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desde 13/07/2003


  Documentário: A Cidade dos Jovens  

 
* Entrevista com Júlia Machado *





 
Por
Daniel Paes

 Imagens: Divulgação

 

 

 

                  
                    


  Filmado em 2006, o documentário de estréia da diretora chamou atenção e foi premiado com uma menção honrosa na 11ª edição do Festival do Filme Etnográfico, realizado no Rio de Janeiro. Nele, quatro jovens – Reizinho, Juliana, Flávio e Fernanda - narram sonhos, prazeres, medos e frustrações presentes em seu cotidiano na Cidade de Deus, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. O cruzamento de suas falas – diretas, simples e, por vezes, contraditórias – cria um diálogo sobre a realidade humana vivida por eles.

 

 

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 Dissonância – Qual sua formação?

 Júlia Machado -  Estudo jornalismo na PUC-RJ e participo de pesquisa na área de cinema pelo CNPq/Pibic.

 Dissonância – Como surgiu a idéia de filmar um documentário sobre os jovens da Cidade de Deus?
 

 Júlia Machado -  A idéia foi desenvolvida a partir de um tema, a identidade dos jovens do século XXI, proposto pelo seminário latino-americano dos Criadores de Imagens Cristãs para a sua 19ª edição. Eles estabeleceram como recorte a dificuldade de acesso às multimídias. Essa dificuldade poderia ter as mais diferentes causas. Teve um grupo de São Paulo, por exemplo, que trabalhou com a questão da surdez. Nós entendemos que seria interessante de se trabalhar, aqui no Rio de Janeiro, com as zonas de exclusão social - as favelas. Em um primeiro momento, decidimos abordar quatro regiões distintas da cidade. Entretanto, logo percebemos que haveria aí uma grande dificuldade de produção em um prazo de poucos meses. Outro problema seria uma inevitável superficialidade no tratamento de cada um desses universos, com suas particularidades nas relações e nos grupos, em um documentário que deveria ter, no máximo, trinta minutos. Definido que trabalharíamos em apenas um local, a opção pela Cidade de Deus se deu porque esta se tornou internacionalmente conhecida através do filme homônimo de Fernando Meirelles, numa narrativa marcadamente composta por jovens. Assim, nela também poderíamos trabalhar com a questão da representação. Este aspecto permitiria ampliar a discussão da identidade, ao estabelecer um diálogo com uma construção anterior.

 Dissonância – Quais as dificuldades encontradas durante a produção? Quanto tempo levou o processo?

 Júlia Machado -  Levamos em torno de seis meses, desde as primeiras reuniões até o envio do dvd para o organizador do seminário. Felizmente, contamos com a facilidade de poder usar, sem nenhum custo, os equipamentos da faculdade. Ou seja, isso simplesmente permitiu que o projeto fosse realizado, o que é muito importante. Entretanto, ninguém estava recebendo dinheiro para realizar o projeto e, por isso, tínhamos que conciliar a produção com as outras atividades cotidianas: faculdade, estágio, emprego, etc. Essa foi a principal dificuldade que encontramos, pois levávamos muito tempo de uma filmagem a outra, ou tínhamos de filmar em um espaço de tempo curto, por exemplo.

 

 

                                    
 



 Dissonância – Como foi a recepção ao filme?


 Júlia Machado -  As respostas têm sido bastante positivas. Já no seminário, realizado em 2006, recebeu elogios do crítico e teórico colombiano German Rey e do escritor e dramaturgo Alcione Araújo. Foi selecionado para a 11ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico, recebendo uma Menção Honrosa da OCIC, e também foi exibido pelo Festival Hutúz. Além desses eventos, venho distribuindo cópias entre professores, familiares e amigos, que, por sua vez, vêm exibindo, por conta própria, para outras pessoas. Um sinal de que não só gostaram, mas que consideram como algo relevante de ser mostrado. De alguma maneira, as pessoas admiram algum aspecto do filme, ou mesmo, das personagens. Os comentários foram os mais diversos, e sempre gerou algum tipo de diálogo, e, por vezes, discussões fervorosas! Vejo como um mérito não ter fechado a leitura, apresentando as identidades, mas também as contradições entre os discursos e as expressões de singularidade.

 Dissonância – Foi difícil filmar numa das maiores favelas do Rio de Janeiro? Sua visão daquele bairro mudou?

 

 

 

                  

 

 


 Júlia Machado -  É essencial que o contato com a comunidade seja mediado por alguém que more no local, atuando como uma espécie de guia. A pessoa com a qual contamos inicialmente para exercer esse papel foi Anderson Quak, na época funcionário do Departamento de Comunicação da PUC-Rio e diretor dos núcleos de teatro e audiovisual da Central Única das Favelas (Cufa). Já durante as filmagens, foram as próprias personagens que passaram a nos guiar e a nos acompanhar. Com esses cuidados, não tivemos nenhum problema em filmar lá. Quanto à visão sobre o local, essa é uma das questões de fundo do documentário. Nunca tinha ido lá, e passei a conhecer uma parte das inúmeras realidades presentes naquele local. Isso que mudou. Passei a ver ali uma complexidade.

 Dissonância – Como foi o contato com os jovens?

 Júlia Machado -  Fomos muito bem recebidos, e sem muita cerimônia - como se já fôssemos de casa. De ambas as partes, houve a abertura ao outro. Acredito que essa relação se reflete no filme. Talvez tenha facilitado a aproximação o fato de não termos chegado lá com a pose de uma equipe profissional. Éramos um pequeno grupo de universitários, sem muitos recursos. Eles constantemente nos ajudaram na produção, levando nos aos lugares, acompanhando as filmagens, promovendo imagens de apoio, como, por exemplo,
as que foram feitas de moto. Mesmo após as filmagens, o contato permaneceu. Ainda hoje, converso com eles pelo MSN e pelo e-mail.

                  



 


 . Ficha Técnica .

Título Original: A Cidade dos Jovens
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 31 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Júlia Machado
Roteiro: Júlia Machado
Produção: Júlia Machado
Fotografia: Gabriela Zambrone
Edição: Júlia Machado

http://www.acidadedosjovens.blogspot.com


 

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