2º. Encontro Nacional de Filatelia e Numismática de Taquara/RS

Evento aconteceu no Clube Comercial e uniu colecionadores do Brasil e exterior


                                    Texto/Imagens
: Ricardo Alexandre + Aline Ebert

  No chuvoso 14 de outubro, teve início o 2º Encontro Nacional de Filatelia e Numismática, em Taquara, Rio Grande do Sul. O evento começava e o primeiro dos três dias (15 e 16 também estavam na programação) não guardou segredo e trouxe uma infinidade de detalhes exposta nos estandes dispostos no Clube Comercial, sede do encontro.

  O colecionismo estava bem representado através de selos, moedas, cartões telefônicos (telecartofilia) e tantos outros itens que não se faziam presente por acaso, mas dentro da proposta da 'turma que coleciona aventuras', antigo slogan dos Correios para atrair e formar novos filatelistas. Povos, países, fauna, flora, pedaços da História exibidos em tons multicoloridos, muitas vezes valiosos monetariamente falando, de modo a justificar o uso da identificação através de câmera logo na entrada - um "mão na cabeça, documento!" contemporâneo. Também estava lá a scripophilia - coleção de certificados provisórios de títulos -, representada pelo João Abib, pedras, broches, comendas, enfim, uma série de objetos que ajudam a recompor a volta que o mundo deu, como diz o novo álbum da Lacertae.


O CLUBE FILATÉLICO E NUMISMÁTICO DE TAQUARA: Ana Lúcia Schweitzer, presidente do clube, falou com o Dissonância um pouco mais sobre o CFNT. Segundo ela, a entidade tem 51 anos,  embora tenha ficado um tempo desativada, voltando a funcionar em 2002; preside o clube desde 2004 e neste período realizou os dois encontros nacionais e junto à agência dos Correios em Taquara trouxeram para a cidade lançamentos oficiais de selos, moedas... Ah, e reúnem-se nos últimos sábados de cada mês.

. CONTATO: www.cfnt.org.br


MOEDAS E DOCUMENTOS: João G. Abib, de Curitiba (PR), esteve presente no 2ª Encontro Nacional de Filatelia e Numismática para levar aos visitantes e compradores moedas e documentos, este segundo, um tipo de coleção não muito explorada. Sobre as moedas, destaque para os "patacões", moedas brasileiras cunhadas sobre outras. "Entre 1809 e 1827, o Brasil não tinha condições de comprar prata para produzir suas próprias moedas e as recunhava sobre outras, compradas de diversos países, como Uruguai, Argentina, França, entre outros", explica Abib. Segundo ele, uma das maiores graças desse tipo de material é descobrir a moeda original, sob a recunhagem. Além disso, os documentos trazidos por ele mostravam notas promissórias assinadas pelo governo de cidades como Niterói ou mesmo referente à construção da ferrovia Madeira-Mamoré.

. CONTATO: moedas@onda.com.br

                
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CARTÕES DE TELEFONE PÚBLICO E CELULAR: Lianah Barroz, junto ao seu filho, também compareceu com um estande. Os dois são colecionadores de cartões de telefone público e celular. Na grande mesa que exibia os cartões à venda, também constavam algumas coleções, como da seleção brasileira de futebol, Ayrton Senna, cidades brasileiras, animais, entre inúmeros outros. Adoradora, principalmente, de cartões que trazem imagens de cães, dos quais tem cerca de 300, Lianah mostra sua insatisfação com a produção atual de cartões: "Hoje vulgarizaram a produção, diminuindo o espaço para as imagens nos cartões e, em alguns casos, só colocando a quantidade de créditos ou um grande nome da empresa telefônica".

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CONTATO: Caixa Postal - 52
                   CEP: 95600-000
                   Taquara (RS)


ESTAMPAS EUCALOL: Um sabonete surgido no ano de 1930 trazia consigo pequenos cartões colecionáveis. Dividido por temas, como escotismo, artistas de cinema, Olimpíadas, uniformes militares, lendas, danças do mundo, entre inúmeras outras, foi até o ano de 1957, com cerca de 339 séries de cartões. Nesse mesmo ano em que acaba a produção, Edison Correa, natural de    Florianópolis

(SC), iniciava sua coleção dessas estampas. As cartinhas lembram as de baralho e tem em si uma beleza literalmente colecionável. A coleção completa de Edison fica em casa, mas ele tem um grande acervo para comercialização, inclusive presenteando o Dissonância com um na ocasião. Uma das coisas legais também, é que ele desenvolveu um álbum, semelhante ao que a empresa vendia na época, para organização da coleção. O álbum também é comercializado.

