Olga e os filmes do mesmo rolo



Por Daniel Paes
Imagens: Daniel P. + Reprodução




  Olga, filme dirigido por Jayme Monjardim, é o terceiro maior acerto - quero dizer, hit! - da Globo filmes. Seus companheiros de classe são: Os
Normais, Carandiru e Cazuza. Todos filmes que arrebataram bilheterias e reabriram o cenário nacional de cinema ao grande público. Mas na contramão, se fecham a qualquer tipo de comentário estético.

  O Brasil aprendeu a fazer "Roliúde", meus velhos. Claro que a tendência era esta que segue contrariando a letra malandra de Lenine, onde lá pelas tantas o pernambucano diz que "eu só boto Bebop no meu samba quando o tio Sam pegar no tamborim...". Na verdade - que não existe, cabe aqui informá-los - Hollywood já tem sua filial por aqui e o Bebop purinho nem precisa mais de Ziriguidum.

  Fenômeno que já havia acontecido com magnitude durante a Segunda Guerra, na Itália, e como atualmente ocorre na indústria do cinema da Índia - conhecida como "Bollywood" - que é a segunda maior do mundo e produz em "banda larga" filmes para o vasto público oriental. O curso detectado na Índia parece estar sendo reproduzido pelo Brasil. Ambos os casos são notáveis pelo lucro direto, produto de custos referentes aos serviços mais baratos e ao retorno de bilheteria. O público se orgulha de ter uma "superprodução" com a insígnia de seu país.

  Entretanto, resta a pergunta: após toda pornochanchada vem um Cinema Novo? Após todo Cine Itália vem um neo-realismo italiano? Se a resposta for positiva, então caminhamos para algo interessante. Se a resposta for talvez, então nosso papel nesse filme manjado é sair da sessão no meio e recorrer aos filmes realmente artísticos. Estes que não são interessantes à indústria pois não vestem apenas a máscara de produto. Eles estão por aí, na videoteca da sua faculdade ou na estante de preço mais barato das locadoras. Buñuel encontra-se longe das variedades de uma unidade gritante nas Blockbusters. Muito longe destas "McLocadoras". Tão longe que nem se pode mais enxergar.

  Mas quando falamos de arte e de estética precisamos estar de peito aberto a novas experiências. Não se pula abismo em salto triplo companheiros, quero dizer, concorrentes. Mas ainda resta o brilho no fundo deste cano de nossas mentes sem lembranças. Assistam.


 

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