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Acústico MTV - Bandas Gaúchas
Textos:
Ricardo Alexandre
'Guerrillero'
Imagens: Ricardo A. e Divulgação
Junho passado saiu o novo álbum/dvd da série Acústico
MTV, desta vez com a inédita proposta de quatro bandas - ao invés de uma só,
como de costume - e todas elas procedentes de um só estado brasileiro: o Rio
Grande do Sul.
Ultramen, Wander Wildner, Cachorro Grande e Bidê ou
Balde foram as escaladas, e às vésperas do que seria o lançamento nacional, o
Dissonância fez-se presente e bateu um papo com duas delas: Ultramen,
representada pelos percussionistas Marcito e Malásia; e a Bidê ou Balde, a partir
do Carlinhos e da Vivi Peçaibes. Boas praças que são, fizeram a conversa fluir e
após o comentário que fiz sobre o disco, o leitor poderá ter acesso a
diversas curiosidades, desde o momento da 'convocação', até quando estavam na
cara do gol.
Se converteram o lance, cabe a cada ouvido
compreender, mas nas próximas linhas o pessoal falará, descontraído, sobre as participações
especiais, as faixas escolhidas e outras prosas. Para mim foi um prazer, não
somente pelo disco em si, mas por saber mais sobre o feitio de um álbum assim, e
de quebra, aprender a ouvir e discernir o som que cada uma das bandas envolvidas
faz.
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Em 4 pedaços
Nem sei o porquê de algumas babas coléricas caírem do canto da boca em relação
ao novo Acústico MTV - Bandas Gaúchas. Primeiro, esperarem tanto de um 'formato'
é fogo; ele é isso e acabou! Segundo, o 'julgamento' não pode ser feito
recordando o acústico do Nirvana, ou limando sob o argumento 'um novo álbum
comercial'. O de ressuscitar bandas desta vez não se aplica...
Particularmente,
quando fiquei sabendo veio de imediato a curiosidade, pois desconhecia uma
divisão em 4 do famoso Acústico MTV. Imaginei que, logo adiante, existiriam
versões 'Bandas Pernambucanas, Capixabas, Paulistas,
Baianas, etecetera'. Aí sim, a emissora fatalmente estenderia os seus
tentáculos, por que não, até para a 'minha amiga dona-de-casa'; e como alguém
teria de ser o primeiro (ou o único?), as bandas gaúchas foram representadas por
quatro trabalhos dentre os que mais atravessaram a fronteira, além de
serem velhos conhecidos da própria MTV.
Dono de grande
receptividade perante as bandas de Rock locais, o público gaúcho possivelmente
deu o aval para quebrar a regra de o Acústico estar disponível somente para
carreiras consagradas e com bastante chão trilhado. Ultramen, Bidê ou Balde,
Cachorro Grande e, principalmente, o Wander Wildner não são tão moços na música,
no entanto, encabeçaram a primeira exceção e representaram como o Acústico
deve ser: cordas desplugadas e capricho nos arranjos de acordo com o som da
banda! E olhe que dessa vez, se não me falhe a memória, nem castiçais, almofadas
ou lustres retrôs estiveram no cenário...


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Como música é 'o que interessa', o Wander tirou de letra, haja visto ser um
baladeiro sangrento na sua carreira solo, não deixando espaço sequer para
participação especial; Ultramen inova com DJ (Anderson) num acústico, e
junto do suíngue que lhe é peculiar, desplugou a guitarra distorcida e trouxe a
parte 'maneira' do seu repertório, sem esquecer do Falcão (O Rappa), convidado
em 'Dívida', um dos hits na história do octeto. Mas a pulga atrás da orelha
ficara reservada para as duas restantes, Cachorro Grande e a Bidê, que sempre
chutam o balde nas apresentações ao vivo e ficariam restritos aos banquinhos
desplugados. Resultado: o mesmo que aconteceu com Come As You Are, no
Unplugged in New York do trio de Seattle, WA - tirar o pé do acelerador! Ah,
a Cachorro contou com o titã invasor Paulo Miklos em Dia Perfeito; e
Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, que se rendeu às graças de Melissa, na
vez da Bidê ou Balde.
Por tudo o que foi trazido, o Acústico MTV - Bandas Gaúchas pega carona da
divulgação deste (ele de novo!) formato, que sempre percorre facilmente o país.
Ao invés de azarar quem está correndo atrás há tempos, melhor apostar na
perspectiva da descoberta das demais bandas gaúchas, tal qual a coletânea
Rock Grande do Sul (RCA Victor - 1986), que anunciou Replicantes,
Engenheiros do Hawaii, Garotos da Rua, TNT e De Falla para o Brasil, em
plenos anos 80, ou saber que se as peças fossem outras, o Acústico encerra um
tipo específico de produção e guardaria as mesmas críticas, positivas ou
negativas. Pelo som,
as quatro escolhidas para o Acústico estão crescidinhas e fizeram musicalmente o
que são capazes. Sem plugs, diga-se de passagem...
