Lasciva Lula

                                                            

                                                                                 
Por Daniel Paes
                                                                         Imagem: Reprodução


 
Pergunta necessária: o porquê do nome? A resposta do vocalista e guitarra base, Felipe Schuery, é simples: "sonoro". Na mesma direção segue o título (Óleo de Saliva) do terceiro EP independente. A banda veio da terra do sal, Cabo Frio/RJ, mas já mudou de formação, de território e amadureceu também. Cruzaram a posição inicial de cover dos Pixies (banda considerada por Kurt Cobain como o Pop perfeito) para caçadores da simplicidade densa.

  O som dos quatro caras é isso: simplicidade (sinônimo de sinceridade) densa. E além disso, eles não subestimam quem os ouve. As canções dialogam com a percepção e esperam parcerias com o ouvinte. "Comprei Häagen-Dazs, encontrei o Zelig, traga a bicicleta. Meio + meio = nós": um verso como esse pede um ouvinte-pensante.

  Ao ouvir pela primeira vez a banda (foi ao vivo!) me perguntei como aqueles quatro caras faziam tanto som. Talvez o resultado nasça da abertura musical que o grupo abarca. Eles não têm muitas opiniões em comum. Talvez uma: o som é Rock. Se é indie, sessentista, pop, psicodélico ou não, aí a discussão se perde. Rótulos nunca. A formação atual é a mais talentosa que já passou pelo grupo.

  Felipe sabe os momentos para fazer das cordas vocais coração. A guitarra solo de Guga_Bruno lembra algo nascido na década de 1950. Marcelo Cals na bateria é assim, tipo uma lula. O baixista Jamil, junto com Felipe, remanescente da primeira formação, é lascivo nos graves. Não entendeu? Sinta o som. Além de que, como escreveu Shuery na letra de Corrida Caucus: "Isso é agradável? Nem agradável, nem desagradável. Existe". Talvez esta seja uma boa definição para a banda que fez seis anos de carreira abusada nesse mês. Lasciva é uma daquelas bandas que a gente se orgulha de conhecer desde o início.