|
|
Entrevista com a banda Pato Fu
Por
Dissonância
Imagens:
Giovani Paim e
Aline Ebert
Tarde
de domingo, 8 de maio. São Leopoldo (RS) recebe a banda mineira Pato Fu. Antes do
show que abriria a Campanha Anual do Agasalho na cidade, a banda recebe
alguns veículos de comunicação em um hotel. O Dissonância estava lá.
Vamos saber o que eles falaram...



+++++ Ter vindo a São Leopoldo...
Fernanda Takai - A gente já tinha tocado
aqui há muito tempo atrás. Numa casa bem pequenininha, o Expresso 356, e foi
muito legal. Um dos shows mais legais daquela época... Depois disso, não
tínhamos mais voltado. Apenas eu, tive na Unisinos para tocar com o Frank. Não
dá para conhecer atrações turísticas, mas dá para ter uma idéia...
+++++ Inspiração para a criação de letras e
músicas...
John - Eu escrevo, desde o primeiro disco,
sobre coisas até parecidas. Ou são Relações metafísicas, uma mente perturbada.
Temas como o amor, um filme, um livro, uma outra banda... E eu acho que eu sou
parte daquela turma que tem 5% de inspiração e o resto de trabalho. São frases
curtas e aquele é meu ponto de partida.
+++++ Papel da música nas transformações sociais...
Fernanda - Acho que a mensagem pode vir na
própria letra da música, falando de um tema ou criticando ele. Isso não é nosso
forte, pois falamos mais da gente mesmo. O John, que é principal letrista, fala
"eu faço isso, penso dessa forma"... Por outro lado, hoje, com esse show,
trazemos entretenimento, mas chamando atenção para uma coisa que, principalmente
na região, acontece todo ano, as pessoas precisando de roupas quentes para
viver... É algo de consciência das pessoas em ajudar, que pode melhorar. Eu estive
lendo a proposta de Projeto e acho que vai além... Não é só recolher o agasalho,
é um trabalho de inclusão, das pessoas customizarem roupas para entregarem algo
melhor e mais bonito para quem precisa.
+++++ Ser Mãe...
Fernanda - Ai, sou tão inexperiente
ainda... Passei dois Dias das Mães até hoje, um com a Nina na barriga e agora...
Ah, mãe é muito importante, mãe é legal (risos). Curioso é que acaba de ser
lançado um livro, "Mãe Moderna", e foi eu que escrevi o prefácio. Fala de um
tipo de mãe como eu fui, que dediquei os 10 primeiros anos de banda, para a
banda. Priorizei a carreira e deixei para ter filho um pouco mais tarde, estou
com 33 anos agora. Foi uma escolha mais tardia, mas acho que foi forte. Tive a
experiência da maternidade com uma estrutura que me permitiu parar quase 3 anos
as atividades com a banda. Eu estou gostando da experiência. A mãe, além de
ensinar bastante, é um ser que aprende muito também.
+++++ Relação da banda com a internet...
Fernanda - Nós fomos uma das primeiras
bandas a ter site. Ter um Diário de Bordo escrito por mim mesma é uma maneira de
informar e ser uma fonte bastante confiável. Colocamos fotos das gravações, a
maioria do Ricardo Koctus (baixista), que descobriu esse hobby na época que demos
um tempo com a banda. Mas também tem dois lados. Nós recebemos muito mais
cobrança dos fãs: "primeiro colocaram no diário de bordo que o disco novo estava
quase saindo, depois que tinha ido para mixagem, e nunca sai...". Mas é isso
mesmo, é um passo a passo. E também as pessoas cobram mais quando a gente demora
a postar...
+++++ Quem fez o quê nos 2 anos de tempo que banda
deu?
Ricardo Koctus - Eu tenho uma banda
chamada Let´s Presley que só toca Elvis e eu sou o vocal. Fui fazer algo
completamente diferente do que faço no Patu, aprender a cantar um pouco. Também
um Projeto Beneficente, convidando vários artistas para cantar: Nando
Reis, Patu também, Zélia Duncan, Raimundos, Crivo, bandas de Belo Horizonte...
Xande - Fiz um monte de coisas, toquei com muita
gente, estudei fora do país através de meu patrocinador. Toquei com o Max de
Castro, meu
trio de Jazz, um projeto com os meninos do Jota Quest que é de black music
nacional bem antiga, da década de 70, muita coisa... Produzi umas bandinhas
também.
John - Eu produzi um disco do Arnaldo
Batista e outro do Wonkavision. Algumas coisas da Fernanda também, que faz
algumas participações com outras bandas.
Fernanda - Fiz participações em disco ou
show de artistas e bandas como Arthur de Faria, Dance of Days... Coisas muito
pequenas, nada que me tirasse do meu projeto maior de gente, que é a Nina.
Lulu Camargo - Eu estou com eles desde 2002 e a
parada foi logo que comecei, então nem pareceu uma parada (risos...). Eu fiquei
morando no meio do mato, foi isso.
+++++ Participação da banda em cd/tributo a Odair
José...
Fernanda - Quando o Sandro Belo, da Allegro
Discos, nos contatou, gostamos muito da idéia. Não necessariamente porque era o
Odair, mas por toda essa gama de cantores que fizeram muito sucesso e hoje são
meio renegados. Como Odair José, Fernando Mendes, Márcio Greick, Paulo Sérgio,
Amado Batista... São grandes vendedores de disco, muito populares, só que as
pessoas tem vergonha de falar que conhecem, mas já ouviram. Como a gente ouviu, como
todo mundo ouviu na época canções deles. Nossa participação acaba sendo uma homenagem.
John - As pessoas da "elite" podem
escutar, mas dizem que é engraçado como uma coisa caricata. Podem dizer que é
bom mesmo, ou até ruim, como pode ser, de verdade, em alguns momentos. Assim
como o rock, a MPB e outros estilos também podem ser bons ou ruins às vezes.
|
|