_______________________________
Falando
em Acústico...
Enquanto Cachorro Grande e o Wander Wildner divulgavam o Acústico em São
Paulo, Bidê ou Balde e Ultramen permaneceram em Porto Alegre, onde a Vivi e o
Carlinhos (BoB) + Marcito e Malásia (Ultramen) bateram um papo sobre o novo trabalho...
Para quem quiser conhecer curiosidades em torno do disco/dvd Acústico MTV -
Bandas Gaúchas, é só fazer rolar a tela e conferir, num oferecimento
DISSONANCIA.COM em parceria com a MTV-RS. ;)
>>> >>> >>> >>> >>>
* Dissonância + Bidê ou Balde *

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Dissonância - Como é que foi a primeira
conversação para se fazer o Acústico?
Carlinhos (Bidê ou Balde) -
Na verdade, para nós chegou
meio que mastigada a estória. Fomos convidados e já disseram: "olhe, vocês foram
convidados, vai ser um acústico de quatro bandas e cada banda toca de 5 a 6
músicas, tal, tal e tal...".
Dissonância - Não teve um acerto prévio entre as
bandas e a MTV?
Carlinhos (Bidê ou Balde) -
Não, não teve. Foi um
negócio que já rolou e veio no formato.
Vivi Peçaibes
(Bidê ou Balde) -
Rolou uma idéia principal,
assim, lá da MTV, porque esse é um projeto que ninguém nunca fez no mundo
inteiro - quatro bandas dividindo um Acústico -, já que sempre é de um artista
só.
Carlinhos (Bidê ou Balde) -
A Anna Butler, que é a
diretora de relações artísticas da MTV, foi quem encabeçou e ela quem encabeçou
todos os Acústico MTV, tudo aquilo que rola aqui no Brasil. E o Acústico aqui no
Brasil é o único que é comercialmente rentável, tipo, poucos no mundo são comercializáveis,
tipo, dentre os americanos e ingleses só o do Nirvana...
Dissonância -
O do Pearl Jam nem chegou a sair, o do Paul McCartney também não...
Carlinhos (Bidê ou Balde) -
O do Pearl Jam não saiu, tem vários, um monte que eles fazem e viram no máximo
um programa de tv, e aqui não, é o contrário.
Dissonância -
Por aqui ele já é anual, inclusive.
Carlinhos (Bidê ou Balde) -
É, porque para eles é um formato muito bom, é um programa bom, eles pegam bem,
têm toda a cancha, toda a 'putavelhice' de fazer o negócio bem feito e, ao
mesmo tempo, talvez numa conversa, sei lá, entre o Wander, o Vitor (Faccioni/MTV-RS) e
a Anna Butler, eles bolaram esse formato diferente, um negócio de não
simplesmente 'fazer um acústico normal', mas uma coisa diferenciada.
Dissonância -
O estado pesou nessa decisão?
Carlinhos (Bidê ou Balde) -
Não, acho que o que pesou mais foi ter saído da cabeça do Wander, do Vitor e da
Anna, pelo fato de o estado ter uma produção musical expressiva no centro do
país, mesmo que às vezes seja meio outsider, mas sempre presente. Desde os anos
70 existiam bandas de Rock que começaram aqui, músicos que saíram daqui, então,
ficou mais fácil virar os olhos para esses lados.
Dissonância -
Mesmo dividindo em quatro...
Carlinhos (Bidê ou Balde) -
Mesmo dividindo em 4. Para nós, quer dizer, para mim foi um negócio até mais
fácil de simpatizar com a idéia. Ah, legal, vamos fazer um acústico, vamos ter
que nos quebrar em vinte para fazer versões em violão, mas eram só 5 músicas,
então, para nós foi de certa forma uma facilidade. Legal participar de um
negócio que é a primeira vez que estão fazendo, é legal participar disso tudo, e
se bobear, é melhor do que ter a responsabilidade de encarar tudo sozinho,
encarar sem ter de fazer mais uma vez aquele mesmo formato. Não, desta vez tem
uma diferença.
Dissonância -
No e-mail que recebi dizia que o Acústico seria um panorama da música
sulista, no caso, gaúcha. Vocês se acham que essas 4 bandas podem sintetizar o
que rola por aqui?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Eu acho que elas mostram, com certeza.
As 4 bandas que mais mostram o seu trabalho lá pra fora.
Dissonância - Fora o Krisiun, né? (Risos)
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Claro, claro (Risos).
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
O Krisiun corre por fora, né? (Risos)
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Sim, e seria legal um acústico do
Krisiun... (Risos)
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Seria, bah, o que seria um acústico do Krisiun, né? (Risos)
Dissonância -
Por esse critério sairia uma dessas 4 e entraria o Krisiun. (Risos)
Poderia ser um acústico talvez sem a MTV...
