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Confira também o
LINK DA SEMANA destacando o Fotolog
Oficial da Banda
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A Volta do De Falla
Texto
e Imagens:
Ricardo Alexandre "Guerrillero"
'A Volta do De Falla' e 'De Falla na formação original' eram as expressões utilizadas pela
mídia,
quando o tema dizia respeito ao show do dia 29.11.2004. De Falla na formação
original. E a primeira polêmica estava instaurada: mas essa seria a formação
inicial da banda? Lancem os seus dados...
O "enigma" acima, entre outras estórias, poderão ser conferidas no
bate-papo com o grupo - o Edu K, Biba Meira (bateria), Flávio
Santos (o Flu, baixista), mais Rafael Crespo - dentre outros projetos, do Planet
Hemp -, pouco antes da passagem de som, no Opinião, Porto Alegre/RS, local do
show que seria logo mais à noite.
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 Melhor
registrar logo. Vai que mudam
de novo... |

(clique nas 2 fotos para ampliá-las)
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Na tarde, pessoas se faziam presentes no
mesmo Opinião, representando alguns sites e revistas, inclusive a fã
número 1, segundo brinca a própria rapaziada da banda, Patty Fang - de SP
especialmente para prestigiar o show do quarteto. Todos curiosos e querendo registrar a mais nova e cortejada mutação.
Nova mutação como modo de dizer, pois curiosamente era a primeira vez que não
mudariam para uma fase inédita, ou seja, a proposta real seria tocar os dois
primeiros discos (1987 e 1988), gravados com o Castor na guitarra, ao invés do
Rafael. Sai de cena o De Falla
soda pop de poucos meses atrás, entra em campo, de novo, com o
time quase completo.
Fazendo parte do projeto Segunda Maluca, a
noite reservava as perspectivas necessárias para "a coisa andar". Tinha esse
retorno histórico e seria ainda o "baile de debutantes" (15 anos) do
Radar, programa da TVE-RS que tem como marca principal o espaço aberto às
bandas independentes, nos finais de tarde gauchescos. Tudo registrado
via-satélite e em bom som, abriram a noite as bandas
Costellethas (RS),
Phonopop (DF) e Groove James (RS).
Ferida, do primeirão de 87, foi a
escolhida para inaugurar o arrasta-pé, que é bem verdade, merecia muito mais pés
do que a quantidade lá presente. Efeito das mutações? Em parte sim, porém se
cumprirem o que falaram na coletiva - tipo, eu voltei, agora pra ficar,
do Roberto -, é impossível 'satanizarem' um dos grupos que influenciaram/influenciam tantas
bandas no Brasil. Rafael, para ser
próximo o exemplo, diz que ver o Castor nos famosos shows do Circo Voador (RJ),
fins dos 80/início dos 90, foi a sua inspiração para começar a tocar guitarra.

(clique nas fotos para ampliá-las)
No repertório, os dois primeiros discos tiveram de ceder espaço para canções do
KINGZOBULLSHIT
BACKINFULLEFFECT 92 (1993),
segundo lançado pela Cogumelo Discos, num momento efervescente do rock feito no
Brasil, no qual quem mandava o recado era a experimentação, e não cavanhaques e
barbas, por ora (e goela adentro) sub-gêneros do Rock. Enfim,
Repelente, The Woke of Jo, I Was
Trying, Não Me Mande Flores (saideira), ao vivo e em cores fazem
barulho bom o suficiente para não se ouvirem reclamações. Tomara que voltem sim,
e pra valer!

(clique nas fotos para ampliá-las)
_ Na seqüência, bate-papo nada virtual com os De Fállicos.
Segue a entrevista...
>>> >>> >>>
>>> >>>
Dissonância - Está havendo uma certa "polêmica"
agora na divulgação desse show, quanto a essa formação ser mesmo a clássica,
original...
Edu K (De Falla) -
Na verdade foi falada formação clássica com participação do Rafael, só que a
galera não entendeu, assim, saiu em alguns lugares dizendo que era formação
clássica e o Rafael como se fosse. Até em São Paulo o pessoal perguntava: "Edu,
vai ser em formação clássica, e não sei o quê...".
