Quatro músicas estão disponíveis logo abaixo, são elas:

 Esclavos

 El Sol (Inti Raimi)

 Guerrilla de Palabras

 La Fuerza

 

 

 


               Na cadência bonita da guerrilha de palavras...


                                                         Por Ricardo Alexandre 'Guerrillero'
                                                                          Imagens: Divulgação

 

  Sonidos de la Guerrilla. Assim é chamado o novo disco da Word's Guerrilla, de Aracaju, lançado no esquema  independente e sucessor de La Fuerza, o primogênito. Para quem não conhece o grupo, Sílvio Campos (guitarra e voz), também vocalista da clássica Karne Krua, juntou-se em 1996 ao Miguel (bateria) e Jamesson (baixo), e desde lá lançaram esses dois trabalhos inseridos no escasso rol de visibilidade para as bandas com letras políticas de calibre pesado. Repetição e  conformismo fruto dos tempos neoliberais, que legou ao universo do Rock do final dos anos 90 para cá o new metal (que descansa em paz) e o hard core Rick&Renneriano, unha-preta e boné de caminhoneiro.

  Em tempos de 'imagem é tudo', é imensa a alegria em saber e poder ter acompanhado cada passo desse álbum, inclusive em estúdio, cuja criação foi de 2002 a 2005. Com o selo do Inmetro que é a procedência de Sílvio e companhia, Sonidos teve o Samuel como responsável pelas baquetas e traz 18 músicas, sendo que 3 são bônus - La Fuerza (o hit!) e Seqüestro (ambas do primeiro disco), e Carniza, inédita. São quase quarenta e cinco minutos de guerrilha com palavras, num som que refresca a memória perante os güeros do Brujeria, embora existam preciosidades que as diferenciem, como El Sol (Inti Raimi) e Esperanza Muerta, a primeira garantindo a influência de Dick Dale, enquanto a segunda faz do bolero a trilha perfeita para um lamento existencial de letra curta, mas tão potente quanto um gancho (upper) que faz o oponente beijar a lona.           

  De quebra, o trio de latinidades distorcidas mantém o 'tudo pelo social' em faixas do porte de Sin Tierra, Diversão, Guerrilla de Palabras, Gobierno de Mierda, La Máquina, Esclavos e Pain, esta uma exceção nas letras, que oscilam entre as línguas portuguesa e hispânica e, por que não, do portunhol, que sempre quebra um galho para quem não compreende os idiomas da terra de Roberto Leal e do Julio Iglesias, respectivamente. Seguindo a premissa de que som e talento não são medidos ou encontrados apenas num site pós-moderno, tocar nos maiores festivais independentes ou pela evidência nos textos dos pretensos intelectuais da música, Sonidos de la Guerrilla é imprescindível para quem curte barulhos bons e não se contenta em 'chorar pelo sucrilho que estragou', já disse o Marcelo Nova.  No mínimo, um analgésico ante a ressaca de mensalões, discursos não cumpridos, imperialismo, grampos telefônicos e caras-de-pau que infestam os rumos das políticas sociais (?) brasileira e mundial.  E na música também, por que não? "A sorte está lançada, face globalizada, geração carente de pátria e união"...


  Na seqüência, papo com Sílvio Campos e na pauta, a história do grupo, opiniões e muitos sonidos no front.


 
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Dissonância - A Word's Guerrilla lança o 2.º álbum depois de certo tempo sem gravar. Sabendo que você há quase duas décadas está à frente de uma das mais importantes bandas de punk/hc do país - Karne Krua -, de onde nasce a Word's, nessa proposta de trio com latinidades distorcidas?

Sílvio Campos (Word's Guerrilla) - Bom, acho que todo mundo que toca em alguma banda tem influências e às vezes gostos muito variados, esse é o meu caso - escutar variadas vertentes de música deu-me a capacidade de criar e compor trabalhos (letras e músicas) bem diferentes, ou melhor dizendo, com sua própria cara. A latinidade distorcida da WG é uma característica dela vendo o desenrolar da WG. Percebi no meio do caminho que esse era o gancho para a mesma tomar cara própria e diferente da Karne Krua, já que as pessoas ligam muito uma banda a outra. A Word's não é um  projeto, é uma banda com história e objetivos.
   

  Nós começamos em 96, eu e o Miguel (primeiro baterista da Word's) tínhamos terminado o ciclo da banda A Casca Grossa. Eu então parti para fazer algo que não tivesse conteúdo político, algo Rock sujo e despojado com influências de Stooges, Cramps, etc... Com a entrada dos outros componentes, a banda tomou outro rumo: o nome, que seria Happy Birthday, deu lugar para um termo encontrado num release em inglês da Karne Krua - Word's Guerrilla ou Guerrilha da Palavra - e isso foi uma luva e daí a banda não mais parou.                 

                            
                            Em ordem: Samuel, Sílvio e Jamesson 

                                             
Dissonância - Nesse intervalo de pouco mais de 5 anos sem um novo registro, mas presente nos 'gigs da vida', o que foi acrescido ao ponto-de-vista das letras, músicas e na percepção da banda ante as imperfeições sociais?

Sílvio Campos (Word's Guerrilla) -
A banda parou alguns meses depois da saída de Miguel - três, eu acho - e logo depois o Jamesson conheceu o Samuel, que tocou com ele e resolveu convidá-lo a participar da banda. Voltamos com muita força e composições novas, fazendo assim um outro capítulo da banda que desembocou no "Sonidos de la Guerrilla".

