Derrepente um repente
 


                                                                   Texto e imagem: Daniel Paes

 


 
Quero hoje lhe dizer
A verdade desse dia
Se tristeza eu sentisse
Juro que dela não morria

Se acordasse todo torto
E os malumores me tomassem
Deitava na cama denovo
até que contigo sonhasse

Bonito repente esse que fala de alegria
Mas se todo passo fosse samba
De peste apatia e medo
Tanta gente não sofria

Quero cantar de peitaberto
O belo mesmo que não seja o certo
E vou sorrir de espada em punho
Bradando aos velhos que é nosso esse mundo

Derrepente um repente nasce em minha mente
E dele não posso me livrar
Aprisionado aos elos dessa corrente
Sigo na correnteza que me leva para o mar

E na imensidão escura
Não tenho medo das 20.000 léguas
Mergulho até o fundo
Pra ver se uma sereia comigo se envereda

Mas se ela não aparecer
Fico tranqüilo com minha solitude
Pois além de toda essa falta
Meu amigo eu tenho o Orkut

Mas que piada é essa
Que eu conto para mim mesmo
Se esse computador fosse uma dama
Por ele talvez sentisse desejo

Então oque faço nesse repente
É não cair na armadilha virtual
Desligo essa tranqueira
E abraço a cidade que é meu mundo real

E para não terminar sem poesia
Finalizo o poema com mestria
Rimando velozmente faço do final
O início da travessia

Onde tudo era par
Coloco agora o ímpar da arte pura
Que separa e une tudo
Feito tesoura que também costura

Quero ímparmente lhe dizer
A verdade louca desse dia
Se tristeza hoje sinto
A dor me enche de desgosto
Mas resisto e se morro renasço

Pra escrever tudo denovo



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