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13/07/2003 |
O destino e os homens
Por
Thobias Almeida
Imagem: Reprodução

A vida parece correr nos conformes. A cabeça é requisitada somente
para desatar os nós do dia-a-dia. O coração bate robusto, vivo, nutrido pelo
amor a alguém. Os projetos de vida vão um a um ganhando forma, se
concretizando na pueril estrada do futuro. Os sonhos se apresentam mais
próximos, as conquistas comprazem a alma, os elogios enaltecem a capacidade
de ser e agir. E, de repente, ele age de maneira inesperada, trazendo
consigo a tristeza, a decepção, o lamento, a perda, a visão de que o trem da
vida descarrilou. Ele é o destino.
Num primeiro momento, o desespero de sentir os pés se desgrudarem do solo
firme é acachapante. Logo exclamamos, taxativos: “Não há mais volta”.
Procuramos então os culpados e as razões pelas quais o destino apontou sua
arma contra nossa tranqüilidade. Esquecemo-nos de que ele é isento de culpa
e age sem motivos maiores, ele simplesmente acontece. É inexorável e
incompreensível. Podemos até tentar controlá-lo, mas nunca conseguiremos,
não da maneira como prevemos. Ele é tão arredio quanto o mais selvagem dos
animais. Até aqui todos somos iguais.
Mas a maneira como lidamos com o imprevisto é que nos diferencia, a ação
ante o obstáculo separa os fracos dos grandes, faz brotarem os homens e
secarem os medíocres.
Há os que habitam a margem da angústia e do lamento. Estes adotam a
companhia das lágrimas, e nelas se afogarão. Serão engolidos pelos
acontecimentos e murcharão. Permanecerão resignados, queixando-se e
queixando-se até que as cortinas do espetáculo se fechem. E quando isso
acontece não há tempo para mais nada, muito menos para as lamúrias.
Do outro lado do rio da vida encontram-se os que se nutrem das
dificuldades. Estes enxergam em cada infortúnio um aprendizado, uma
possibilidade de exercitarem sua capacidade de superação. São homens que
realizam a mais nobre ação de um ser: o tentar. Estes não se intimidam com a
possibilidade do fracasso, estão dispostos a carregar em seus ombros o peso
do Sol caso isso lhes proporcione a vitória. A rendição transmuta-se no mais
vergonhoso dos pecados.
Óbvio que nem todos que tentam conseguem postar-se no altar dos gigantes,
mas com certeza tombam com a sensação de dever cumprido. Reconhecem a
potência do destino, mas não o temem, apenas o respeitam. Não se sentem
derrotados, pelo contrário, experimentam como ninguém o calor da atitude. Os
que se resignam ao se depararem com os espinhos do destino terão sempre suas
chagas expostas, infeccionadas, serão sempre reconhecidos como fracos e
impotentes.
É melhor aprender com as peças que o destino nos prega, pois a vida nada
mais é que uma montanha-russa, com suas subidas lentas e graduais
entremeadas por quedas bruscas. Aprendendo com as dificuldades, não mais
berraremos quando a descida estiver à nossa frente.
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