  Nesse tempo, por incrível que pareça, a banda ficou mais politizada, seus temas continuam diversificados, mas sempre voltamos para o ponto político-social, 'me  gusta hablar de temas diferentes' como em 'La Maquina'. Nossa música após 'Sonidos' está sendo modificada, agora entrou um novo guitarrista, iremos usar alguns arranjos percussivos e a banda, no geral, está mais pesada, tudo isso sem perder a latinidade.
 
Dissonância - "Sonidos de la Guerrilla" saiu totalmente independente, o que por si só garante papos como "disco gravado há um tempo", e muito depois, finalmente sai. A grana acaba sendo curta, pois subsídios são sempre raros e insuficientes. Com o disco em mãos, fica visível o capricho na concepção visual, incluindo até trabalhos do Jamson Madureira, artista sergipano com importantes participações no underground nacional.

                   
                         Ilustração do encarte no traço do Madureira


Sílvio Campos (Word's Guerrilla) -
Correto, visualisamos outras artes que eram muito boas, mas em um momento do processo pensei em simplificar tudo, fazer o preto-e-branco, a coisa panfletária e que isso tivesse uma ligação direta com a sonoridade do cd, a música funcionando com a arte gráfica, foi a influência dos fanzines. O Madureira é inspiração para a banda, embora esse trabalho também tenha a mão do ex-Karne Krua Marcelo Gaspar, que sempre faz coisas muito boas.

Dissonância - De que forma vocês irão explorar a divulgação do 'Sonidos'? Ainda que recém-saído, qual a receptividade em torno dele, quer aí em Sergipe, quer em outros estados?

Sílvio Campos (Word's Guerrilla) - A divulgação é sempre difícil, mas ela vai acontecendo via zines, revistas, sites... Nós temos conquistado um espaço local, estamos fazendo nossa história e isso é conquistado aos poucos.

  Nós gravamos 'Sonidos' ao vivo, em 3 ou 4 sessões, foi muito rápido e os bônus fazem parte da história e servem como divulgação mais ainda do primeiro cd e 2 deles foram significativos na história da banda, com o detalhe de serem em espanhol.

Dissonância - Na nossa última entrevista, em 2002, o tema partia do lançamento de "Em Carne Viva", disco oficial da KK, e perguntei a sua opinião sobre as novas bandas de punk/hc nacionais. Agora, como em qualquer outra oportunidade, aproveito para saber a sua opinião, se há coisas interessantes acontecendo ou os dois estilos, a grosso modo, continuam açucarados, numa versão com guitarras e letras à la Gian & Giovani?

Sílvio Campos (Word's Guerrilla) - Isso é moda, é um caminho escroto que querem dar ao estilo. Tem muita gente que conhece a música punk tendo como referências bandas como CPM 22, Charlie Brown Jr e pronto... Não sou contra essas bandas, mas muito menos a favor. A garotada tá manipulada dentro dos seus quartos, ap's, computadores e MTV's; conhecer outras coisas é importante, há garotos que amam Pitty, mas desconhece e nem se interessam um pouquinho em saber o que é Inkoma (antiga banda da roqueira baiana), "entende" (já dizia o Pelé!).

  Tem coisas novas boas e a maioria fundamentada na escola antiga; isso é muito mais verdadeiro. Por aqui, posso indicar Da Boca ao Reto, grind doentio com muita técnica e elementos diferentes; Rockassetes, que faz um som doce com influências de Beatles... E coisas sessentistas, dentro do contexto que eles escolheram, o fazem com competência. A Máquina Blues, única no cenário local voltada ao blues, tem a Sign of Hate, death metal estupidamente brutal e não aconselhável para certos ouvidos, tem a Plástico Lunar, que vai pela influências variadas de Beatles, The Who, Hendrix e Mutantes. Não poderia esquecer, em nível nacional, Thee Butcher's Orchestra, Cachorro Grande e Retrofoguetes.

Dissonância - Considerações finais...

Sílvio Campos (Word's Guerrilla) - Eu quero deixar claro que a WG é uma banda como outra qualquer, não somos, melhor nem pior. Se optamos por temas cantados em espanhol, é um direito nosso assim como centenas e centenas de bandas cantam no idioma inglês; nós temos o direito de cantar nossas músicas como quisermos e por aí vai. Valeu, abraço.

* Contatos:   A/C - Sílvio Campos
                     Rua Santa Luzia, 151
                     Centro - Aracaju/SE
                     49010-310

                      _______________________________
 

                                        Zine Itinerante

  Sete pessoas em quatro estados diferentes (SP, MG, RJ e RS) juntaram-se para compor o Zine Itinerante. Em formato de bolso, o material criado e organizado pela Aline Ebert contém 16 páginas - duas para cada participante - e vem recheado de poesias, poemas, contos, imagens...  A curiosidade é a maneira pela qual foi feita o coletivo: em alguns meses girou pelo país com a confiança divina depositada ao serviço de carta registrada, dos Correios.   

  Sã e salva, a publicação atualmente é fotocopiada e distribuída através de troca por outros zines ou gratuitamente, para quem não tem a mesma moeda de recortes e colagens.
                  

* Para adquirir o seu exemplar e/ou saber mais sobre o Itinerante:

                    antidotopb@gmail.com
(Kari);

                    terpi@click21.com.br (Peter Strauss);

                    guerrillero@zipmail.com.br
(Ricardo Alexandre);

                    maridematos@hotmail.com
 
(Mariana de Matos);

                    mobozine@yahoo.com.br
(André Heck),

                    aline@ninaflores.net
(Aline Ebert).



 
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