 Em cada expositório, mais exclamações surgiam, ou de que maneira seria possível 'viajar o mundo inteiro nas Estampas Eucalol', como diz um cantador baiano? Com jeitão de cartas de baralho, foram trazidas pelo seu Edison Correa, de Santa Catarina, dono de uma farta coleção desses simpaticíssimos pedaços de papel pertencentes a um tempo em que os sabonetes (isso mesmo!) davam um banho de informação em muito produto de hoje. Ídolos do cinema, costumes de cada estado brasileiro, homenagem a personalidades da História, um tipo de publicidade que, de certa forma, 'dividia o lucro' com o consumidor.

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CONTATO: ademar.goeldner@ig.com.br (A/C - Edison Correa)



CARTÕES POSTAIS: Ademar Goeldner, natural de Florianópolis (SC), guarda consigo a adoração pela coleção de cartões-postais. Será que seja por ele morar numa cidade tão bonita e turística? "Isso tem a ver, pois a maior parte da minha coleção é com cartões de Floripa. Mas para comercialização, tenho muitos outros também".

  Ademar afirma que colecionar está no sangue e que pode ser visto como uma forma de boa conduta, educação, de fazer amizades. O fato da crescente utilização da internet para trocar mensagens também é apontado por ele como um ponto de perda de prestígio dos cartões postais. "Outra coisa que também acontece é que as pessoas estão perdendo o costume de enviar um cartão-postal aberto, só com escritos, selo e endereço de destino. Muitos seguem dentro de envelopes...", reflete. Ademar conta que costuma enviar cartões pelo correio e deixa o recado sobre o ato interessante que é a troca dessas "pequenas lembranças" significa.

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CONTATO: ademar.goeldner@ig.com.br


SELOS, CÉDULAS E MOEDAS: o Luiz Rebelo é colecionador desde os 10 anos de idade, em 94 deu uma parada, mas não agüentou a distância, recomeçando o hábito (e ofício!) agora em 2005. Comentou sobre o ato de colecionar com propriedade: "Existe integração entre pessoas, estados, países, o principal realmente é o intercâmbio'.

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CONTATO: Rua Riachuelo, 1432
                   Porto Alegre/RS
                   Fone: (51) 3226-2076



SELOS, NOTAS, MOEDAS E OUTROS OBJETOS VINDOS DO IRÃ:
o Vahid é multicolecionista. Sempre afirmando que não levanta 'bandeira de ninguém', comentou que o colecionismo proporciona 'um retorno de felicidade'. Era um dos novatos do encontro, o que não quer dizer que o conteúdo fosse de iniciante: adornos, pedras vindas do Irã e arredores, comendas do exército afegão à época da invasão soviética, cédulas iranianas e geralmente com a temática Aiatolá Khomeini, selos - inclusive os impressos no período da revolução islâmica de 1979 -, moedas, posters, a Pérsia bem na ponta do nariz e exibindo a sua grandiosidade. O papo foi longe...

CONTATO: hosseinikhah2002@yahoo.com

                


AGÊNCIA DOS CORREIOS DE TAQUARA: Presente na ocasião para conversar com os visitantes um pouco sobre a produção de selos dos Correios, a Agência também produzia selos personalizados com o desenho ou foto que a pessoa quisesse. "Esse é um novo serviço oferecido pelos Correios desde 2004. A idéia nasceu na Austrália. A pessoa tem que solicitar no mínimo uma cartela, que custa R$ 12", conta uma das funcionárias presentes. No dia seguinte, também foi lançado um selo oficial do evento, que trazia uma imagem em comemoração ao Dia do Professor. Outra curiosidade foi a explicação sobre a solicitação, que qualquer pessoa pode fazer, de um selo comemorativo. A idéia deve ser enviada sempre até 1º de junho do ano anterior ao da emissão solicitada, anexando a justificativa do pedido, que será analisada e julgada pela comissão filatélica nacional.

  Além de ser um dos protagonistas do evento, os selos sempre despertam a curiosidade do público, e não custa contar a investida do Correios no Clube Comercial, que tinha ainda um espaço reservado para informações gerais sobre filatelia: calma, não é mais uma denúncia da CPI do Correios... Um serviço de impressão acessível à população, que pode ter literalmente a cara estampada no selo, para ser específico, com um simples arquivo .jpg, por exemplo. O material é produzido na hora e é bom lembrar que os doze selos autorais vêm acompanhados de outros doze, os originais da ECT, que garantem a chance de postar o selo customizado no envelope de uma correspondência. Tipo, pague doze, leve vinte e quatro.

. Mais informações nos endereços:
    
 
+ http://www.correios.com.br/selos/prod_filatelicos/prod_filatelicos.cfm

   +  filatelico@correios.com.br


 

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