Dissonância - Na boa, durante os últimos dias ouvi
palpites com 3 formações diferentes uma da outra.
Edu K (De Falla) -
Não, tem várias, mas a formação original é Carlo (Pianta), Biba (Meira) e eu.
Nós três, essa é a formação realmente original, mas ninguém conheceu muito,
assim.
Foram esses três. Mas, tipo, essa formação, tá, muita gente diz que essa é a
clássica, mas ela foi tri pouco conhecida, ela gravou só o Rock Grande do Sul e
uma demo.
Dissonância - Foi logo quando juntaram as bandas,
tipo, teve a junção do Fluxo com a Urubu Rei?
Edu K (De Falla) -
No Fluxo a Biba tocava bateria, e o Carlo tocava baixo, aí o X, que era o
vocalista da banda, saiu e eu comecei a cantar. Acabou virando o De Falla, nós
três.
Na real eu roubei Biba da Urubu Rei, depois acabei roubando o Castor e o Flávio
também. Quando eu vi o ensaio deles, eu disse, "bah, esses caras são muito foda.
Eu tenho que roubar eles pra mim", e acabei roubando os caras.
Dissonância - O primeiro álbum, De Falla,
foi com... (não deixou terminar, risos)
Edu K (De Falla) -
Foi o Castor, o Flávio e Biba. Aí já é o primeiro, classicão... O primeiro acaba
sendo sempre clássico, aquela coisa de "o primeiro".
Dissonância - Conte um pouco sobre o início do
grupo, essa mutação toda, como é que surgiu...
Edu K (De Falla) -
Isso é uma coisa minha, não tem explicação. Eu sou assim, todo dia eu me
apaixono por uma coisa diferente, daí eu quero traduzir aquilo na música, no
visual, e ai eu sempre fui assim.
Só que isso foi uma coisa que foi crescendo, chegando num ponto que já
era insuportável; tinha tempos que as formações e as fases duravam um mês, no
próximo mês já era outra coisa. Aí eu comecei a dar uma baixada de bola, a gente
passou por uma fase de mais punk rock, pop, atual...
Dissonância - A gente chega nesse assunto daqui a
pouco (risos)...
Edu K (De Falla) - E aí voltamos agora com essa aí.
Mas o início da banda foi o seguinte, tipo, eu cheguei para morar em Porto
Alegre de novo, porque eu sou gaúcho, mas saí daqui cedo, assim, aí fiquei indo
e vindo várias vezes. Numa dessas voltas, que foi mais ou menos em 83 e tal,
tava começando uma cena rock meio forte em Porto Alegre, que era ducaralho.
Era
Urubu Rei, Replicantes, sei lá, tinha várias bandas mais pro lado new wave,
punk, que era aquela cena que estava surgindo, que era uma coisa pós-Blitz,
Titãs, Paralamas, já era mais direcionado para o rock inglês mesmo. E aqui em
Porto Alegre estava começando em torno do Miranda, que é o cara da Trama
(Virtual) hoje em dia, que era do Urubu Rei.
E daí eu conheci o
Miranda numa loja de discos usados, no Centro, que todo mundo
freqüentava. Cheguei lá e vi o disco
One Step Beyond, do Madness, e eu disse, "bah,
tenho que pegar esse disco aí". Quando fui pegar, tinha mais dois caras pra
pegar: um era o (Carlos) Gerbase, o outro era o Miranda, daí nós três nos
conhecemos ao mesmo tempo. Nunca tínhamos nos encontrado; eu falei, "bom, eu vou
comprar o disco porque eu vi primeiro, e se vocês quiserem, vocês gravam
depois". Daí a gente tinha combinado de se encontrar, tal, aí eu fui no ensaio
do Urubu, que era na casa do Miranda, e a Biba tocava no Urubu batera; o Castor,
guitarra, e o Flávio, baixo. Daí eu vi eu vi eles tocando, e "bah, que baita
banda, tenho que tocar com esses caras", e nesse tempo eu tava começando a montar
o Fluxo.
