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13/07/2003 |
Fã-Clube + Tributo ao Odair + Passado Presente
Imagens:
Ricardo A. + Divulgação
Se há quase um ano eu e o Mateus Rocha
estivemos com o Odair José
falando sobre vários assuntos em torno da sua carreira musical,
agora, num segundo momento, o músico volta à pauta graças ao novo álbum -
Passado Presente (Gema Gravadora) - e ao fã-clube oficial 'Assim Sou Eu',
sem esquecer do disco-tributo com artistas conhecidos e outros ainda nem tanto, que está sendo produzido.
Fã-clube e tributo vêm no formato de entrevista, representados por Milton dos
Santos e Sandro Belo, nessa ordem; o novo trabalho fonográfico também ganha
destaque e algumas considerações.
Quem curte causos do mundo da música ou esqueceu o preconceito no
bolso do terno, pode puxar a cadeira. "Deixe essa vergonha de lado, pois
nada disso tem valor"...
___________________________________
Entrevista com o Fã-Clube 'Assim Sou Eu'
Estórias e
trabalhos do fã-clube criado pelo Milton dos Santos
Rolos de papel com um milhão de vezes a inscrição "Eu
te amo", coleção de fios de cabelo arrancados a próprio punho, lenço atirado
em show. Nenhuma
destas esquisitices comuns aos fã-clubes fazem sentido com o "Assim Sou Eu",
exceto as habituais coleções de discos completas, o autógrafo no pôster,
imagens e sons raros...
De
Cachoeirinha/RS, o Seu Milton disponibiliza para a comunidade virtual o QG
(e único site!) do Odair José na internet - inúmeras fotografias, novidades
sobre o cantor, como agenda, discos recentes, livros,
ou até mesmo shows... A matéria que fizemos ano passado, eu e o Mateus, por
exemplo, foi viabilizada através de e-mails trocados com o fã-clube, este que
ainda desenvolve um programa semanal numa AM da região.
Os
contatos trouxeram curiosidades e marcamos uma "acareação" memorável, pelas
pessoas e por presenciar um pedaço da música popular conservado para a
posteridade. A tão importante memória, dificilmente lembrada no tal
corre-corre pela sobrevivência.
E por falar em memória, para que não fugisse da minha e compartilhasse com
os visitantes do site, registrei uma parte do que vi. Irresistível ver
aquele colorido passar à frente e ficar no "Valeu, abraço, prazer em conhecer vocês
do fã-clube"; como os itens exibidos literalmente tinham "dono", as
fotografias tornaram-se souvenirs de uma tarde bem musical.
>>>
Dissonância
Quando foi que o Seu Milton conheceu o som do Odair José?
Milton dos Santos Ah, foi pelos anos setenta - 70 ou 72 -, por ali assim.
Acho que 70 mesmo. Era um período de transição, pois a Jovem Guarda termina em 69, e na época
o público confundia muito com os cantores que estavam surgindo: o Reginaldo Rossi, o
Odair José, Sidney Magal...
O Odair no pós-Jovem Guarda foi um dos
primeiros. Até achavam, às vezes, que era o Roberto Carlos que cantava; uma
época em que ninguém se antenava sobre isso. Depois, acho que em 72, conheci
melhor o Odair José, com o disco Assim Sou Eu, que eu acho que foi
um dos melhores até hoje, no sentido musical e nas letras, mais poesias.
Na minha opinião, é o melhor disco a partir de 72, quando ele sai da CBS e
vai para a Phonogram. Acho que foi o melhor mesmo.

Dissonância Digamos que se a fase de 72 foi a melhor, que momento o
senhor separaria como um dos piores e menos inspirados na carreira do Odair?
Milton dos
Santos
Aquele período da Emi-Odeon,
que vai de 83 a 88, e que ele mesmo admitiu que as músicas não eram ruins,
mas era ele que não estava disposto a trabalhar, a estar viajando... O
pessoal procurava ele para entrevista, mas ele tinha abandonado a mídia, cansou, embora não tenha
tornado público os
motivos de ter feito isso.
Se nos
colocarmos na posição do artista, um dia fica chato toda hora ser assediado. Ele não queria sair pra
rua, não queria sair pra cantar, e quando o cara não quer...
Dissonância Agora ele resolveu voltar.
Milton dos
Santos
Sim, agora ele resolveu voltar; a gente deu um incentivo pra ele, no ano 2000, quando comecei
com o fã-clube, e a partir disso
ele começou a reaparecer.

