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Chegar e dizer tchau
Hoje
cansei de novo, outra vez, mais uma vez. Cansei hoje como cansei ontem,
anteontem, semana passada e o mês todo. Falei com pai, mãe, irmão e amigo.
Mas ainda não falei comigo. Eu, que não sou de ficar espalhando minhas
“interioridades” por aí, me vi despejando o coração sobre os mais íntimos. E
fiquei muda ao telefone, só escutando o barulho do almoço da minha casa, com
vontade de desabar, antes de falar que pensava em desistir. Segurar o choro,
abandonar as poucas coisas que são o mundo para mim. Antes de escutar que a
vida é assim, que há que se ser forte. E antes de me dar conta que acho que
já sei que a vida é assim, que já sou forte, que parem com isso. São os
minutos que precedem o instinto de dar um tempero, largar tudo, mudar de
vida. Deixar o circo pegando fogo sem avisar aos bombeiros. Estar pela
primeira vez em um novo lugar. Gritar o quanto amo e odeio essas coisas tão
opostas chamadas seres humanos. Não precisar sofrer para fazer literatura.
Saber que para entender o pensamento do poeta é preciso entender o próprio
pensamento.
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