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Sim, como o Nenhum de Nós, que gravaram
dois acústicos dessa maneira... Pois é, a gente sempre teve uma preocupação de
fazer alguma coisa 'pra mostrar pra cima', pra ir um pouco pra fora, por mais
que aqui existisse uma estrutura boa pra gente poder se sustentar. Cara, a gente sempre teve uma preocupação:
"tá, mas e o clipe?". A gente não
assinava o contrato sem que acertasse o clipe.
Dissonância -
Quando fiquei sabendo que seriam 4 bandas e quais seriam elas,
pensei isso mesmo, que são as mais evidentes lá no Sudeste, daí o interesse
natural.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
No nosso caso, a gente já ganhou um prêmio de revelação na MTV.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- A gente participa de todos os VMB's,
praticamente, depois disso.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
A Ultramen também é outra banda daqui que tem alta exposição lá em cima.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- E é uma baita de uma banda.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
A Cachorro agora tá subindo, esteve fazendo super bem, então, sobrou fazer um produto
que vai ser comercializado no Brasil inteiro - e a gente tá aqui no cantinho,
né? Então, acredito que o critério foi assim: as bandas que têm mais exposição
na MTV!
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- E tem também uma loucura: as 4 bandas já
moraram em SP. A gente morou lá em 2001, a Ultramen morou em 99. A Cachorro tá
morando agora. O Wander tá morando e já morou por todo o mundo, praticamente.
(Risos)
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Já morou na nossa casa, em São Paulo. (Risos)
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Já morou em nossa casa, inclusive
(Risos). E a gente, agora, aberta a possibilidade com o Acústico, também
teríamos de ficar mais por lá. Então, são bandas que sempre se dispuseram, acho
que por isso na hora da Anna pensar, chamou a galera.
Dissonância -
Há a possibilidade de uma turnê em conjunto, ou seria trabalhado
cada um em separado?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Isso quem está vendo são as produções,
mas principalmente pelo custo do negócio ficará mais difícil. Quatro shows
precisaria de uma estrutura bem organizada, então, seria muito caro pra botar
isso daí. De qualquer forma, as produtoras estão trabalhando para fazer assim:
chegar, no mínimo, nas capitais, mas a idéia é fazer algo desse tipo, nem que
seja de duas em duas.
Dissonância -
Outro aspecto desse Acústico é que sempre injetam as bandas na mídia,
sempre vendem bem. É um projeto rentável.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- O bom é que já é uma forma que não terá
o erro de nossos discos não chegarem lá, né? Estarão em todos os lugares... Em
Aracaju, por exemplo, não sei se os nossos discos chegavam lá, no início.
Dissonância -
Chegavam!
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Beleza! A gente nunca marcou show lá,
mas agora, tomara que a gente possa fazer.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) - A gente chegou na Bahia, onde temos quase um fã-clube.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- É sempre difícil chegar lá em função da
grana, né?
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Rola uma burocracia para uma banda sair daqui do Sul e atravessar o Brasil. O
país é grande e rola um custo. E uma banda numerosa, produção, equipe,
estrutura, instrumentos...
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Uma banda de sete! Legal é levar o show
na beleza da coisa (risos).
Dissonância -
Vocês estão lançando um disco. Cachorro Grande também...
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- A gente deu uma pausinha, assim, para
lançar o Acústico. Ah, vamos segurar agora, e quando passar o Acústico, a gente
volta a pegar junto no disco, até para que se consiga trabalhar no próximo.
Vamos retornar o É preciso dar vazão aos sentimentos em seguida... Agora
estamos descansados, só estou decorando as músicas.
Dissonância -
Vai acabar que o Acústico ajudará na divulgação desse disco, pois quem
não conhecia a banda...
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde)
- Sim, o nosso set list é um apanhado dos
três discos. Tem Mesmo que mude, que é do novo...
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Ah, a Cachorro só incluiu dos 2
primeiros discos. Não botou nada do novo...
Dissonância -
Outra dúvida: música de trabalho, por exemplo, como é que vai ficar?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- É a do Wander.
Dissonância -
Vai ter uma ordem?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Eles vão trabalhar uma música, primeiro,
e depois vão substituindo por outras, mas o marketing está trabalhando com todas
as bandas juntas. A gente está indo pra SP com freqüência; vai e faz uma
batelada de coisas. Entrevistas. As bandas do Acústico estão em quase
todos os programas da MTV, e aí, passada a parte da MTV, teremos outros
contatos. Então, a princípio, o trabalho de marketing é todo mundo junto.
Dissonância -
Barretos lá vamos nós!!!
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Bah, Deus te ouça! Nem que seja pra ir
tomar uma ceva (risos)...
Dissonância -
Mas o Acústico vira e mexe termina em rodeio...
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Barretos, nos chame! (risos)
Dissonância -
E sobre as participações especiais? Sempre quando saem discos com
participações, é comum perguntas como: 'Ah, mas Paulo Miklos com a Cachorro?'.
Houve algum tipo de comentário sobre vocês? Por exemplo, já ouvi indagações de
quando o Marcelo Nova gravou com vocês...