 
Dissonância
O recomeço parte daí?
Milton dos Santos
Na realidade ele
nunca parou, mas essa é uma nova fase, com toda certeza. Outra coisa que ajudou
muito na reaparição do Odair José foi o livro do Paulo César Araújo (Eu Não
Sou Cachorro, Não), que também
chamou muito a atenção da mídia, deu um grande incentivo para o Odair.
Dissonância Esse livro trouxe todos aqueles músicos que apareceram, basicamente, depois
da Jovem Guarda, gerando uma redescoberta em torno do trabalho desse
pessoal, e ainda esteve em vários lugares na tv, não?
Milton dos
Santos
Sim, no Jô, na Marília Gabriela, no Fantástico e o
público foi buscando o trabalho deles de novo.
Eu tenho a minha idéia igual à do Paulo César Araújo: "Pô, os caras eram um
sucesso antigamente, de repente, ninguém fala mais nada, falam até de outros como o Márcio Greyck, Gilliard, Fernando Mendes,
Lindomar Castilho... Os caras eram Caetano Veloso,
Gilberto Gil, porra, esses caras não vendiam disco, não eram tocados, era um público pequenininho. Tudo
bem, no entanto, hoje as pessoas têm na cabeça que não, era o Caetano Veloso,
que era o Gilberto Gil, e não era nada disso.
Dissonância O termo 'brega' é um dos vilões,
concorda?
Milton dos
Santos
Começou por esse negócio de brega. Foram deixando os
artistas brega, porque eles entendiam que deveria ser assim. Achavam ruim
por estar na cultura popular.
Isso
foi criado pelo Carlos Imperial, segundo os estudiosos... Não sei o
benefício que se teve, mas foi ele o autor do "brega e chique". Chamavam
aqueles cantores populares de "brega" e pronto, pegou aqui no Brasil. A
imprensa não desprezou, mas quando entra no assunto é pra dizer que é brega,
pode notar. Tem música do Frank Sinatra que, se for traduzida, verá que
poderia ser brega também, então não tenho essa de chique ou de brega.
Gosto do Odair José, e quando digo que gosto, é botar uma música e gostar.
Não importa mais nada...
Em
2002, fizeram uma comemoração "da pílula", ninguém citou o nome dele, que foi
o cara que mais divulgou a pílula. O Dia das Empregadas Domésticas existe por
causa daquela música, "Deixe Essa Vergonha de Lado". O então deputado, Miro
Teixeira, fez uma reunião com o Odair sobre essa música, no entanto, ninguém
fala nada.
 
Dissonância Como o fã-clube entrou em
cena?
Milton dos
Santos
Foi em 2000. Eu era admirador e estava procurando
dois discos dele. Eu tinha todos os seus discos, mas um dia contratei um pessoal para serviços na minha casa, e os caras levaram
três ou quatro.
Aí comecei a correr atrás dos faltantes e pensando: "Pô, como vou conseguir esses
discos agora?". Tive um tempo adoentado e por casa, daí meus filhos começaram a procurar pra mim,
indo nas casas de disco...
Mas aparece um cidadão que tinha uma loja de discos antigos; encontrei com
ele uma vez num show do Odair, e me propôs falar com o próprio. Me passou um número de telefone que seria o da casa da mãe do
Odair. Em seguida, o contato se estendeu para o irmão dele, o Donizeti, jornalista, músico...
Fomos
começando uma amizade e surgiu a
idéia do fã-clube. Expus ao Donizeti e ele ficou de levá-la até o
Odair. Chegou ao conhecimento dele, que falou: "Não, não, deixa eu falar com o
homem lá". Começou tudo.
Não é aquele fã-clube de aplaudir, de gritarias, não, é um negócio meio
jornalístico, tu podes olhar o site e tem várias informações, não sendo uma
obra só minha, mas com grande contribuição do Donizeti.
Dissonância O senhor tem todos os discos? Qual seria a moedinha número 1
do "Assim Sou Eu"?
Milton dos
Santos
Tenho todos, todos,
todos... Dele temos todos.
Temos o 1º dele, que é raro; o primeiro compacto; reportagens temos
bastante. Raridade é difícil de afirmar, pois eu tenho e não sei se você ou
outra pessoa tem, mas os de 70 e 71 são os mais.