Dissonância -
O Júlio Reny entra em alguma dessas bandas?
Edu K (De Falla) -
Não, não, eu que me escalei pra tocar guitarra na banda do Júlio. Daí, tipo, eu
comecei a conviver com eles - a Biba, o Miranda e tal, daí convidei a Biba para
tocar no Fluxo, que era uma banda que a gente estava montando de novo aqui. Era
bem new wave, Duran Duran, Culture Club, bichices assim, a gente tinha 15 anos,
tocava maquiado, umas roupinhas bem gay, chapeuzinho de marinheiro, e daí a
gente tava precisando de um baixista.
Aí a gente disse, "bah, mas quem poderia ser?". Aí alguém sugeriu
o Carlo Pianta, a gente foi atrás dele e tal. Chegamos pra ele e dissemos: "taí,
cara, você gosta de Duran Duran? Aí ele disse: gosto! Ah, então beleza, então
vem aí".
Ele chegou lá ripongo, assim, com uma pasta, sandália de
couro bem hippie, bata, bolsa de couro. Aí, ele meio cabeludo e a gente pensou:
"caralho, não tem nada a ver". A gente falou "cara, te importa de cortar os
cabelos e usar óculos escuros? Não. Tudo bem". A gente cortou o cabelo dele. Era
Biba na bateria, Carlo no baixo, eu tocava guitarra, e esse meu amigo X
cantando, né? E daí, tipo, virou a Fluxo, a gente começou a tocar, fazer show e
não sei o quê.
Ao mesmo tempo rolava a Urubu. Daí um dia rolou de
a gente, assim, fazer um disco; a gente foi lá e gravou o Rock Grande do Sul,
ainda com o Carlo e a Biba. Depois disso, tipo, a gente se desentendeu; o Carlo
não agüentava mais as minhas loucuras. Eu era um piá demente da cabeça, agora eu
sou um velho demente, mas naquela época eu era um piá, pior ainda.
Aí, "bah, chega dessa banda, vai todo mundo tomar no cu, vai todo mundo se foder.
Tá, então ele saiu da banda há um mês de a gente lançar o disco, não é, Biba?
Biba Meira (De Falla) -
Era, faltava bem pouquinho...
Edu K (De Falla) -
Era tri pouquinho antes de
gravar o primeiro disco, o que acabou acontecendo. Então o cara disse: "tá, não
quero mais tocar" e saiu da banda. "Gente, e agora? O que vamos fazer?
Como é que a gente vai gravar essa porra agora, com o repertório todo pronto?
Aí não sei se a Biba, ou eu: "pô, o Castor e o
Flávio, os dois tocam pra caralho...".
Biba Meira (De Falla) -
Eu sugeri!
Edu K (De Falla) -
Daí, tipo, bah, afudê, afudê, afudê! Convidamos eles e o que aconteceu: a gente
mesclou o repertório que tinha algumas coisas novas, feitas entre eu, o Carlo e
a Biba, algumas coisas do Urubu entraram, tipo, Não Me Mande Flores, que é uma
música clássica nossa, que é do Urubu Rei. Na real, outras coisas a gente fez
novas, e outras coisas vieram de outras bandas, tipo, Miguel e Almas, uma banda
que existia na época.
E daí, engraçado que acabou vindo meio que um destino da banda, a gente também
fazia um monte de coisa assim desde o primeiro disco.
Dissonância -
O segundo parece um pouco com o primeiro...
Edu K (De Falla) -
Mais ou menos. O segundo eu
já tava numa piração que era metade hip hop, metade trash metal. Na real, tipo
assim, esse foi o começo da banda, meio que ao acaso, foi unindo essa banda que
já era o Urubu. Eles três eram da banda, a gente acabou tocando juntos, eu virei
vocalista, porque eu não era, era guitarrista. De guitarrista ruim para
vocalista ruim.
Dissonância -
E aí vocês lançam aquele vinil pela Devil Discos, na seqüência dois pela
Cogumelo...
