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Petiscos do Astronauta Pingüim
Imagens: Giovani Paim/Tina Brown
Ora gosto pessoal, ora hits do "Rock Gaúcho". Foi essa a combinação em que o Astronauta Pingüim se baseou para criar o seu primeiro álbum solo, "Petiscos: Sabor Churrasco - Switched on Bah!".
Na brasa desde o final de 2000 e ficando no ponto em meados de 2003, Petiscos é um espeto cheio de experimentações. Sem largar a companhia dos sexagenários teclados Moog, Pingüim põe as mangas e os teclados de fora e recria canções de uma boa galera do Rio Grande do Sul, que vai dos Cascavelettes à Júlio Reny, passando por Wander Wildner, Frank Jorge, Replicantes e outros, sempre salpicados por algum sal grosso eletrônico à base de samplers, loops e órgãos de época.
Com remissões a pop art e crayon na parte visual, e a Kraftwerk, bateria de escola de samba e Roxy Music, quando o papo é música, o álbum segue fiel à velha fórmula do disco instrumental que absorve sucessos cantados. Em todo o caso, vale como diferencial a experiência do músico gaúcho, na estrada há certo tempo e acumulando passagens que vão, dentre outras, da extinta banda Acretinice Me Atray, onde tudo começou, às carreiras solos de gente como o punk brega Wander, ou acrescentando pitadas de lisergias no já lisérgico som do Júpiter Maçã, desde o último álbum, Hisscivilization (2003).
Enfim, o Petiscos traz 10 canções que certamente não irão revolucionar a Música, como pode afirmar com afã algum exaltado, mesmo assim, vale pelo conjunto que envolve esta produção: montar um selo (Pineapple Music) e a partir disso viabilizar essa e futuras investidas; o apuro com o visual, inclusive dando oportunidade a talentos como o da Tina Brown e Giovani Paim; e claro, como não podia deixar de ser e fechando com "tecla" de ouro, o tal Astronauta Pingüim.
Pra quem gosta de churrasquinho de gato instrumental, jamais faltará um tio Richard Clayderman, firme e forte a mandar When A Man Loves A Woman no almoço nosso de cada dia, Careless Whisper no papo furado de elevador. Já que é para compilar, vai uma melodia bem passada aí? Essa é a picanha na brasa em questão: se a fome estiver grande, os Petiscos estão aí como entrada, estimulando as primeiras sensações e contra-indicações à moda da casa. O apetite, bem, o apetite varia de acordo com o freguês...
***
Na seqüência, bate-papo e fique sabendo um pouco mais da "procedência" do Astronauta Pingüim.
Abacaxi a ser descascado...
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Dissonância - No seu site dá para saber de algumas referências e coisas da época em que você começou a curtir som. Por que você se ligou nessa dos moogs e tal, que acabou sendo a sua marca?
Astronauta Pingüim - Cresci ouvindo, e todos nós crescemos ouvindo, músicas com moogs. Eram comuns nos anos 70 discos só de Moog; conheço os do Walter Carlos (Switched-on Bach, by request; A Clockwork Orange-soundtrack; Tron-soundtrack), Jean Jacques Perrey, Gershwon Kingsley (Music To Moog), Tomita (Pictures at an Exhibition, Ravel´s Bolero).
Dissonância - Claro que sim!
Astronauta Pingüim -
Aquilo lá é Jean
Jacques Perrey, num disco chamado Moog Indigo, de 1969/1970, que até
pouco tempo eu usei uma na primeira versão de Lugar
do Caralho; não é a que está no álbum (Petiscos), mas a que eu vou
usar para o clip da música... Toquei (não usei, não sampleei) um trecho de
uma música desse disco, que também era da trilha sonora do Chaves, no
Brasil. A minha geração cresceu ouvindo Moog, cara, nos Trapalhões, e era vanguarda na época, né? O máximo de tecnologia...
Dissonância - E, digamos, foi ultrapassada pelas mais modernas.
Astronauta Pingüim - Ah, sim, com certeza. É um instrumento monofônico, uma nota por vez, né? Aí outras empresas com grana, tipo, Yamaha, Roland, desenvolveram instrumentos com polifonias, sintetizadores com polifonias.
Vendia muito para conjunto de baile, cara! Quem sustentava essas empresas não eram os caras dos nomes, e sim eles serviam como grande propaganda para a empresa; cada uma delas comprava o seu nome e vendia o produto. Os conjuntos de baile sustentavam muito disso, aqui ou em qualquer lugar do mundo.
Em todo lugar existem essas bandas, né? Na época, elas tocavam músicas originais no Moog, e começaram a ter o recurso de um teclado, que além de outras coisas, fazia sozinho o trabalho de três músicos...