Dissonância Vi que tem o disco
argentino...
Milton dos
Santos
É, para nós foi o mais difícil,
porque foi lançado somente na Argentina. O do Ney Matogrosso cantando uma
música dele também foi. O Banana Split, banda que tinha o Moisés, o Donizeti (irmão dele), então se você
olhar o lp, quase todas as músicas são do Odair José. Depois, um foi
para a Alemanha, outro não quis mais, acabou-se o grupo. Quando esteve aqui,
Odair quis levar esse Banana Split e eu falava "Não, não vai levar"
(risos).
Dissonância Na prática, como funciona o fã-clube,
pois geralmente é aquela coisa de menina, 50 metros de papel e neles
escritos "eu te amo" um milhão de vezes?
Milton dos
Santos
É mais comercial,
jornalístico. Todo dia vem e-mail, pessoas querendo comprar discos, fazer
perguntas, letras de músicas... O meio para entrar em contato com ele é quase que somente através de
nós.
Em
quatro anos, fizemos um bocado de coisas. A primeira idéia foi montar um
jornalzinho, mas não chegou a sair. Tem o problema do preço, né, e ainda
enviar para todo o Brasil, custo com os Correios... Montamos o site, que
veio para chegar a mais pessoas, e claro, por ser mais econômico.
Daqui
foi reportagem para o Fantástico, o Jovens Tardes, Ratinho...
Dissonância Fiquei sabendo de um programa
numa rádio AM, tem a ver com o fã-clube?
Milton dos
Santos
Sim, esse programa é produzido por nós.
É na Rádio Real - 540 AM (Canoas/RS) e apresentado por Mister Gal.
Dissonância O acervo musical também?
Milton dos
Santos
Tudo, tudo. O
programa está no ar há 3 anos, é semanal e o locutor só tem que dizer o que
está escrito; sai tudo prontinho já em cd. São 40 minutos de programa...
Odair fez a comemoração do terceiro aniversário lá!
Dissonância Deu algum toque ao vivo no
programa?
Milton dos
Santos
Sim, quando vem aqui ou mesmo por telefone. Tem um
quadro que é "Vozes Que Cantam o Odair José", então sempre ponho um
cantor
interpretando músicas dele. Às vezes, acontece alguma coisa extra e
colocamos "Morreu Tony Damito"; homenageamos com uma música.
Dissonância Pensam em disponibilizar
arquivos de mp3 no site?
Milton dos
Santos
Não. Nós não queremos criar um caso com as editoras.
Pode soar mal, achar que copiamos e vendemos discos a partir de mp3, então
nem tenho interesse nisso. O Odair tem uma idéia de fazer isso, mas está
vendo uma possibilidade legal para vender as músicas em mp3.
Dissonância Acha que alguém esteja
equiparado a ele na música brasileira
recente?
Milton dos
Santos
Ele é único. Ele
canta o que ele sente. Existe o Amado Batista,
que muitos dizem parecer com o Odair, mas acho bem diferente; a intenção da
gravadora na época era realmente lançar o Amado para concorrer com o Odair.
Depois o Amado Batista cresceu, entrou com "A Sala de Cirurgia",
"Amor Perfeito" é o
nome da música. Nesse momento, Odair havia largado a música popular, para entrar no Rock de "O Filho de José e
Maria".
O que
ele canta é puro, é ele.
* Contatos:
www.odairjose.com
___________________________________
Independentes (alguns nem tanto) num tributo ao Odair
Sandro Belo (Allegro Discos) fala mais sobre material
inédito ainda em 2005
E não é que o mesmo fã-clube me manda um
informativo e nele a notícia sobre um tributo que está sendo produzido em
homenagem ao Odair?
Sandro Belo responde pela Allegro Discos, selo que abrirá as suas
atividades com o citado disco, ainda em 2005, e abaixo, uma conversa
na qual dá as dicas de como será o projeto. Leela, Zeca Baleiro, mundo livre S/A, um leque de
intérpretes e versões para clássicos do músico goiano.
Reprodução

Dissonância Oi,
Sandro. Recebi um e-mail encaminhado pelo fã-clube "Assim Sou Eu", e a
estória de um selo estar produzindo um tributo ao Odair José me pareceu
muito legal; Leela, Zeca Baleiro, mundo livre S/A,
enfim, são alguns dos nomes confirmados. Como está sendo a composição do
álbum, a previsão de chegada ao público?