Edu K (De Falla) -
Aí mudou tudo. O primeiro
(Devil Discos) é trashão total, hardcores, trash...
Dissonância -
Quando o funk metal entra forte em cena?
Edu K (De Falla) -
No primeiro disco tinha algumas pitadas, no segundo era normal. Repelente é
do primeiro, não é? Ou do segundo?
Biba Meira (De Falla) -
Repelente é do segundo.
Edu K (De Falla) -
Então, esses dias eu estava
na internet e 'tavam' dizendo que esse disco é de 88, mas é de 87, né, o segundo?
Biba Meira (De Falla) -
Eu acho que é de 87.
Edu K (De Falla) -
Na verdade, esse disco tem Repelente, que é uma música bem... Na verdade, até o
Miranda me mostrou, assim, um disco do Funkadelic que tinha a música Super
Stupid, que é bem parecida com Repelente, mas eu nunca tinha escutado
Funkadelic até essa época. Aí ele: "olha aqui!". Eu, "bah!". Na real, quem
inventou isso aí foi o George Clinton.
Dissonância -
Mas para o 'Kingzo' (disco de 93, citado no texto acima desta entrevista)
ter saído daquele jeito, vocês já estavam de olho na "tendência"?
Edu K (De Falla) -
Não, hip hop eu sempre curti, desde os primeiros do Public Enemy, dos Beastie
Boys. Quando eu ouvi, fodeu a minha vida.
Kingzo é um disco que
tem tudo: samba com rap, rock indie, heavy metal, hip hop, trash. Kingzo aí são
todos os estilos. E o disco mais mistureba que a gente fez.
Dissonância - Com o Top Hits, qual foi a de você
ter saído? De Falla sem você ficou curioso...
Edu K (De Falla) -
Então, eu fui morar em São Paulo. Eles continuaram, botaram o Tonho Crocco, da
Ultramen, cantando. A Biba já não estava mais, era a Paula que tocava na batera,
e eu em São Paulo, gravando o meu disco solo. Daí, tipo, viajei para os States
em 97, voltei tri a fim de tocar, fazer uns rocks de novo e tal, ai falei: "ah,
de repente vou ligar pros caras, vou fazer uma banda de novo. Convidei os caras,
o Flávio ainda voltou, mas depois ele saiu fora também, e aí começou, entrou
tudo o que era gente de banda, tudo o que era tipo de som.
Dissonância - Então voltaram com aquele esboço
pré-Miami Rock?
Edu K (De Falla) -
Não, antes teve uma fase meio tecno-punk, meio Marilyn Manson. Aí depois veio
esse que você falou, o da Popozuda - Miami Rock 2000.
Dissonância - Depois, com essa última fase, soda
pop, conte como é que foi...
Edu K (De Falla) -
Depois que a gente fez o da Popozuda, fizemos um disco que não saiu, aí a gente
fez o Superstar. E fez o Soda Pop, que também não saiu.
Dissonância - Como você viu a repercussão do
pessoal mais antigo, em relação à última fase?
Edu K (De Falla) -
Ah, o pessoal mais antigo sempre detestou qualquer coisa que tivesse sem a Biba
e sem o Flávio.
Dissonância - Eu particularmente não assimilei...
Edu K (De Falla) -
Eu nunca parei de ouvir música. Não fico só ouvindo Led Zepellin e The Who para
o resto da vida. Fico ouvindo tudo o que rola, música eletrônica, tudo, sempre
foi assim, então me influencio com as coisas que estão rolando. Aí, tipo, nessa
época estava o pop punk californiano, estava tri influenciado por isso e fazendo
esse tipo de som.
Uma coisa que foi legal fazendo isso é que, pra mim, o público rock é de
10 aos 15 anos. Passou dessa idade, fodeu, já é sexagenário. Mas claro, tudo
bem, eu também sou um senhor de idade. Mas o Rock é uma coisa de piá, não é
coisa de gente velha, eu acho.
Biba Meira (De Falla) -
38? Você tem 38?
Edu K (De Falla) -
Não, não, 36. O que você
achou que eu tinha, uns 40?