Dissonância - No cd você aproveita e toca uns baixos, guitarras. Estranho, em se tratando do Astronauta Pingüim; onde surge o contato com tais instrumentos?
Astronauta Pingüim - É que baixo, violão e guitarra eram mais simples de se aprender, pois na época de piá não era aberto assim à exportação de instrumentos como hoje. Então, não tinha teclado, eram só instrumentos óbvios...
Dissonância - Não tinha teclado, violão, baixo e guitarra. Eles transformaram-se em "contentamentos"?
Astronauta Pingüim - Não para contentar, mas aprender a tocar, a brincar. Essa coisa...
Comecei a tocar contrabaixo mais ou menos com 12 anos de idade;
passei para os teclados com uns 14. Prefiro tocar contrabaixo ao teclado,
por mais incrível que isso possa parecer. Agora, pelo fato de ter iniciado
profissionalmente com o disco d'Acretinice Me
Atray, ainda hoje só me chamam para tocar teclado. Dissonância - Tocou em banda como baixista, guitarrista?
Astronauta Pingüim - Cheguei sim, bem lá no início com a Fashion Guru, e mais recentemente no Velvet Goldmine, grupo que ajudei a formar em 2000. Fazemos, volta e meia, três diferentes shows com a Velvet Goldmine: a "Glitter-rock party", a festa do livro Mate-Me Por Favor e o Tributo a David Bowie.
A do pé no teclado
Dissonância - No meio de estórias assim, nunca rolou de tocar em cerimônia de casamento (risos)?
Astronauta Pingüim - Não, mas até que eu queria (risos)...
Dissonância - Qual o aparato utilizado tanto na carreira solo, quanto acompanhando outros músicos?
Astronauta Pingüim - Teclado moderno só agora com o Wander, um Yamaha DJX. Uso geralmente Moog; com o Júpiter (Maçã) uso também um Casio 5000 órgão - o primeiro teclado da Casio. Tenho outros, sendo esses os que mais me acompanha.
Dissonância - Será que a legião de fãs do Pingüim não vai fazer uma ruptura, agora que usa o seu primeiro teclado moderno? Pingüim com Yamaha...
Astronauta Pingüim - Não, não é uma ruptura (risos). Comprei para a turnê com o Wander, achei ele legal e decidi levá-lo; ainda havia conseguido um emprestado, mas tinha que "ter" um para acompanhá-lo na turnê.
Na verdade, é teclado e também groove box, com grave muito bom, usado por DJ e a fase de acompanhamento é toda drum´n´bass, techno, house. Faz tudo!
As pessoas têm essa visão de que eu sou radical, que só uso Moog, mas uso órgão também. A diferença é que não preciso pegar um Yamaha para simular um Moog ou órgão.
Dissonância - O drum´n´bass do disco já é com o novo aparelho?
Astronauta Pingüim - Não. No disco todo, menos "Amor e Morte", é bateria acústica com o (Sérgio) Bolada, Régis Sam e até comigo. As duas que são bateria o tempo todo ficaram com o Bolada; para as outras, eu e o Régis fazíamos o tum-tum-pá-tum-tum-pá e gravávamos, ou às vezes peguei de algo já gravado e "loopeava". A própria bateria do Bolada tem umas "loopeadas".
Coloquei efeito de bateria eletrônica, mas no show é bumbo, caixa, chipô (chimbau) e prato. Nem tom, nem surdo, não tem nada. Ah, a bateria eletrônica acompanha reta e com som orgânico.
Dissonância - Poderia falar um pouquinho sobre o feitio do Petiscos, pois como bem informa o site oficial, foi um processo que se iniciou no final de 2000, chegando a ser concluído em 2003?
Astronauta Pingüim - O primeiro pensamento era gravar clássicos do rock gaúcho, né, cara? Bidê ou Balde, Cascavelettes... Vi que ia ser um projeto caro, pois tinha de liberar direitos autorais daqui, direitos autorais dali; a gravação foi simples, já que é low-fi, computador ligado direto, não tem guitarra, não tem voz, que é o mais complicado de gravar. Sabia que ia sair independente.
Continuei trabalhando no disco, conforme o orçamento "ia". Os direitos autorais tomaram mais de um ano e meio; tem aquela chatice, e liberadas como foram as músicas, o autor "liberando" então... A editora não vai ganhar o direito dela, então deixa tudo pra depois; a gente manda 150 e-mails, 500 telefonemas, então eles vêem que tu não vai parar de encher o saco, daí vão lá e assinam o documento liberando.
No momento em que ficou tudo pronto, o outro parto que é mandar para a fábrica com somente 1000 cópias; os caras vão demorar no mínimo uns 90 dias!
Tive que fazer um selo para poder mandar para a fábrica. A princípio, criado para os meus discos. Esse também é um dos motivos do abacaxi na capa!
