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Os meus melhores do ano
Por
Fernando Paiva
Imagens - Reprodução
Aqui não tem prêmio em
dinheiro, nem troféu. Nem mesmo notoriedade, pois essa coluna tem mais ou
menos meia dúzia de (dedicados!) leitores. Os meus melhores do ano,
portanto, terão que se contentar com minha eterna gratidão por terem feito
de mim uma pessoa mais feliz em 2005. Chega de suspense, aqui vai a lista
dos escolhidos:
Melhores álbums:
“Onda híbrida ressonante” do Cérebro Eletrônico – Esse é o primeiro cd da
banda “séria” do Tatá Aeroplano, que toca também no Jumbo Elektro.
Indie-tropicalismo-eletrônico é como eu chamo o som feito pelos paulistas do
Cérebro Eletrônico. Além da beleza dos arranjos, as letras são excelentes.
Destaque para a música “Dê”, que consegue inserir palavras à primeira vista
vulgares como “sacanagem”, “sarro” e “esperma” de maneira carinhosa e
poética em versos apaixonados. Isso não é para qualquer um, não. Aliás, é
raríssimo encontrar bandas que fazem boa música e têm boas letras ao mesmo
tempo. Cérebro Eletrônico está entre as poucas que conseguiram fazer essa
combinação esse ano.
“Idem” dos Móveis Colônias de Acaju – O primeiro cd da banda brasiliense é
uma obra-prima em matéria de arranjos de sopro. Com um poderoso naipe de
metais, uma cozinha de primeira e um cantor super carismático e afinado,
Móveis fizeram uma estréia “oficial” excelente. Em alguns momentos lembra
Los Hermanos, em outros Jorge Ben e Tim Maia, mas a banda consegue ter
autenticidade. Os arranjos são sofisticados e complexos, o que permite
escutar o disco muitas e muitas vezes sem enjoar. Destaque para a música
“Copacabana”, com seu refrão de melodia grudenta e uma volta a la russa, com
direito a violino choroso. Outro ponto positivo para os garotos: eles são
inteligentes e corajosos o suficiente para enganar a imprensa inteira com
uma história fictícia a respeito da origem do nome da banda. Contam que
seria uma homenagem a uma suposta “revolta do acaju”, que teria ocorrido no
nordeste brasileiro, num violento enfrentamento entre portugueses, nativos e
invasores holandeses, resultando na queima dos móveis coloniais fabricados
na região. Tudo mentira. Mas eles contam com tamanha seriedade que todos os
grandes jornais publicaram a história achando ser verdade. Admiro esses
caras!
Melhores álbuns internacional:
"Broken
Social Scene" do Broken Social Scene – O coletivo canadense cujo número de
integrantes cresce disco após disco (nesse último são 17) produziu mais uma
obra-prima. O terceiro álbum deles, lançado em outubro passado, é magnífico.
O cuidado meticuloso na escolha dos timbres de vozes, guitarras e bateria é
de tirar o chapéu. O incrível é que BSS consegue ser experimental e pop ao
mesmo tempo. Eles poderiam ser classificados como uma banda de indie rock,
mas fazem algo novo, apontam para novas vertentes, com influências de música
eletrônica e sons estrangeiros, como a bossa nova. Para mim, é a melhor
banda em atividade no momento no mundo. Por sinal, “You forgot it in
people”, o segundo álbum da banda, foi o melhor disco que escutei no ano
passado. Eles são bicampeões no meu coração.
Promessas para 2006:
Fanfarra Paradiso – Banda de ska-jazz carioca que fez seu debut nos palcos
este ano. São nove figuras, incluindo um naipe de metais com fôlego
suficiente para soprar melodias deliciosas e arranjos sofisticados por horas
e horas. O primeiro disco da Fanfarra sai ano que vem. Shockbrou,
trompetista da “Luisa mandou um beijo”, toca com essa turma, mas entre eles
atende pela alcunha de “Daniel Paiva”.
Filme - Talvez seja precipitado apontar o Filme como uma promessa para 2006
depois de ter ouvido apenas duas músicas deles. Mas a canção “Naufrágio” me
impressionou bastante. Parece um Mutantes mais calminho, com melodias
deliciosas de flauta, guitarras psicodélicas e uns backing vocals femininos
non sense pra lá de simpáticos. E letras boas, como não poderia deixar de
ter uma banda que traz entre seus integrantes ex-componentes da extinta e
genial banda Vibrosensores, como Simplício Neto e Augusto Malbouisson. Só
por isso já vale a atenção.
Os outros – Banda carioca formada por poetas que freqüentam o Cep 20000,
como Botika. As letras são boas, o som é contagiante e o show é incrível,
pois Botika interpreta com emoção genuína as letras. Sua postura lembra
aquela do Thom Yorke, vocalista do Radiohead: devagar, olhos fechados, num
ritmo distinto do resto da banda, mas sincero e carismático. O primeiro
disco está para sair a qualquer momento
Melhores shows:
Jumbo Elektro – O Jumbo é um daqueles raros casos de banda cujo show é
melhor que o cd. Seus integrantes encarnam personagens e atuam o tempo
inteiro. É teatral. Você ri de orelha a orelha com as letras estilo
“embromation” e com as interpretações dos rapazes. O vocalista Frito Sampler
(codinome de Tatá Aeroplano, o mesmo do “Cérebro Eletrônico”) parece que
está numa aula de aeróbica: não pára um segundo de pular. É um show para
dias felizes.
Móveis Colonias de Acaju – Os nove integrantes da banda são extremamente
empolgados e dançam o tempo inteiro. Os microfones sem fio utilizados pelo
naipe de metais facilitam as coisas: os músicos se movimentam pela platéia,
fazem coreografias etc. André, o vocalista, é simpático e sabe entreter o
público nos intervalos das músicas. A melhor parte é quando eles montam uma
roda de dança “típica do leste europeu” junto com o público, ao tocarem a
música “Copacabana”. Na breve passagem que fizeram pelo Rio de Janeiro no
fim deste ano, Móveis conquistaram uma vasta legião de fãs, sendo que muitos
deles não haviam escutado o cd ainda.
OBS.: Minha lista de melhores do ano foi escolhida dentre tudo o que escutei
de novo em 2005. Obviamente, não pude conhecer tudo o que foi lançado este
ano, mas ouvi bastante coisa. De qualquer forma, é bem provável que deixei
de conhecer coisas boas. Então, sugestões de novas audições são bem vindas!
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