Biba Meira (De Falla) -
Não, uns 37, 38...
Edu K (De Falla) -
Não, 36. É que é tipo assim: mesmo na época antiga a gente não se preocupava se,
"ah, será que vão gostar?". Fazia o que estava a fim, sempre foi assim.
Dissonância - Você concorda que a última fase foi a
que teve mais um racha com o passado, mesmo na qualidade das mutações?
Edu K (De Falla) -
Quebra com o passado? Não, Popozuda foi bem pior. Muito pior. A galera se chocou
muito.
Dissonância - Eu achava que não era sério, sabia?
Edu K (De Falla) - O
que, a Popozuda?
Dissonância - Não, o estilo soda pop.
Edu K (De Falla) -
Sério não, que Rock não é coisa séria, mas, tipo, eu estava fazendo o que estava
a fim de fazer. Nunca fiz uma coisa tipo "ah, vou zoar". Que nem a Popozuda, os
caras "bah, o cara tá fazendo pra zoar". Mas eu tava curtindo pra caralho o funk
do morro e é isso aí.
Dissonância - Essa volta ficará muito tempo?
Edu K (De Falla) -
Sim, todo mundo tá a fim de ficar, vamos ver o que vai acontecer. Fazer música
nova, tudo.
Dissonância - Já estão pintando contatos para
voltar à ativa?
Edu K (De Falla) -
Sim, pra shows tem bastante coisa. Todo mundo quer ver esse show; a Biba, faz
anos que ninguém vê a Biba tocando, e tá bem legal, a gente ensaiou duas vezes
só e deu pra notar.
Dissonância - Quanto a outra formação?
Edu K (De Falla) -
Não, ali acabou. Eu fiz um disco em fevereiro desse ano e ele não saiu, aí eu
disse "ah, quer saber? Vá tomar no cu. Pra mim, um ano inteiro é tempo demais.
Dissonância - O pessoal ficou na boa?
Edu K (De Falla) -
Ah, não sei. São todos meus camaradas, mas todo mundo sabe como é que é, tipo,
quando se trata de voltar à formação original, até eles vão gostar.
Dissonância -
O Rafael vai ser o substituto do Castor?
Edu K (De Falla) -
Por enquanto sim, pois o Rafael toca em várias bandas, inclusive, é claro, no
Planet (Hemp). O Planet está meio que pra voltar no meio do ano que vem (2005) e
tal. Até lá ele vai tocar, depois a gente vê o que vai acontecer. Provavelmente
a gente vai fazer umas músicas juntos, assim, novas.
Dissonância - Castor volta para participar de algum
show?
Edu K (De Falla) - O
Castor vai participar, normal. Ele vai participar de algumas coisas, algum show
que dê pra trazer ele, pois está morando em Maceió. Ou em algum disco, pois ele
vai sempre ser o nosso mentor espiritual eterno, assim.
Dissonância - Qual a expectativa para essa
noite?
Edu K (De Falla) -
Cara, não sei, tipo, qualquer coisa pode acontecer. sei que o som tá ducaralho,
a gente tocou aí dois dias e tá afudê. Tipo, como eu falei pra Biba, o Rafael é
um cara que chegou agora na jogada, mas nós três - eu, ela e o Flu -, parece que
a gente tocou a última vez juntos, sei lá, há dois meses atrás, sabe? Pelo menos
pra mim foi assim!
É uma idéia divertida
para quem gosta da banda, pois tem música que a gente não toca há muito tempo, e
nós juntos também.
Dissonância - Nesse intervalo a Biba tocou com
alguém?
Biba Meira (De Falla) -
Nossa, eu tive milhares de bandas. Quando eu saí
do De Falla fiquei em São Paulo morando por um ano, fiz Edgard (Scandurra), numa
banda só de mulheres, com a Sandra, das Mercenárias.
Aqui tive a
banda Dolly, toquei com o Carlo - meu ex-marido, toco com o Jimi Joe, e toco
numa banda de sambinha.
