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desde 13/07/2003

 

    O Rock Brasileiro vive um passeio lunar 

 

 


    Por
Tiago Tellini
 Imagens: Reprodução

 

   

 

 

 

  Sim. Novamente decolamos, é claro que pode demorar alguns 10 anos para que este vôo tome proporções nas estações de rádio das esquinas deste país, ou mesmo nunca apareça e fique encoberto pelas nuvens da mesmice que vivemos hoje. Até aí, foda-se! Pois é na esfera subterrânea, sem o pacto sanguinário comercial, onde decolamos numa viagem de sinais visuais e fonéticos, através dos quais estabelecemos a comunicação entre o fantástico e o real.
 

  Uns dizem que isto é reflexo dos anos 80, 70, 60(...). Pouco interessa,
porque o que meus olhos vêem é um reflexo de estrelas com brilhos próprios, que respiram, rastejam dentro do túnel que começou a ser cavado com Betinho & Seu Conjunto, consolidando-se com a popularidade da Jovem Guarda e com a “acidez” da Tropicália, que soma meio século de experiências elétricas, atitudes e imprudências, cozinhando a sopa que nos alimenta hoje.


  Digo isto porque ultimamente meu caminho, 24 de Maio/Galeria/São João/Paulista/Consolação, me deixa sempre com uma novidade no fone de ouvido, e o vagão lotado Corinthians-Itaquera segue mais colorido aos riffs do movimento de bandas como “Os Skywalkers”, “Laranja Freak”, “Mopho”, “FuzzFaces”, “Laboratório-SP”, “Los Piratas”, “Mombojó”, “Pipodélica”, etc (...) e, assim, ando embriagado.

                                                 
                               
                                               Mopho


                               
                                              FuzzFaces

  
                        
                                          
  Pipodélica


  Algumas destas vão grudando pelo espaço de minhas idéias, conquistando endereços fixos na minha memória, assim como Av. Momento 68, Praça Graforréia Xilarmônica, Viaduto mundo livre s/a que corta a cidade Mutante Arnaldo Baptista.


  E tenho a sorte de entrar no Caffeine Estúdio com cinco reais e acordar numa serigrafia sixtie rodeado pelo visual Vintage Mod, deixando escapar o compasso das idéias, soltando alguns esbarrões de passos duros, suingados, grudados ao chão, embalados na sujeira dos Migalhas (
foto acima). Digamos, um “Momento Tropitralhista”. Saio fedendo a cigarro com um sorriso de cada lado. Lembrar da primeira vez que ZenMakumba (Skywalkers) girou na minha vitrola-player foi como voltar aos 8 anos de idade e ver de longe o PlayCenter do banco traseiro de um Voyage 1984 e, com o ingresso na mão, vendo-o se aproximar, gritar: “Pai, quero andar em todos”!




                      
                           
     ZenMacumba, dos Skywalkers


  Acordar num domingo, com aquela companheira dor de cabeça dos Martinis Coisa e Tal, apertar o play e passear no astral(...). “Nada vai mudar, as coisas são assim, já nem lembro, nem pensuuuu...” para depois sair escorregando “Sob o céu de São Paulo” pelo rolamento do skate nas curvas da Zona Leste à 300 km/h, como diria o rei Erasmo!

  Bem, o que mais posso dizer?

  - Desejo isso até para os meus inimigos!

  O gostoso é ver o descaso dos meios de comunicação, abrindo espaço para os fanzines, e-zines, blogs, que se espalham pelo país afora, fortalecendo ainda mais a cultura underground do país.

  Agradeço também à globalização que ao mesmo tempo que nos oprime e nos faz transbordar, toma esse mundo punk cibernético, formando um novo conceito, uma nova-velha vida ao rock-garagem das periferias, uma auto-reciclagem que preenche o coração desta juventude carente de perspectivas, de arte, de diversão, de atenção. É sem dúvida um novo traço, um novo passeio atmosférico, um novo rumo ao mundo que voltou a ser careta e que está deixando de ser novamente. Posso dizer que estamos prestes a pisar na Lua como em 1969.

 
 

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