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Ele já gravou com o Charlie Brown Jr.,
né? Deu, vamos passar para outro velho.
Dissonância -
Foi tudo natural, ou teve algo pré-determinado?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Foi tudo natural, mas também rolou
aquela sugestão. Assim, a MTV falou: "convida alguém para fazer a participação",
aí eram 5 músicas e não queríamos incluir uma música de outra pessoa pra cantar;
se a gente tem a oportunidade de cantar só 5, que fossem as nossas. Aí começamos assim:
"bah, tem que ser alguém que não seja um cara muito autoral".
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Como é o Marcelo.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- É, o Marcelo não cantaria uma música
nossa, pelo que a gente conhece. E a gente conhece ele bastante (risos). Ele não
cantaria uma música nossa no Acústico, também porque ele acabou de fazer um -
o do Charlie Brown -, por sinal muito bem recebido.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
E o Marcelo participou do nosso último disco, com Hoje, do Camisa. E tem clipe
na MTV, então, já está participando, de certa forma.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- É, 'deu' de Marcelo. Aí ficamos: "quem é
que a gente vai chamar?". A primeira pessoa foi mesmo o Roger, porque o Mingau
já era nosso conhecido, toca com ele. Aí, 'ah, vamos falar com o Mingau, de
repente o Roger aceita'. Pô, mas o Roger é meio tímido, tem o negócio do
autoral, as músicas dele. Tem o 'Nós Vamos Invadir a sua praia", que é um baita
disco. A gente é muito fã desse disco, e tocamos ao vivo várias músicas, aí,
'bah, será que ele topa?'. Falamos pra MTV e eles, "bah, pra nós vai ser ótimo,
porque vamos lançar um acústico com o Ultraje logo em seguida'. Aí eles
disseram: 'por que não chamam o Evandro Mesquita?', ele tá pra lançar um disco
da Blitz, tá pra voltar, vocês têm a ver também, coisa e tal'; ele é ator, mais
solto, então vamos falar com ele. Aí ele ficou de ver e não encaixava na agenda
dele. Quase fizemos também com o Pato Fu, em função da amizade que temos,
mais aí eles:
'ah, vamos nós 4 e tocamos, vocês cantam', uma coisa louca assim. Aí acabou não
casando com o lançamento do disco e não sei lá o quê, então, a gente decidiu
perguntar para o Roger, não custava nada.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
A gente estava tirando uma conclusão antecipada dele, na real.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Aí ele só fez: 'tá, mas ser pontual?'.
Eu tenho problema com horário'. Ele só pediu que fôssemos pontuais e que
mandássemos as cifras pra ele. Ele gostou de Bromélias e Melissa, 'mas eu
prefiro Melissa, porque é mais Rock, é mais assim'.
Dissonância -
Mas ele já conhecia o som da Bidê?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Já conhecia. Ele chegou lá numa
entrevista, logo que chegou no camarim, daí a gente estava dando uma entrevista
na hora, aí o cara perguntou se ele conhecia. Ele disse: 'sim, logo que eles
apareceram, lançaram o primeiro disco, entrei no site da banda e vi que o
Ultraje estava como uma das influências, e disse: bah, essa é uma banda boa!'
(risos).
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Ele é super simples. Senta e bate papo... Muito acessível e é uma unanimidade na
banda.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Não, o Pilla, que é o mais novo no
grupo, por exemplo, não teve opção de achar outra coisa. Ele já entrou na banda
com um bando de fãs do Ultraje dizendo: 'bah, meu, escuta isso'.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Aí ele curtiu, ficamos todos amigos. A gente jogou contra o time dele no Rock &
Gol. Ele chegou em campo, cumprimentou a galera...
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Não entrei em campo para não ter que
fazer falta nele (risos)...
Dissonância -
Faz parte do contrato, né?
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Sim, para não machucar o
convidado.
Dissonância -
E a gravação do disco?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- A gente queria gravar por aqui, mas tem
todo um custo, equipe técnica, equipamentos, aí fizemos por lá. Quando nos
falaram, pensávamos 'no Theatro São Pedro, vamos fazer num lugar afudê, mas aí
logo em seguida foi feito no estúdio que a MTV já tem lá em SP.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
No mesmo estúdio que teve o Marcelo D2, então, eles já tinham uma equipe
pré-determinada, e trazer tudo isso pra cá seria um custo violento.
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Mas o público era nosso.
Dissonância -
Eram quantas pessoas?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Umas 200 pessoas.
Dissonância -
Eram sessões, né?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Sim, foram 2 shows: nós e o Wander,
Ultramen e Cachorro. E o público era nosso: convidamos a galera pelo site.