Flu (De Falla) - A
Sandra, das Mercenárias? Tu morou em São Paulo?
Biba Meira (De Falla) -
Porra, fiquei uma cara por lá, fui de
mala-e-cuia. Ah, não acredito que você não lembre...
Dissonância - Numa entrevista com o BNegão
publicada no Dissonância, ele despretensiosamente comenta sobre bandas e diz "o
De Falla que influenciou todo mundo", fazendo o destaque perante vocês. Mesmo
com essas mutações todas, como vocês vêem essa importância ao saberem das
inúmeras bandas que mencionam o DF como infuência?
Edu K (De Falla) - O
que acontece é que muitas dessas pessoas eram piás quando a gente ia fazer show
no Rio, São Paulo, e diziam "bah, que afudê!". O próprio Rafael, que está
tocando agora com a gente, falou que viu o nosso show, viu o Castor tocar e "bah,
se esse cara toca Rock, eu também vou tocar!". É um efeito meio que Sex Pistols,
porque na real não era que ele tocava mal, e sim porque ele tocava que nem a
cara dele, mas era afudê ao mesmo tempo.
Flu (De Falla) -
Era barbada! (risos)
Edu K (De Falla) -
Então, tipo, tu vê: "puta, eu também posso tocar, se esse cara faz isso!". Isso
era muito legal e esses caras ficaram marcados por isso. Muitas dessas bandas
vieram do Rio, e lá a gente teve uma época que marcou pra caramba, que foi a
época que o Planet estava começando e que o BNegão também tava na área.
Ficavam no Circo (Voador), era uma onda meio que de Rock com hip hop. A galera
que gosta do De Falla antigo é bem assim, como é que se diz, generosa, porque
depois de todas as viagens, todas as coisas agressivas que a gente fez pra quem
gostava daquele som... Dissonância -
Vão aceitar o retorno também. (risos) É a mulher que trai e é aceita de
volta, né?
Edu K (De Falla) -
Risos. É isso aí. Poderiam dizer "podem tocar as músicas de joelho no milho,
vocês são uns pau no cu", mas não, a galera curtiu tanto aquela época, que
ficou!
Flu (De Falla) -
Teve a primeira fase "da Biba" - os dois da BMG -, que quem via aquela época
nossa, tal, ficava assim, pois era a época do "super pop rock" - Legião,
Paralamas -, e nós éramos completamente diferentes, radical, uma coisa louca.
Então as pessoas tinham a cabeça um pouco mais aberta, queriam coisas diferentes
e nós éramos ícones disso.
Biba Meira (De Falla) -
E as bandas que tocavam naquela época, tipo,
Ira!, Paralamas, Legião, Lobão, eram fãs do De Falla, falavam muito do De Falla.
Dissonância - É por isso que essa volta promete.
Por enquanto vão ter pilha para músicas novas e tal?
Edu K (De Falla) -
Por enquanto não, mas hoje eles até fizeram uma lá no ensaio, mas não dá tempo
ainda. A idéia da banda sempre foi meio de tá zoando, mas é meio que free jazz
também. A Biba dá um chão, mas também pira e nós três vamos à loucura, né?
Negócio, tipo, tem uma estrutura mais ou menos básica, mas dentro do que vai
acontecer pode ser qualquer coisa.
Mesmo o set list de hoje é um pouco assim,
entendeu? A galera que curtia a gente se divertia porque nenhum show era igual a
outro: ou botava hoje o que havia feito um dia antes, ou tocava uma conhecida de
um jeito diferente, uma viagem... Ouvir sempre a mesma coisa enche o saco.
Fora quando a gente
não mudava totalmente de estilo, né? Teve um show no Rio, ah, foi esse que o
Marcelo se revoltou, não foi? Que a gente tava num techno, numa batida meio
techno e os caras disseram: "cara, se vocês não tocarem as músicas como elas
são, nós vamos quebrar vocês, não vão nem descer do palco". Aí tivemos que tocar
as músicas sem a batida.
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Contatos -
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www.defalla.com.br
(em reformulação)
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http://www.fotolog.net/defalla
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