Dissonância - O próximo álbum poderá ser totalmente autoral, tipo, não resgatar sucessos de outros grupos? Por que os hits gaúchos no "Petiscos"?
Astronauta Pingüim - Comecei a pensar na carreira solo, até para me desligar um pouco das bandas e tal. Um trabalho só meu... Escolhi o rock gaúcho como tema para o meu primeiro disco solo por um basicamente motivo simples: as melodias são realmente muito boas. Além disso, foi uma forma de "retribuir" os vários convites que recebi e recebo para tocar com esses caras muito especiais (Júpiter, Jimi Joe, Wander, Frank Jorge, Plato, Júlio Reny).
O sucessor será Super-Sexy Sounds by Astronauta Pingüim, e terá dez músicas, a princípio, compostas para dez das minhas musas, mulheres interessantes do mundo artístico. Eu tocarei basicamente todos os instrumentos (teclados, baixo, guitarra, harmônica e algumas das baterias) com o mínimo de participações de outros músicos.
A produção está sendo feita novamente por mim, com co-produção do Régis Sam, como no Petiscos. O Régis também é responsável pelos drum loops, quando necessários. A primeira música totalmente pronta do disco chama-se Lisa Boyle, que é uma atriz norte-americana. Estará na coletânea Brazilian Pebbles 3, da gravadora Baratos Afins, do meu grande amigo e "Dom Quixote do Rock (in)dependente", Luiz Calanca.
As próximas duas a serem gravadas são "Ana Paula Padrão" (a jornalista) e "Uma Thurman" (a atriz). Os títulos são os nomes das moçoilas mesmo. Todas compostas por mim!
Mas esse disco deve sair só lá por julho de 2005...
Dissonância - Outros projetos poderão surgir nesse intervalo de tempo?
Tem também um com o Dudu Marote, que pode ser com canções do rock nacional dos anos 80, BRock. Pode ser o terceiro ou quarto, que aliás, nem vou fazer pela minha gravadora, pois requer nova complicação com direitos autorais, e aí quem quiser que faça (risos). Vou gravar e mandar pro Dudu Marote e a gente vê o que vai fazer, já que ele está fazendo a seleção comigo.
Eu queria fazer um disco anos 80 brasileiro, coisas mais chinelo - Ritchie, Herva-Doce -, assim, no sentido de popular, e transformar... Mostrar um novo ângulo da música, suas melodias perfeitas, em cima da minha característica.
Dissonância - Dá pra contar como é que foi a entrada do Giovani Paim, fotógrafo e também colaborador do Dissonância, na parte das imagens que ilustram o Petiscos?
Astronauta Pingüim - Conheci o Giovani quando ele devia ter uns 15 ou 16 anos; fazia um fanzine ou coisa parecida.
Começamos a conversar, ele foi indo aos shows e depois começou a fazer outros contatos. Uma vez eu estava com um amigo, quando o Giovani chegou, mostrou umas fotos que ele tinha feito.
Cheguei a fazer umas sessões de fotos com a Tina Brown, em São Paulo. Tinha um fotógrafo para ser contratado lá, mas as datas não fecharam e eu "obrigado" a voltar para o sul - Natal!. Assim, como ele não podia, a Tina fez umas fotos e aproveitamos uma, a da contra-capa do disco.
Era preciso fazer a produção para umas outras, então, já no sul, pensei e convidei o Giovani!
Dissonância - Quando vocês fizeram o ensaio fotográfico para o disco?
Astronauta Pingüim - Nesse ensaio sim, já existia a idéia do visual para o disco. A Tina faria a capa, que teria o abacaxi no lugar da banana, no primeiro do Velvet Underground. É por isso que tive a idéia de botar o abacaxi na capa.
Então tá, o contexto é o abacaxi em cima do trabalho de (Andy) Warhol, fazer uma coisa a ver com isso aí. Já sei, prefiro fazer uma coisa infantil, tirar a foto em preto-e-branco e pinto com canetinha, né?
Liguei para ele e fizemos a primeira sessão de fotos, que das 12 do disco, eu acho que tem umas 8. Aliás, primeira sessão que o abobado me sai com uma mochila de madrugada e é assaltado, cara! Com o filme dentro...
Contra-capa: foto da Tina Brown
Dissonância - Perderam o filme?
Astronauta Pingüim - A princípio, sim. Ele voltou chateado, "bah, me desculpe!", e eu "que nada, a gente monta de novo". Já que vamos fazer umas novas, aproveitamos para fazer coloridas também". Fizemos e antes de revelarmos essa segunda sessão, a mochila foi encontrada!
Enfim, as primeiras ficaram melhores, e as da segunda sessão a gente usou umas 4. Gosto de duas delas: uma é aquela do sapato, da segunda sessão; a outra é a da língua, que é da primeira sessão.
