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desde 13/07/2003


 Virando o mundo de cabeça para


 Por
S. Quimas
                                                                                   
Imagens: Reprodução/www


  A questão da cultura é crítica em todo o mundo. É devido à cultura que reforçamos nossos laços, mas também devido a ela produzimos os cismas, como a questão palestina, que divide dois povos oriundos da mesma região e torna as diferenças extremas, devido a questões culturais, principalmente religiosas, praticamente insuperáveis.

  O hábito de menosprezar a cultura alheia é uma prática constante na história humana, que digam os povos dominados por gregos e romanos, os nativos americanos exterminados pelos invasores europeus, as vítimas da intolerância religiosa, do fascismo, do imperialismo capitalista e do radicalismo comunista.

  Talvez o elemento mais comum em toda a cultura global seja este menosprezo, esta ojeriza ao que não lhe seja própria.


  Durante séculos as técnicas da medicina chinesa ficaram relegadas ao plano de crendices, e hoje, terapias como a acupuntura, o Do-In e o Shiatsu são largamente empregadas no Ocidente. Ignoramos a Índia como centro científico, vendendo a imagem de uma nação ignorante, pobre, suja e religiosamente fanática, incapaz de gerar qualquer forma de conhecimento de valor prático. Contudo, é inegável a contribuição de seus estudiosos à matemática e mais proximamente à física, com o desenvolvimento da fibra óptica. Também, os árabes deram suas contribuições, principalmente na área da matemática e da astronomia.

  Se fôssemos fazer justiça aos relegados culturais a segundo plano no cenário mundial, teríamos que reescrever a história humana.

  Desde a Antiguidade é hábito entre os povos conquistadores a prática da aniquilação da cultura dos conquistados e a imposição de sua própria cultura. Grande parte pelo temor da reunificação e levante daqueles que foram vencidos. Nos dias atuais não é diferente. Muitas vezes dissimuladamente, mas o fato se dá de toda a forma.

  A palavra “xenofobia”, do grego xénos, estrangeiro, e phóbos, horror, medo, tem em nossa língua o significado de “horror ao estrangeiro, antipatia a estrangeiros”
[1]. Estrangeiro tem a sua origem no “latim extra, de fora” [2]. Assim concluímos: xenofobia é o medo do que é de fora. A princípio empregado no sentido do sujeito estranho ao meio, mas, por extensão, a tudo o que ele representa inclusive a sua cultura.

  A antipatia aos costumes do outro não se limita somente aos de outras circunscrições político-territoriais, porém parece ser algo arraigado na maior parte dos seres humanos, uma sofisticação dos mecanismos animais de preservação do indivíduo.

  Sempre defendi a tese de que não nos justificamos pela nossa “natureza”, pois somos capacitados à transcendência de nossa condição primitiva e podemos controlar nossos instintos. Não foi através deste controle que pudemos criar nossas precárias mas existentes civilizações?

  Se o comportamento xenófobo é ditado pelo instinto de preservação, sendo deste uma modulação, para controlá-lo devemos nos utilizar da “razão” e analisarmos a condição em que ele se produz e suas causas factuais.

  O primeiro núcleo territorial material e psicológico do ser humano é ele mesmo. É a partir de “si” que se constroem todas as “imagens” psíquicas e sensoriais do indivíduo. Para que tenha uma “leitura” adequada da realidade individual e daquela exterior a si mesmo, o indivíduo tem que poder e saber interpretar os sinais e estímulos. Sem esta capacitação, ou sendo esta deficitária, o ser tem a sua existência moldada, primeiro, em respostas puramente reflexas e condicionadoras e, por último, sem discernimento em relação aos fatos que lhe sucedem, vivendo em uma espécie de torpor irracional.


  A nascente de grande parte de nossos problemas tem sua origem na interpretação errônea dos fatos que nos sucedem, no vivermos deslocados da “realidade” destes fatos, muitas vezes inconscientes, como autômatos programados.
 
  Já ouvi gente dizendo: “não consigo parar de pensar”, principalmente quando sobrecarregada de problemas. Contudo, pensar é uma das condições existenciais. Lembra-nos Descartes e seu “Cogito, ergo sum” (penso, logo existo).

