos do cd-coletânea "Expresso Hardcore 3", com bandas do Brasil, Holanda, Espanha e Portugal.

 

  A divulgação do “Avalanche” tem sido ótima, tocamos em diversas cidades onde não tínhamos tocado ainda, a distribuição está excelente e a receptividade também. Acho que não deixamos nada pra trás.

 

 

 

 

 

 

Dissonância - A palavra-título, Avalanche, foi utilizada em qual sentido pelo trio?


Hugo Braz -
Avalanche foi usada por dois motivos: porque a letra fala sobre queda, e principalmente, porque a música soa como uma avalanche, que começa de forma inesperada, com todos os instrumentos ao mesmo tempo e mantém a mesma intensidade até o fim, pode ser mais uma das minhas “viagens”, mas interpretei isso como uma avalanche e acabou virando o título do cd.

 

Dissonância - E o "avançar dos IguanaS", para onde está sendo intencionado?

 

Hugo Braz - Estamos finalizando as músicas do que será nosso primeiro álbum, e pretendemos lançar no início de 2004. O Pablo, baterista da banda The Invisibles, nos fez uma proposta de produzir um clipe para a música “Chances”, e pretendemos fazer isso junto com o lançamento do cd. Também queremos atualizar e colocar nossa página no ar, que está temporariamente fora. Depois de tudo isso, a intenção é tocar por todo Brasil.

Dissonância -
Espaço Livre!!!

 

Hugo Braz - Obrigado pelo espaço e vida longa ao Dissonância. Nosso endereço pra contato é: info@iguanas.com.br.


 

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