Dissonância -
Teve algum sabor diferente?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Teve, teve a diferença em função do
evento ser diferente. Pra nós, o show foi inédito, pois era a primeira vez
gravando alguma coisa ao vivo e não era só o som. Era a imagem, acústico; era
tudo diferente pra nós, então, falei logo de cara: olhe, galera, é um programa
de tv, a gente vai tocar uma vez todas as músicas,
depois vamos repetir essa uma vez todas as músicas e, se for preciso, repetiremos
alguma música. Fiquem aí sempre animadinhos e coisa e tal. Era mais estranho
para nós. Não se se já viste nossos shows, mas as nossas músicas são grudadas, a
gente não costuma dar muito tempo para respirar. Então, eu acho que os shows são
assim por minha causa, daí era estranho acabar uma música e ficar dando um
tempinho.
Dissonância -
Igual ao Eddie Vedder na gravação do Acústico do Pearl Jam, na qual ele
não conseguia ficar parado no banquinho. Toda hora ele se mexia...
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Como era a gravação de um programa mesmo, na hora. Depois que acabou o nosso dia
de gravação, o pessoal da equipe disse que 70% do vídeo estava valendo, então,
tipo, praticamente saiu pronto o dvd na hora da gravação. Sempre no final de
cada gravação tinha um 'ah, aumenta aqui mais um pouquinho, ah, aqui tem um cabo
que está trancando a câmera e não sei o quê. Carlinhos, vá mais pra lá porque é
preciso pegar o ângulo daqui'... Então, sempre tinha uma parada, toda essa gama
de novidades acontecendo, um público muito legal que participou no nosso dia de
gravação, que inclusive a gente não viu no dia do show. Rola um nervosismo e uma
agitação, né? Tipo, vamos lá de novo. Um nervosismo natural.
Dissonância -
Se errasse seria tudo num mesmo dia?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Sim, se errasse teria de fazer quantas
vezes até dar certo. A gente fez duas vezes todas, mas teve só uma música que a
gente repetiu para ter certeza. Eu mesmo pedi, porque achei que errei uma parte
da letra. Na verdade, a parte que está no disco deve ser a errada (risos).
Dissonância -
Para concluir, não acham que esse disco guarda certa semelhança com o
Rock Grande do Sul?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Foi o que falei agora numa outra
entrevista!
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
É verdade.
Dissonância -
Eu achei uma semelhança, mas as circunstâncias são outras. As quatro
bandas não tinham aquela obrigação de assinar com um selo grande e tal, como nos
anos 80 e no Rock Grande do Sul. Vocês concordam?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Há uma semelhança em função de ser um
produto mostrando todo mundo, só que agora todo mundo já é mais conhecido. O
Acústico também já é mais conhecido...
Dissonância -
Com uma divulgação bem mais encaminhada, né?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- Sim, já rolando na MTV...
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Há uma tradição depois dessa aceitação enorme do formato acústico, é o produto
da MTV mais vendido no mundo. O Acústico MTV brasileiro é o mais rentável do
mundo para a MTV, então, a facilidade de aceitação pelo público no Acústico fez
com que todo mundo quisesse fazer o seu. Pra gente, estar estreando no formato
com as 4 bandas num projeto só acústico é uma honra, um marco, como foi o Rock
Grande do Sul na época.
Dissonância -
Porque para aquela época, mesmo sendo fora de acústico, os selos também
davam uma importância maior e aquele disco chegou em todos os lugares. Se fosse
hoje, entraria uma música em Malhação, precisaria de algo para impulsiona.
Naquela época, eles já trabalhavam as músicas com outro tipo de marketing.
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
É, a gente viaja e sempre que sobe vamos em sebos, comprar discos, e em quase
todos os lugares encontramos o Rock Grande.
"Aê, grande disco e tal"... Não interessa:
Goiânia, Recife, sempre tem aquele disquinho lá, sinal de que chegou no país
inteiro. Isso é bom, muito bom.
Dissonância -
É isso aí?
Carlinhos (Bidê ou Balde)
- É isso aí, tomara que todo mundo compre
e tenha um dvd na baia (risos).
Vivi Peçaibes (Bidê ou Balde) -
Como a galera na época do Rock Grande do Sul: eu tive também!
>>> >>> >>> >>> >>>
* Dissonância + Ultramen *

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Dissonância - Poderíamos começar pelo formato
do Acústico...
Marcito (Ultramen) -
Essa é uma polêmica que todo
mundo comenta, por exemplo, a gente compõe já com guitarra, ninguém toca no
violão. Tem músicas nossas que são pesadas, uma situação que no violão é
impossível. Agora tem um outro lado, que a gente fala também que o mercado
fonográfico é todo fechado, cara, então, ele é todo esquematizado, fechado,
viciado. Hoje as gravadoras são donas das rádios, é, tem promoções dentro da
televisão, então, para a tua música chegar no público, não importa se a música legal,
tem suíngue, brasilidade, seja tri boa. Agora, de repente, uma música lá,
qualquer outra música que tu vê que é montada, passageira, entendeu? Sobe, mas cai rápido
também, então, a gente precisava de uma ação, falando do jeito empresarial da
coisa.