Sandro Belo (Allegro Discos)
A idéia
de fazer o tributo deveu-se a vários fatores: primeiro, pensei em fazer um
festival homenageando o Odair José, que contaria com a participação mais
de bandas locais (do Estado de Goiás) ligadas à cena alternativa. Depois, pesquisando um pouco a
história do Odair e da chamada música cafona como um todo, pude perceber que
o preconceito contra tais artistas já é institucionalizado dentro da
historiografia oficial da música brasileira, e contamina, praticamente, toda
a classe de críticos e historiadores.
A leitura do livro do Paulo César Araújo (Eu Não Sou Cachorro Não -
Editora Record) despertou mais ainda este
entendimento que eu tinha. Por outro lado, por experiência própria e contato com amigos e apreciadores de música, colecionadores, fãs de
gêneros que não a música cafona em si, percebi também que muitos ou quase
todos tinham uma posição de respeito, ou mesmo gostavam de tais músicos e suas obras.
Ou seja, pessoas que curtem Rock and Roll em todas as suas vertentes, Jazz,
Bossa/MPB, etc, que tocavam em seus players, e quando mais novos, nos seus toca-discos,
músicos como Odair José, Fernando Mendes, Marcio Greyck, Dom & Ravel, dentre
outros. Por mais que se afirmasse o contrário, a música cafona sempre tocou
e foi admirada além da "área de serviço" de nossa sociedade. Tempos depois
me deparei com a bela releitura feita por Los Hermanos para a balada do
Odair - Vou tirar você desse lugar -, e assim, buscando seguir esta linha de
releitura sem clichê, nasceu o projeto do tributo ao chamado Vice-Rei da
música popular brasileira (ou seria do Brasil?).
No final do ano passado a idéia foi amadurecendo, contatei com o fã-clube
oficial do Odair, com algumas bandas que eu entendia serem importantes no atual
cenário da música pop do país, e claro, mais ligadas à cena alternativa; fui
fazendo o convite para participarem do projeto.
Uma coisa interessante que notei foi que muita gente atribui este gostar e
apreciar as músicas do Odair por "culpa" dos pais: "Ah, eu ouvia muito quando
era criança, porque os meus pais ouviam". Coisas assim eu ouvi
muito...
Dissonância
Quando aconteceu o seu "gostar e apreciar" em relação ao
trabalho do Odair?
Sandro Belo (Allegro Discos)
Segui quase o mesmo caminho dos exemplos que
citei. Tenho 32 anos, portanto, em meados da década de 70 - na minha infância
-, as rádios ainda tocavam muito este gênero musical, então tais músicas, e
outras, claro, fazem parte de minha memória musical.
No caso específico do Odair, mantive contato por meio do rádio, mas também
por meio de irmãos mais velhos que ouviam, compravam os discos, e o que
acontecia? Os lp's do Odair, Paulo Sérgio e outros conviviam de forma
harmoniosa com discos de Chico Buarque, Caetano Veloso, Nara Leão, etc.,
etc... E quando você ouve com mais atenção as músicas do Odair, percebe que
ele tinha uma sensibilidade muito grande pra falar de temas tão díspares
como: o preconceito contra as empregadas domésticas, o amor livre, divórcio,
drogas, religião, prostituição (e diga-se de passagem, uma das mais belas
canções de nossa MPB - a "Vou tirar você desse lugar", não?) e tantos outros
temas que não se restringiam ao que o senso comum carimba como sendo só
música sobre amores e adultérios...
Dissonância
Falei por alto, anteriormente, alguns nomes de bandas que
participarão deste álbum. Poderia dizer quem está confirmado, quem
provavelmente chegará, ou mesmo qual é o elo entre
bandas que, aparentemente, não têm nada a ver com o Odair?
Sandro Belo (Allegro Discos)
Uma coisa posso te dizer:
comecei a pré-produção do tributo
achando que o retorno que teria das bandas seria bem menor do que eu tive.
Conversei com cerca de 30 bandas e artistas, e por ser uma produção
independente - ou seja, meu orçamento não dava pra custear, por exemplo, a
gravação de todas as faixas -, o que pesou não foi o fato de se tratar de um
disco voltado a um artista pejorativamente chamado de brega, mas, na maioria
dos casos, foi a questão dos custos. Em momento de maior empolgação
cheguei a vislumbrar um cd duplo...