  O pensar é um ato essencial à existência, pois é através do pensamento que elaboramos o intricado quadro de nossa realidade, ou ao menos é assim que o tornamos apreciável, capacitando-nos a compreendê-la.

  Há vários modos de se comer uma maçã. Uns comem-na com casca, outros sem, uns dividindo-a em partes, duas, quatro ou muitas fatias. Todos estes modos de se comer uma maçã são válidos. Por uma questão de higiene, concordamos que seja melhor consumi-la após lavá-la. Contudo a questão do hábito da higiene não é unânime, e muitas vezes sequer pode ser praticado, se acaso seja essencial nos alimentarmos e não tivermos como lavar os alimentos.

  Os nossos hábitos alimentares fazem parte de nossa cultura social, familiar e pessoal. Alguns são adquiridos por imposição da boa saúde, outros típicos de nossas tradições alimentares.

  Questões a princípio banais como a alimentação, podem tornar-se conflitantes e excludentes quando fazem parte da cultura tradicional de alguns povos, grupos e indivíduos. Alimentos considerados “impuros” (visão subjetiva e incondicional, que não tem por base a impropriedade real do consumo pelo ser humano) por algumas culturas, já a prioristicamente condenam quem os consome a uma posição exclusiva, muitas vezes pejorativamente “inferior”.

  Hindus não se alimentam de carne, judeus não consomem a de suínos e de alguns outros animais, e muitos outros povos têm os seus costumes alimentares moldados em idéias fundamentalistas, muitas delas tendo por base elementos teológicos.

  Não estou aqui defendendo tese oposta, ou, pelo contrário, fazendo apologia a este ou àquele hábito alimentar. Na minha visão, cada indivíduo consome o alimento a que mais se afina com o seu paladar, ou como dizem os gourmets, aquele que mais lhe apetece. Ao citar o exemplo da alimentação, quis demonstrar que um fato tão simples como este pode gerar celeumas e polêmicas, quiçá discriminação.

  Os hábitos alheios nos são estranhos, ou seja, não se incorporam à nossa própria cultura, e pior, muitas vezes são simplesmente repudiados, hostilizados, causa mesmo de perseguição e morte — vide a Santa Inquisição que lançou às chamas e óleo fervente, judeus e outras pessoas, simplesmente porque não professavam o catolicismo.

  Muitas vezes a cultura da intolerância é superior a do bom senso e a do respeito à variedade das formas de pensamento.

  Indígenas foram massacrados e negros escravizados simplesmente porque eram considerados “inferiores”. Inferiores por quê? Por que não usavam perucas empoadas para cobrir as cabeças lotadas de piolhos, ou perfume para dissimular o fedor dos corpos que só viam banho raramente?

 

  Quando Hernán Cortés chegou à cidade de Teotihuacán, cujas ruínas ainda hoje podem ser vistas a poucos quilômetros da Cidade do México, o urbanismo deste centro asteca era mais moderno do que o das cidades européias e lembra o de cidades modernas como Brasília. Contudo, isto não evitou que Montezuma II e seu povo fossem dizimados em 1521 pelos espanhóis famintos de riquezas. Na visão européia os astecas eram inferiores. Só que estes “inferiores” não despejavam seus urinóis lotados de excrescências na via pública.

 

  Quando os espanhóis chegaram às Américas já traziam em suas mentes o conceito de inferioridade dos povos que a habitavam, isto simplesmente porque possuíam outra cultura. Alimentados por este preconceito e por sua desmedida ganância, varreram do mapa civilizações milenares como a asteca (Cortés) e a inca (Francisco Pizarro).

 

  “Vamos civilizar os povos primitivos! Vamos catequizá-los!”. Este o mote do colonizador indiferente à cultura dos povos aborígines das Américas e de outras partes no mundo não europeu.

 

  Posso estar errado na minha informação, mas boa parte das doenças e outros problemas de saúde dos povos indígenas se curavam através das terapias naturais, como a fitoterapia. Os “civilizados superiores” trouxeram-lhe a “esplêndida” herança de doenças que muitas vezes sequer são perfeitamente combatidas por sua medicação científica. Nossas crianças com mais raridade morrem de gripe, mas tribos de indígenas inteiras foram dizimadas por ela. Presente do homem branco.

