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é amor sujo e poesia parda.
é poesia suja e amor pardo.
antro de fantasmas, visões surrealistas,
cemitérios abandonados na memória,
esculturas sedentas do carinho e do belo,
personagens encantados com o novo,
encantados com a descoberta de que
algo ainda é possível: viver além do
já tão decantado adeus dos corpos.
é amor quase vivo, quase morto.
é poesia quase viva, quase morta.
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desde
13/07/2003 |
vidanovolumemáximo
vida - volume 1
para Rosa
Texto + Imagem:
márciodequadros

minha mão úmida entre tuas coxas secas sempre bem fechadas
tenho esse passado tatuado na minha bêbada retina há muito tempo
sei da tua carne pálida embebida em sangue
numa acrílica textura negra na vigília da noite muda
absurdos & hinos profanos
fantasmas escapando pela janela esquecida aberta
(é assim em toda madrugada que dormimos?)
múmias pegando fogo sorridentes ironizam o sumo amargo de meus sonhos
minha boca presa em tua nuca naquele esforço final
que traz o esperma junto com teu grito
até o nosso mundo elétrico de ácido & adrenalina
& que nos diz que estamos vivos
beijos & algumas pequenas árias de um outono impuro
duas bocas procurando toda carne possível
num espaço de tempo tão curto e frágil
quanto o suspiro breve que acaricia meu rosto
ou o que sobrou dele quando havia a tua presença
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