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Sânscrito: o poema guia
Por
Daniel Paes Imagens:
Daniel P. + Reprodução
E o guia poeta recebe Zaratustra:
"Só acredito no que é escrito
Com o próprio sangue"
Quatro litros de tinta
Dor e angústia e espírito
Pulsam e aqui e fora
Retidos e móveis e quentes
Nesse poema pesado que nasce
E morre na poeira do ar
"Escrevo próprio espírito"
Versos deixados como oferenda
Na encruzilhada dessa vida ocidental
No chão símbolos poéticos
Luz de velas de ironia aluvia
Minerais e vegetais e bichos vida
Assistem com desdém meu sacrifício
Cachoeira e mar e terra
Preto velho, Eu e Erê
E eu estou ok, e você?
Enquanto
A velha amarga tenta
Me tirar do terreiro
e
Arrebentar minha guia
Porquanto não importa
Será sempre em vão
Tambores e calores
Cantemos juntos:
A lua branca aluvia eu
Olho da noite aluvia eu
Vela amarela de ironia
Alivi alivi alivia eu
Os bicho vivo aluvia eu
Minha princesa aluvia eu
Giz de cera e poesia
Alivi alivi alivia eu
A luz que vinha em vão
Refletia sobre o chão
E a doce luz que vinha
Pintava cá dor daquela tinta
Minha carta de alforria
Aluvia minha vida
Que agora o sol sou eu
Era noite de oração
Para eu
Era dia de benção
São sou eu (7X)
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