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 Beat VI


                                                                      

                                                                                                         Por
Plaz Mendes                                                                                                  Imagem: Reprodução

                   



Por que vocês abaixam seus vidros quando passam por nós?
Vocês se divertem rindo de nossas infelicidades
Somos a terceira geração vendendo água para suas bocas amargas
Somos os numerosos rostos nas filas e filas de concursos
E vocês acham que devemos ficar felizes com essas oportunidades, somos muitos e vocês querem nos dar poucas vagas, esmola. Sim. Esmola, nisso vocês são muito bons, e continuamos nessas filas intermináveis, nossos filhos logo se juntarão a nós e aí serão a quarta geração.
Vocês são espertos causadores de dor;
E ainda pensam que não sabemos o que é o amor, a vida sempre mostra o perdedor e nunca fomos os campeões da tv, somos figurantes de suas novelas, somos as piranhas de calcinhas, as bichas de papo loko, os braços direitos dos vilões,
Estamos buscando nossa chance, nossa pouca chance nessa vida miserável, culpa de quem?
Afirmação de suas lindas senhoras de cerâmica, cheias de speed em suas mentes dilaceradas de tanta ilusão, enquanto seus maridos estarão bebendo drink e jogando tênis em clubes importados, lotados de filhinhos de papa ou riquinhos ascendentes graças ao seu talento nato, seja ele com os pés ou a bunda, lógico, não sou moralista, ficar pelada é arte.
A arte estúpida de fingir felicidade; somos mestres nisso, querido, podes crer;
Somos espetinhos de carne prontos para serem assados na sua maldita
churrasqueira importada de alguma parte de canto nenhum, ela queima num beco soltando fumaça e acabando com nossa quarta geração, eu sei, você já viu esse filme na sessão das dez, acompanhado de sua mulher e de seus quinze filhos famintos, que choram não de fome, porque é feio reclamar disso, mas derramar lágrimas porque de frente ao aparelho multicor é permitido, como dizem eles, até deus vê televisão!!!
Até os nobres de sangue azul choram ao perder um dente de ouro;
Até os viciados se perdem do nada quando a coca acaba;
E todas aquelas pobres crianças, você não viu, lastimadas pela perda de suas cocas geladas.
Estamos vendendo e roubando de nós mesmos
Somos o nosso próprio espetáculo pintado com sangue inocente
E impostos indecentes;
Queremos greve e ganhamos um sincero aumento.
Agora sim, querida, posso comprar um churrasquinho de gato para todos os nossos quinze filhos;
Salve o presidente;
Salve a televisão;
Salve esse deus comercial das nove.
Somos a quinta geração...

 


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