Existe uma cena boa aqui; a música gaúcha é uma música de boa qualidade e
precisava de uma ação forte, onde a gente conseguisse uma mídia grande. O selo
Acústico MTV é uma marca muito forte, uma marca que a música vai chegar às
pessoas, e daí as pessoas vão decidir se essa música é legal ou não. Resumindo:
nem tudo é perfeito, né, cara? A gente tem que ir ponderando de um lado,
ponderando de outro, pra que a coisa entre, então, a MTV sugeriu o Acústico MTV,
onde essa marca é a mais forte da MTV. Existe o Banda Antes, o Ao Vivo MTV,
agora o Acústico MTV é onde o cara consegue divulgar mais. É por aí o esquema.
De repente, a gente gostaria de ter feito com guitarra, um Ao Vivo como a banda
é no show, mas, músicas como Dívida, alguns reggaes ficam legais no violão,
então, não pudemos gravar algumas músicas que têm distorção, mas, ainda bem, a
Ultramen é um liquidificador e pudemos pegar um samba-rock, um reggae e ficou
bom, ficou legal no violão.
Dissonância - Vocês estranharam num primeiro
momento, pelo fato de ser um acústico dividido em 4?
Marcito (Ultramen) -
Eu acho bem legal isso aí. É
a primeira vez no mundo que acontece um projeto onde
a marca Acústico MTV faz de uma cena, e não de uma banda. Isso eu acho legal.
Conseguiram pegar uma cena de alguma região do Brasil e mostrar a música daquela
região, representada por 4 bandas, né? De repente, é mais legal do que tu pegar
uma banda e fazer, entendeu? Achei bem legal a idéia.
Dissonância -
É que para uma banda fica mais demorado, pois precisa ser 'consagrada' para
estar lá.
Malásia (Ultramen)
- Existe uma discussão na mídia que diz
que o modelo Acústico MTV já é uma coisa meio esgotada, principalmente entre os
jornalistas e as pessoas que cobrem música. Dizem que todo mundo já fez,
salvou várias carreiras... Por exemplo, o Capital Inicial era uma banda que não
existia mais em nível nacional, aí fizeram o Acústico e tiveram uma sobrevida
maior do que eles tinham nos anos 80. Acho que uma maneira que eles arranjaram
para atualizar esse projeto, foi fazer um com 4 nomes ainda não conhecidos no
país inteiro, com a mesma estrutura de mídia, de produção, de gravação, mas com
4 bandas que representam uma região que nao está coberta por essa mídia. Essa que, ao
mesmo tempo que reclama que o projeto é velho e cansativo, ultrapassado, não tem
tanto interesse de promover uma banda daqui ou do Nordeste.
Acho que os
jornalistas musicais dão mais tiro nos artistas que estão vindo, do que
realmente oportunidade. Particularmente, não vejo uma banda do Rio (de Janeiro) ou de São Paulo que
seja legal, que eu goste tanto; a minha banda preferida é a Nação Zumbi, que tá
fora dessa coisa toda. Meio que morreu o Chico Science e os caras mataram a
Nação Zumbi.
Marcito (Ultramen) -
O legal de ressaltar é que a
coisa toda não vem de graça. Uma empresa do porte da MTV pegar a sua melhor
marca, pegar os seus melhores profissionais, como o Paul Ralphes, que é o cara
que grava muitos acústicos, um inglês que mora aqui há 8 anos; o engenheiro foi
o Sena, um dos melhores engenheiros do Brasil, então, para que a MTV
disponibilizasse os melhores para fazer uma coisa de alto risco, como foi o
Acústico MTV Bandas Gaúchas, foi porque a emissora viu que aqui no Sul tem toda
uma cena. E não existe essa cena em São Paulo, não existe essa cena no Rio, não
existe em nenhum lugar essa cena onde uma banda vende 25 mil discos, 30 mil
discos, onde a música da Ultramen toca na rádio quase igual ao Rappa, ao D2,
onde a gente tem toda uma estrutura de equipe, de roadie, técnicos de som e
tal. Então, as coisas não vem de graça. A cena existe aqui, é forte aqui mesmo,
então, não dá para deixar isso só lá... Não somos nós os bairristas, e sim eles.
Dissonância -
Que até nem pode ser o bairrismo direto, mas indireto mesmo, de só
conhecer o que está nas prateleiras das Americanas, por exemplo... Não pesquisa.
Marcito (Ultramen) -
Exato, tem que ver tudo o
que está por trás, né? Por que o Rio Grande do Sul foi o primeiro nesse projeto? Por que não
foram as bandas do Espírito Santo, de Belo Horizonte? O legal é que depois
disso, pode se tornar um projeto brasileiro, que pode ser feito com bandas
baianas...
Malásia (Ultramen)
- O Brasil não se conhece bem
culturalmente, cara. É muito difícil ter acesso ao que é feito lá no Nordeste,
aquilo que não vem via mídia, sabe? Cordel do Fogo Encantado eu conheci lá em
São Paulo. Bem antes de explodir, eles vieram por fora e encontraram um público ávido,
querendo uma coisa como o som deles.
