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 O verdadeiro significado das siglas partidárias                                                                                         
                                                                                     

                  Por Fernando Paiva
                                                                                          
Imagem: Reprodução

                                                                                          
                 

 


 

  Quem acompanha o noticiário político depara a todo instante com mentiras, alianças inacreditáveis, fisiologismo etc. Parece até que a contradição é algo inerente ao ato de fazer política, uma característica presente nos discursos e ações de vereadores, deputados, senadores & cia. O mais engraçado – ou mais triste, para aqueles ainda esperançosos com a democracia representativa – é notar que a contradição já nasce junto com o próprio partido, em sua sigla!

  Os nomes dos partidos nem sempre refletem o que eles realmente são. Um caso emblemático é o PP, Partido Progressista. Para começo de conversa, parece um escárnio um partido com Paulo Maluf como presidente de honra (sim, de honra!), se dizer progressista. Esse termo, na política brasileira, é tradicionalmente utilizado para descrever alguém de esquerda. Por sinal, essa definição está no Aurélio: “4. Bras. Diz-se de quem, não pertencendo a um partido político socialista ou comunista, aceita e/ou apóia, no entanto, os princípios socialistas e marxistas”. E mesmo se formos considerar “progressista” como alguém que defende o “progresso”, tampouco me parece que os políticos do PP se encaixem nessa definição. A elite que ele representa pensa apenas em manter o status quo da desigualdade brasileira. Aliás, enriqueceu graças a essa desigualdade, explorando ao máximo a classe trabalhadora.

  A esquerda não escapa de crítica. Analisemos o caso do recém criado PSOL, Partido Socialismo e Liberdade, fundado pelos ex-petistas Heloísa Helena e Babá. A inclusão da palavra “liberdade” parece mais uma inteligente estratégia de marketing do que propriamente uma homenagem aos preceitos defendidos pelos dois em suas carreiras políticas. Por mais que eles acreditem, sim, em liberdade, é inegável que suas imagens junto à opinião pública estavam relacionadas ao radicalismo de esquerda, que, por sua vez, é tradicionalmente associado pelo povo à idéia de autoritarismo, em função das experiências comunistas do século 20. Nada mais apropriado, portanto, que incluir “liberdade” no nome, para suavizar a imagem que o partido terá frente à opinião pública e, logo, conquistar mais votos. Vale lembrar que “socialismo e liberdade” eram os princípios do anarquismo para Bakunin. E os membros do PSOL estão longe, bem longe, de serem anarquistas.

  O marketing, sem dúvida, fala alto na hora de se criar o nome de um partido. Acredito que seja quase tão importante quanto a síntese das idéias da entidade em duas ou três palavras. Ninguém duvida que Leonel Brizola, quando fundou o PDT, Partido Democrático Trabalhista, fosse favorável à democracia. Porém, talvez mais que isso, ele fosse favorável a conquistar votos. E nada melhor que incluir “democrático” no nome do partido, para se contrapor ao então decadente e agonizante regime ditatorial. Poucos se lembram, contudo, que Brizola foi o principal herdeiro político do trabalhismo de Getúlio Vargas, que foi presidente por quatro anos e ditador por dezesseis. Um homem que flertou com Hitler e só não fechou aliança com ele na segunda guerra porque os americanos pagaram a construção da Companhia Siderúrgica Nacional. Um sujeito que caçou comunistas e deportou Olga, então grávida, para a Alemanha nazista. Não sei como alguém que se dizia herdeiro político de Vargas poderia fundar um partido com a palavra “democrático” no nome, a não ser que fosse para se aproveitar de um momento político em que isso renderia alguns milhões de votos – como de fato rendeu.



 

 

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