 

 

 



 

  No Brasil, o homem branco descaracterizou os povos aborígines, verdadeiros tutores da terra brasileira, praticamente aniquilou a sua cultura, e em muitos casos, ainda os transformou em alcoólatras e os corrompeu pelas riquezas naturais, que furtivamente queria explorar — vide os casos de envolvimento de caciques na exploração irregular de madeira das reservas indígenas.

 

  O índio foi varrido do mapa, pois se opunha à dominação européia, se revoltava sempre que se fazia a tentativa de escravizá-lo e era indócil à tentativa de incorporação de seus territórios. Os poucos que restam aqui e acolá são protegidos tardiamente por leis que, no mais das vezes, são retóricas, mas que de fato não impedem a realidade da invasão de suas terras por fazendeiros, mineradores, madeireiros, posseiros e grileiros, ou da tentativa de solapar a sua cultura pelos catequizadores de plantão e seu marketing religioso.


  Quando eu vejo um índio vestido com short e camiseta fico muito triste. O homem não se escondeu de Deus, segundo o relato bíblico da Gênesis, pois havia perdido a inocência e visto um mal em sua nudez? Ora, o europeu vive em um clima que em certas épocas do ano ou em certas regiões, se tiver descoberto certamente morre de frio. Contudo, é muito mais confortável se andar nu nas regiões norte e centro-oeste brasileiras do que vestido.

 

  Imagine como fediam os portugueses na corte brasileira trajados com sua indumentária pesada, totalmente imprópria para um clima como o temos na cidade do Rio de Janeiro, ainda mais que não tinham muito o hábito do banho, coisa que vieram a praticar com mais constância aprendendo com os índios.

 

  Jamais haverá unidade possível no mundo sem o respeito pela cultura alheia. Com esta afirmação, não estou defendendo as barbaridades praticadas por tribos e povos que mutilam a genitália feminina, que inferiorizam as mulheres, ou outro qualquer comportamento que desrespeite a Natureza ou o Ser Humano, isto deve ser suprimido de qualquer cultura, pois é uma aberração.

 

  Anteriormente, citei o caso da destruição preventiva de outras culturas pelos povos dominadores. Tal caso é mais visível, já que mais franco e brutal. Contudo, a mentalidade dominadora também se utiliza sistematicamente de outras formas de subjugar as outras culturas.

 

 

 O Mapa-Múndi

 

 

  Um dos primeiros mapas que se tem notícia é atribuído aos babilônios (aproximadamente 2300 a.C.). Os gregos, segundo se tem notícia, por volta do século VI a.C. criaram o primeiro mapa-múndi, atribuído ao filósofo Anaximandro. É deles a autoria de um dos mapas mais conhecidos da era clássica, realizado pelo geógrafo Eratóstenes, em 200 a.C. Ptolomeu, com sua obra Geografia (século I ou II de nossa era), introduziu uma cartografia bastante precisa, com base num método matemático de grande precisão, através de uma projeção cônica. É dele um sistema astronômico conhecido, que dominou o pensamento científico até o século XVI, o qual afirma que a Terra era imóvel e se situava no centro do Universo. Por se opor a esta teoria, muita gente queimou nas fogueiras ou se tornou vítima da Inquisição Católica culpado por heresia, até a Teoria do polonês Nikolai Kopernik (1473-1543) [3].

 

 

 

 

 Mapa-Múndi Ptolomáico (1486)

 

 

 

  Em 1154, o geógrafo árabe Al-Idrisi criou um mapa-múndi que foi o mais completo até o século XVI [4].

 

  Gerard Kremer (Gerardus) Mercartor (1512-1594), famoso geógrafo, cartógrafo e matemático flamengo, concebeu e desenvolveu em 1568 um sistema de projeção cartográfica que leva seu nome. Este sistema representa os meridianos (linhas retas imaginárias que cortam a Terra longitudinalmente) paralelos entre si, e os paralelos (linhas que cortam o planeta latitudinalmente) como linhas retas que cruzam os meridianos ortogonalmente (ângulo de 90º) [5]. A partir do sistema de Mercartor desenvolveram-se outros sistemas de projeção.

 

  Esta sucinta digressão através da história da cartografia tem por objetivo nos alicerçar para o que refletiremos a seguir.