Dissonância -
Eu recebi um e-mail do pessoal daqui da MTV e grifei a frase 'panorama da
música sulista', aí eu queria saber se essas bandas refletem grande parte do que
rola por aqui.
Marcito (Ultramen) -
Têm bandas gaúchas muito boas e que podiam estar no projeto, que vendem bem mais do que a
gente e podiam estar também.
Marcito (Ultramen) -
É, no critério de vendas está certo, agora, tinham de ser 4 bandas, e tu tem de
fazer um cd ou dvd com no máximo 20 músicas e tal. Então, acho que a gente está
bem representado. A Ultramen é uma banda que há 14 anos está por aí, é uma banda
que vários formadores de opinião conhecem, uma banda que a gente briga por fazer
um som legal, que a gente goste, um som que não está preocupado em vender,
enfim, fazer uma música de qualidade. Somos 8 integrantes, duas percussões, um
DJ, a gente gosta dessa coisas de world music. Num disco da Ultramen, você vai
escutar um samba, um rap, um reggae. O Wander Wildner é um cara das antigas, um
cara do punk rock dos Replicantes e tal, enfim, cara, tinha de escolher 4. O
time ficou bem feito. A Bidê ou Balde acho que é uma banda de Rock um pouco mais
pop e tal, já teve a sua cena lá em São Paulo. A Cachorro Grande é uma banda mais nova,
porém com um Rock 'n' Roll super-característico.
Dissonância
- Cada uma ataca em um estilo...
Malásia (Ultramen)
- Acho que como foi falado aqui, a cena é
muito grande. Há pouco tempo atrás teve o aniversário da Pop Rock (fm local) com
19 ou 20 bandas daqui, e se for ver, nenhuma daquelas bandas têm semelhanças uma
com a outra, musicalmente falando. Mas fazem parte do mesmo time regional,
como Reação em Cadeia, Ultramen, Graforréia, Comunidade Ninjitsu. Existem 20
bandas e se fosse fazer um raio-x do troço, então não seria um acústico só, mas
dois ou três. Bandas novas como a Fresno, que particularmente não conheço, mas
vejo na internet que conta com muitos fãs em São Paulo, porque os caras têm essa
linguagem de se divulgar pela internet, mp3, é muito difícil resumir tudo o que
acontece aqui num disco com 4 bandas. Teríamos 4 tocando e chamar outras bandas
daqui como convidadas, para ver se dá uma panorâmica, no sentido de que se o
cara quiser conhecer mais.
Dissonância -
É bom que vocês frisem isso, pois o som da Ultramen é o mais
eclético dentre as 4...
Marcito (Ultramen) -
É legal para as pessoas saberem que no Sul tem milhares de tipos de banda,
milhares de bandas e não somente de Rock.
Dissonância -
Vocês já chegaram no Nordeste?
Malásia (Ultramen)
- Só até Salvador, mas tem uma galera do
Recife que curte. Ultramen é conhecida por lá sim, mas por essa coisas
geográfica do Sul é mais fácil ir para a Argentina, como a gente já foi, do que
chegar no Nordeste.
Marcito (Ultramen) -
Tocamos duas vezes em Salvador e foi muito bom de tocar.
Malásia (Ultramen)
- E tem aquele estereótipo de tocar em
Salvador, achando que só tem axé e tal, e os caras de lá ficam bravos: "não, tem
Rock!" É muito Rock em Salvador, mas é difícil tu conhecer a cena de cada
lugar pelo que tá rendendo Ibope, né?
Dissonância -
Perguntei para a Bidê qual seria a música de trabalho, daí responderam
que será a do Wander, e não tem uma escala oficial. As outras virão através de
pedidos?
Marcito (Ultramen) -
Na verdade, a Ultramen teria
a música de trabalho - Dívida, que tem a presença do Falcão, só que o
presidente da Warner não liberou o Falcão para fazer um single. O quê acontece?
O single é aquele produto antes do produto estar na loja. Ele chega 15 dias
antes para tocar na rádio, mas esse presidente não liberou para que a Sony fizesse
um single e tal. Estava tudo armado para ser Dívida. Quer dizer, o Falcão
que quis participar com a gente, o Falcão já recusou vários acústicos, e o nosso
não, falou "não, velho, eu vou fazer porque eu curto mesmo a banda", e Dívida
ele sabia de cor. Então, o presidente deixou que ele participasse, mas para
lançar uma música que seria super legal, a MTV, todo mundo achando do caralho,
o cara foi lá e trancou o lance. Mas ele trancou para fazer o single, então
pegaram e fizeram o single com o Wander.
Dissonância -
Essas participações, pelo que já vi, sempre atrai alguém dizendo "não,
aquele ali foi coisa de gravadora, não tinha nada a ver", como, de repente, pode
haver com o Paulo Miklos e a Cachorro Grande, por exemplo. Com vocês ficou em
casa, né?
