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A Mídia Gorda quer recriar o "medo" da Regina Duarte
Texto e Imagem:
Peter Strauss
A mídia é uma instituição engraçada. Nunca vemos o Jornal Nacional falar
de política cultural. De repente, lá está o Jabor, este patético paranóico,
cheio da sua retórica simplista e querendo nos fazer supor que o PT vai
adotar a linha Stálin daqui pra frente. Até parece. Esse governo aí é FHC
parte III. Muitas vezes o terceiro filme da trilogia é o pior de todos.
E a
VEJA então, esse clássico de midiotice, com aquela capa ridícula da estrela
com um olho maligno. Quando eu a vi na banca não pude evitar uma risada de tão
patético que é. O que acontece é que a mídia parece acreditar que é um poder
que está acima daqueles que supostamente deveria regular. Acredita que não
precisa de regulamentação, está acima de qualquer suspeita, apesar de fazer
parte de corporações que visam nada além de $$$. Qualquer ação no sentido de
se regulamentar sua atividade é rapidamente taxada de censura, sem qualquer
análise mais objetiva da natureza desse controle.
O Jornal Nacional faz suas
críticas mas em momento algum informa realmente o teor das novas medidas que
estão sendo planejadas. Não estou nem defendendo as ações do governo. Mas em
um mundo de ideal democrático, as idéias são debatidas de maneira séria e
aberta. E não esse festival de verborragia que só evidencia os reais
interesses por trás da mídia gorda. Fica evidente também que a televisão
aberta parece ter esquecido que seu espaço é uma concessão pública. Não é
nem coisa do governo, é pública mesmo, do povo.
As obrigações que a
Constituição impõe aos que recebem essas concessões são praticamente
ignoradas. E ainda usam a Constituição como argumento para criticar a
regulamentação, tentando insinuar um excesso de controle. É uma pena que
esse se faça necessário. Não seria, se os donos de canais abertos fossem dispostos a cumprir suas
obrigações constitucionais e usar o espaço que têm para promover cultura,
debate, jornalismo sério. O que recebemos de fato é a chapinha da Fátima
Bernardes, a simpatia gosmenta do William Bonner e os devaneios paranóicos e
superficiais do Arnaldo Jabor. Sinto falta do Paulo Francis, que era um
babaca também, mas pelo menos me fazia rir. O meu medo do governo é outro. É
o medo de que a vitória histórica de um partido de esquerda não tenha
significado absolutamente nada para as diversas lutas do povo brasileiro.
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