Dissonância - Talvez o trabalho com o Júpiter seja o mais consistente dentre as parcerias do Astronauta Pingüim. Como é que surgiu a parceria?
Astronauta Pingüim - Fui operador e trabalhei na programação da FM Unisinos, em 95. Eu operava e o Flávio (Basso, vulgo Júpiter Apple/Maçã) foi lá e gravou um programa chamado "Projeto Instrumento", que na época não ia ao ar ao vivo! Já o conhecia de vista, de Porto Alegre, mas não ficamos logo amigos.
Em 2001, fui contratado pela banda Justa Causa e fui para São Paulo. Morei lá, fizemos aquele programa Musikaos, do Gastão (Moreira), e encontrei com ele lá, na época Jupiter Apple, com Ray-Z e Clayton, divulgando o Plastic Soda.
Não sei o que houve, mas caiu uma ficha para a gente tocar juntos. Ele estava gravando um disco que ia se chamar Appartment Jazz ou algo assim, que foi gravado em SP no ano de 2001, cujas sessões incluem Pyrus Malus, Exactly e So You Leave The Hall. Acho que só essas. Daí gravei algumas músicas no estúdio com ele, e Pyrus Male et Fragaria Vesca entrou no Hisscivilization.
Voltei para o Sul, e ele ficou lá um tempo. Em 2003 (no início do
ano), ele volta a morar em Porto Alegre, e gravou o restante das
faixas para o Hisscivilization com outra formação, pois da fase
Appartment só ficou eu e ele... Começamos a tocar juntos. Final de 2001, início de 2002, e é óbvio que seja o meu trabalho mais consistente, pois ele é o grande gênio do rock brasileiro nos últimos anos. Acho que ele é o cara!
Dissonância - Você participa do curta Appartment Jazz?
Astronauta Pingüim - Minha única participação no curta do Júpiter foi ceder meu fonograma de "Estou amando uma mulher/Hall of the Mountain King" para a trilha sonora. A diferença entre as duas versões (a do meu disco e a do filme do Júpiter) é que a do Petiscos foi masterizada pelo Luiz Calanca.
Dissonância - Dia desses fiz uma matéria com o Egisto, falávamos sobre Acretinice. Agora, eu queria saber a sua versão sobre a banda!
Astronauta Pingüim - Foi a minha primeira experiência profissional. Cheguei a gravar e produzir; produzir no sentido de tocar, e profissional por ter um disco gravado, igual ao escritor que lança o livro. Conheci o Egisto através de moogs, assim...
Era totalmente anos 80, uma coisa de super-grupo, cara! O Scandurra chegou a participar da banda antes de eu entrar, mas era um projeto esporádico do Egisto, da Bia, do Alemão (Graforréia Xilarmônica), Edu K, Biba Meira... Tantos!
A banda se "fechou" mesmo no quinteto que gravou o disco, né? Eu com um monte de teclados, já que foram as vezes que levei mais teclados para shows; o Egisto vinha de uma pá de bandas e discos que ele havia feito e produzido; Jimi Joe - uma lenda -, foi e fez de tudo, desde sempre; a Cléo, atriz e maravilhosa; e o Schneider, outra lenda. Os shows eram algo teatral, tipo, Boneca Comestível durava uns 15 minutos, só com aquelas 4 frases e aqueles 4 acordes (risos)!!!
Acretinice é muito legal, cara. Ouvindo o disco e lembrando que era 98, podemos dizer que era uma coisa vanguarda. De certa forma, fomos os precursores de bandas como Bidê ou Balde, Video Hits, por mais que Acretinice não tenha influenciado. Digo isso pelo teclado, pelo humor.
Um grupo de amigos, né, cara? Depois começou a rolar ego...
Astronauta Pingüim - Do Yanni eu nunca ouvi nada, sei que ele toca teclado e joga energias (risos). Eles estão fazendo os trabalhos deles.
Eu não curto o som desses caras. Conheço, mas não gosto.
Dissonância - O toca-discos do astronauta está recheado de quais sons? Teria indicações para os curiosos?
Astronauta Pingüim - Anos 60, tipo o country sem teclado do Johnny Cash, Keith Williams; o Folk, com Bob Dylan, que eu adoro. De novo, estrangeiro, nada me chama a atenção.
Do Brasil, Repolho, banda maravilhosa e de muita qualidade; Cherry Bomb (Londrina/PR), que mais? Por eu gostar de country, Trem 27; Comunidade Nin-Jitsu (o show mais divertido de pancadão no Rock é o deles), conseguindo fazer crianças de 10 anos cantar: ah, eu tô sem erva (risos); Fabão, vocalista da Rastamano; Skank novo é bom, só que nada de novidade...
Não é gostar ou não gostar, é chamar a minha atenção.
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