Do lado das bandas que fecharam com o projeto, foi a afinidade musical mesmo, a admiração pela obra do Odair... Muitos não conheciam a obra
de forma integral, aí fui indicando a discografia, música, etc., e eles
acabaram por redescobrir.
* Veja quais são os grupos cogitados (quase
fechados) e os confirmados:
1) Vou Tirar Você Desse Lugar (Paulo Miklos);
2) Essa Noite Você Vai Ter Que Ser Minha (Picassos Falsos);
3) A Noite Mais Linda do Mundo (Jumbo Elektro);
4) Que Saudades de Você (Terminal Guadalupe);
5) E Ninguém Liga Pra Mim (Leela);
6) Eu, Você e a Praça (Zeca Baleiro);
7) Vida Que Não Pára (Suzana Flag);
8) A Maçã e a Serpente (Poléxia);
9) Foi Tudo Culpa do Amor (Suíte Super Luxo);
10) Eu Queria Ser John Lennon (Columbia);
11) Cadê Você (Sufrágio);
12) Vou Contar De Um a Três (Volver);
13) Ela Voltou Diferente (Mombojó);
14) Uma Lágrima (Pato Fu);
15) Nunca Mais (Shakemakers);
16) Deixe Essa Vergonha de Lado (Mundo Livre S/A);
17) Cotidiano nº 3 (Los Pirata);
18) Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula) - (Arthur de Faria e Seu
Conjunto).
Dissonância
O que é Allegro
Discos?
Sandro Belo
A idéia de criar um selo nasceu, em parte, como um hobbie. Mas um hobbie que
eu encaro da forma mais profissional possível, tendo em vista,
principalmente, que temos mais de cem pessoas envolvidas em um projeto como
este (bandas, produtores, técnicos, etc.). Por outro lado, o intuito é de
tentar atender a uma demanda que eu percebi que existia no mercado, fazendo,
por exemplo, relançamentos (da discografia oficial) e releituras da chamada
música "cafona" (por meio de tributos), o lançamento de obras fundamentais
do Folk e do folk rock, do rock progressivo, do Blues, do Jazz, de trilhas
de filmes, etc., itens tão pouco disponíveis para os apreciadores aqui do
Brasil. Há uma infinidade de coisas a se trabalhar, mas sabemos das
limitações de nosso mercado e mesmo de nossas finanças (risos)!
Os próximos projetos da Allegro são: iremos contatar as gravadoras Sony/BMG
e Universal, e vender a idéia do lançamento de uma ou duas caixas com as
obras completas do Odair, lançadas na década de 70, cujo título seria
Odair José: Assim Sou Eu. E também, estou desenhando o lançamento de um
disco registrando o tradicional canto de aboio e que poderá usar o material
do premiado documentário - Aboio - da cineasta goiana, radicada em
Minas, Marília Rocha.
* Contatos:
allegro.discos@gmail.com
___________________________________
Passado Presente (Gema
Gravadora/2004)
O novo do Odair!

Posso dizer que conheço a discografia do Odair José na palma da mão,
literalmente, graças à passada no arsenal do Seu Milton. Como "ver para crer" não é imprescindível na audição,
Passado Presente pelo menos segue para mim como um velho conhecido.
Odair havia adiantado que seria "meio Neil Young", sete músicas inéditas e
sete revisitadas; ao que parece, cumpriu à risca. Já o Neil Young, bem, esse
dá para ser captado nos arranjos de cordas de algumas faixas, mas nada de riffs pesadões
ou Rock, como queira... Digamos, alguns folks.
O grupo de clássicas que eu conheci ficou por conta de Deixe Essa
Vergonha de Lado, A Noite Mais Linda do Mundo e Que Saudade de
Você, além de Até Parece Um Sonho, arrasa-quarteirão dos anos 80,
da trilha sonora da novela "Cabocla".
Para justificar o gênero discreto do Odair, uma inédita chamada Hoje Eu
Faço Aniversário, que paga o ingresso.
Disco interessante, tanto para o admirador inveterado (óbvio) quanto
para quem ainda o observa à distância. Produzido numa mescla de épocas
musicais, como bem identifica a capa do disco, Passado Presente marca
uma espécie de retorno do Outsider das Pílulas, inclusive com
as mencionadas inéditas.

Detalhe:
o Odair 'Passado' à
esquerda, na capa do disco, com Mick Jagger estampado na camiseta...
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