 
  Como podemos observar, a geografia e a cartografia tiveram suas origens no Hemisfério Norte do planeta. Toda concepção e suas convenções tem por base, principalmente, os ditames europeus. Nos mapas-múndi convencionais, os continentes europeu, asiático e americano do norte, ficam acima, e a América do Sul, a África e Oceania, abaixo. Entretanto, tal fato é simples convenção (ou não!).

 

  A partir de nossos conhecimentos astronômicos sabemos que a Terra no espaço gira em torno do Sol. Porém, no espaço “em pé” ou “deitado”, esquerda ou direita, frente e atrás, são todos dependentes do referencial que se toma. Estando “em pé” ou de “cabeça para baixo”, nossa nave navegará até os confins do Universo, e nós jamais notaremos qualquer estranheza.

 

  A navegação no Hemisfério Norte tem por guia a estrela Polar, que não é vista no Sul. Em países do Hemisfério Sul, a melhor orientação é dada pelo Cruzeiro do Sul.

 

  Quando Mercartor criou o seu mapa, influenciado pelo domínio cultural europeu, situou os continentes do Norte na parte superior do mapa e a Europa no meio. Esta é a imagem que prevalece na maioria dos mapas-múndi até os dias de hoje.

 

 

 

 

 Mapa-Múndi Político (2001)


 

 

  Em 1884, foi escolhida “a antiga sede do observatório astronômico de Greenwich, atualmente um bairro da Grande Londres” [6], utilizado como marco zero para a definição das longitudes terrestres (cada grau de longitude (ou latitude) é dividido em 60 minutos e cada minuto em 60 segundos). Por causa desta convenção, a Inglaterra estará, privilegiadamente, na maioria dos mapas-múndi, até que se adote uma outra disposição, no centro da carta.

 

 

 

 

                                            Observatório de Greenwich

 

 

 

  Devido à convenção cartográfica baseada em Mercartor, os continentes das América e África apontam para baixo, como fossem triângulos invertidos. Nesta disposição, o mundo subdesenvolvido fica abaixo, e o dito Primeiro Mundo, acima, reafirmando visualmente a hegemonia econômica deste último.

 

  Como sabemos, os mapas são projeções cartográficas, ou seja, uma tentativa de transformar uma figura sólida (em três dimensões, no caso do planeta, um esferóide) em uma imagem plana de duas dimensões. Por mais preciso e veraz que se tente ser, isto sempre causará alguma distorção. Quem sabe, no futuro, com a evolução da holografia, o professor ao invés de esticar um surrado mapa plano do mundo feito de papel no quadro, ao contrário, poderá projetar no centro da sala um modelo exato da Terra. Assim, os alunos poderão ter a noção real de como são realmente as extensões geográficas planetárias, tal qual podem ser apreciadas pelos astronautas em órbita da Terra.

 

 

 

 

 A Terra vista por satélite
 (Fotos NASA - U.S. Geological Survey)

 

 

 

  Várias tentativas de acomodar estas distorções, comuns às projeções cartográficas, entre elas, destaca-se a de Peters, datada de 1974. Esta projeção é uma tentativa de se aproximar da realidade das áreas dos continentes. Nela, a África se agiganta e a Groenlândia sofre uma considerável redução.

 

 

 

 

 Mapa de Peters

 

 

 

  Contudo, mesmo no Mapa de Peters, a América do Norte, a Europa e a Ásia continuam no alto, e os demais continentes, abaixo.

 

  A idéia de virar o mundo de cabeça para baixo não é moderna, pois diversos cartógrafos já a partir da Era das Navegações, representavam a África e o Novo Mundo com as pontas voltadas para cima.

 

 

 

 

   Mapa-múndi do veneziano Jerônimo Marini (1512)   [7]

 

 

 

 


 Mapa-múndi de Nicolas Desliens, Dieppe (1567)

 

 

 


 

 

 


 Fotos de satélite (Nasa)

 

 

 

  Se observarmos uma imagem do mapa-múndi feita por satélite, virando-a de cabeça para baixo, teremos uma nova noção sobre o planeta. Fazendo assim, poderemos observar que imediatamente se destacam a África (que se destaca em qualquer visão), a América do Sul e a Oceania. Esta imagem também traz a sensação de que os continentes estão se movimentado da esquerda para a direita,de baixo para cima. Mesmo num mapa desenhado, temos uma sensação semelhante.