Marcito (Ultramen) -
É, com o Falcão a gente tem
contato há muito tempo. Já tocamos no Rio juntos, uma turnê juntos Ultramen-O
Rappa-Orishas. Ah, o Falcão é nosso brother. Somos também amigos do Yuka, eles
têm nossos cds, acompanham a nossa carreira.
Malásia (Ultramen)
- Nós somos praticamente contemporâneos,
embora a gente seja um pouquinho mais velho do que eles.
Marcito (Ultramen) -
A gente é um pouco mais velho do que O Rappa, mas eles gostam do tipo de reggae
que a gente faz, o dub, eu sou fã deles também. Então, não teve tanto mistério
para a participação. Eu que liguei pro cara, pro Falcão mesmo, e meu, foi logo
dizendo: "ah, deixa pra mim".
Malásia (Ultramen)
- A idéia realmente partiu da MTV, porque
eles achavam que tornaria o produto menos bairrista, sabe? "Convidem alguém do
cenário nacional que vocês quiserem, ou não, foi só uma sugestão". Eles não
forçaram a barra ou pediram para colocar alguém. Eu acho que foi mais pela
escolha dos próprios artistas. Pelo menos no nosso caso foi.
Dissonância -
E gravar lá, a Bidê falou que não, não teve diferença, embora eu sempre
ache que o público de vocês seja maior lá fora, apesar de venderem tantas mil
cópias por aqui. Vocês fizeram a promoção no site para que a galera do Sul
pudesse participar da gravação? Teve um público do Sudeste também?
Malásia (Ultramen)
- Acho que foi meio a meio. Tinha muitos
amigos que moram em São Paulo, teve também uma galera daqui que pagou passagem e
foi assistir por achar um lance histórico dentro da música feita no Rio Grande
do Sul.
Marcito (Ultramen) -
E foi bem legal que tenha
sido feito em São Paulo, pois fazer aqui no Sul ficaria muito certinho, jogando em
casa, e não, vamos lá pra gente mostrar que a nossa música é universal, cara.
Fez um calor, a galera aplaudindo, cantando as músicas, do caralho isso
aí.
Dissonância -
Para finalizarmos, eu trouxe a idéia da semelhança desse disco com o Rock
Grande do Sul, e acho que esse disco foi importante, tanto que a Vivi falou que
em sebos pelo país ela sempre encontra no mínimo um exemplar desse título.
Achei-os parecidos, claro, guardando os diferentes momentos. Nos anos 80, era
tudo por uma gravadora, e hoje, tem o selo Acústico MTV, mas por exemplo, o
Falcão não pode fazer parte de um single, portanto, é outra consideração. Hoje, o
independente está presente e funciona muito bem. Vocês sentem essa semelhança?
Malásia (Ultramen)
-
Eu acho muito importante por
ter a assinatura MTV, além de ser um lançamento nacional, porque, de uma certa
maneira, o pessoal vai se voltar para as bandas daqui, como aquela meia dúzia de
bandas do Rock Grande do Sul. Os caras vieram para cá e deram uma garimpada e
descobriram outras bandas, embora fosse outro contexto.
Eu espero que, realmente,
isso aconteça, é do nosso interesse que outras bandas consigam mostrar os seus
sons, o que nesse aspecto é muito legal. De uma forma ou de outra vai ser um
lançamento nacional, coisa que as bandas através dos seus selos não teriam
condições de fazer sozinhas. Talvez a Cachorro, que está lançando o seu pela
Deck Discos, consiga. Quanto mais gente, melhor. O cara vai ouvir o disco
e dizer: "pô, não gostei da Ultramen", mas como cada banda tem a sua
peculiaridade, há chance de uma delas, no mínimo, agradar.
Marcito (Ultramen) -
Os projetos em si são parecidos, cara. Tipo, mostrando uma cena. No Sul tem
reggae, tem funk, então isso é legal. Nã sei bem como funciona, por que nos anos
80 era bem diferente de hoje em dia. Nos anos 80, o mercado não era tão
'enfiado', mas o de hoje é e o Acústico MTV tem espaço grande no mercado. Acho
que os discos se parecem sim.
Malásia (Ultramen)
- Acho que é uma boa colocação.
Marcito (Ultramen) -
Acho que tem a ver, cara.
Malásia (Ultramen)
-
Antes era vinil, tinha um
fotinho da banda, você ficava escutando, curtia o som, mas não sabia quem era
quem. Hoje em dia, você consegue simpatizar com a imagem da banda pelo lance
atual da internet. Você vai lá no site da banda, vê o clipe, conhece quais são
os discos, uma coisa pode levar à outra, pois a informação é mais abundante.
Antes era mais difícil. Bandas que eu gostava lá do Rio de Janeiro, como Picassos
Falsos, era uma banda que eu adorava. Eu tinha o vinil e não sabia quem eram os
caras. Hoje as pessoas também correm mais atrás da informação.
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