 

 

 

 

 

 

  A questão de nomenclatura não é tão importante. Norte, sul, leste e oeste, podem ficar confortavelmente invertidos em relação à tradição (o norte para baixo, o sul para cima, o leste para a esquerda e o oeste para a direita). Afinal, tudo isto não é uma convenção?

 

  Leste e oeste têm raízes sânscritas e indo-européias e querem dizer, simplesmente, lugar onde nasce e lugar onde se põe o sol. Norte e sul têm raízes anglo-saxônicas, e norte (north) é o ponto cardeal em que observador abrindo os seus braços, levando a sua mão direita em direção ao nascente e sua mão esquerda em direção ao poente fica à sua frente, e o sul (suth, south), o oposto ao norte. Como vemos, nada que justifique não podermos usar um mapa-múndi cujo sul esteja acima e o norte esteja abaixo.

 

  Quando usamos a expressão “o meu mundo parece virado de cabeça para baixo”, queremos dizer que sofremos um revés. Esta expressão é negativa. Demonstra a força psicológica e hegemonia cultural das nações do norte em relação às culturas do restante do mundo.

 

  Sempre foi hábito dos monarcas e pessoas de classe econômica ou de poder alta atenderem sentados numa posição mais elevada do que aqueles que lhes procuravam. Os tronos quase sempre estão num nível acima do restante da sala.

 

  Estar por cima é submeter, estar por baixo é submeter-se. Possa ser que eu me engane, mas há algo de muito dissimulado e perverso nas idéias cartográficas ao norte do Equador. Talvez quando o sul começar a valorizar-se, a América do Sul, a África e a Oceania, mudarão seus mapas. Psicologicamente, é provável que isto surta grande efeito na mente de seus povos, que se acostumarão desde a infância que estão “por cima”, como os reis, os vencedores, os vitoriosos, e não “por baixo” como os submissos, os vencidos, os subservientes.

 

  Então, mãos à obra, vamos virar os nossos mapas-múndi de cabeça para baixo. O único trabalho que vamos ter é girar em 180º os textos com os nomes das localidades, coisa que não dá lá tanto trabalho. Que a Paz esteja contigo.

 

 

***

 

 

[1] Grande Dicionário Etimológico-Prosódico da Língua Portuguesa. Francisco da Silveira Bueno, Edição Saraiva, São Paulo, 1968;

 

[2] Idem anterior;

 

[3] Enciclopédia Encarta 2000. Microsoft Corporation;

 

[4] Idem anterior;

 

[5] Idem anterior;

 

[6] Idem anterior;

 

[7] Mapas Históricos Brasileiros, da enciclopédia Grandes Personagens da Nossa História, ed. Abril Cultural, São Paulo/SP, 1969. Reprodução do fac-símile existente na mapoteca do Ministério das relações Exteriores, situada no Rio de Janeiro, no então estado da Guanabara. Orbis Universalis, 1512: O mapa-múndi do veneziano Jerônimo Marini, de 1512, é a primeira carta onde aparece o nome Brasil para designar as terras até então conhecidas como de Vera Cruz, Santa Cruz, dos papagaios ou "del brazille". Desenhado em pergaminho, é um dos poucos mapas manuscritos do início do século XVI hoje existentes. Está de cabeça para baixo, pois, por influência dos costumes árabes, ele é orientado pelo sul. A Palestina, onde há um presépio, é colocada no centro da Terra, conforme a tradição medieval. O mapa apresenta os defeitos da época, como a representação errada da Inglaterra. Por outro lado, é inovador quanto à colocação mais exata da Escandinávia e da península de Malaca. A obra de Marini, cujo original está na Libreria Antiquari Pio Luzzeti, em Roma, é de grande importância na história geral da cartografia, pois documenta uma concepção veneziana do mundo que estava sendo descoberto. O Equador, embora passando ao sul de Gibraltar, corta o Mediterrâneo, ainda considerado, como na Idade Média, o eixo das terras habitadas. É também característica veneziana a presença maciça das regiões asiáticas, pólo de atração da época. Da América, vê-se apenas a costa oriental, com destaque para o Brasil. Em torno do mapa estão alegorias representando o Sol, a Lua, as estrelas e os ventos. Nos extremos oriental e ocidental, duas esfinges simbolizam os mistérios do mundo, que só mais tarde Fernão de Magalhães decifraria. Fonte

 

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