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  Roger Waters apresenta Pink Floyd para 45 mil pessoas em São Paulo  

 



 Por Gisele Santos

 Imagens: Marcelo Rossi

 

 


        
            


  Microfonia? Alguns solos distorcidos ou desafinados? Nenhum desses problemas incomodaram as 45 mil pessoas que assistiram ao show "The Dark Side Of The Moon" comandado por Roger Waters no estádio do Morumbi, em São Paulo, no sábado, 24 de março.

  O espetáculo começou às 21h05min com "In the Flesh", seguida de "Mother", que já anunciavam a potência do equipamento de som. O telão de alta resolução do palco iluminava o estádio e servia como plano de fundo com várias imagens, principalmente psicodélicas, deixando os presentes ainda mais extasiados.

  Quando Waters e banda estavam finalizando "Have a cigar", o som sumiu e todos na platéia ficaram assustados, imaginando que fosse algum problema técnico igual ao que aconteceu na noite anterior durante o show do Rio de Janeiro. Mas, em seguida, uma mão apareceu nos três telões tentando sintonizar um rádio, e entre os ruídos da troca de estações começaram os primeiros riffs de "Wish You Were Here". O público, diferente das outras músicas até então tocadas, cantou essa em coro, do início ao fim, fazendo um show à parte e a maioria iluminou o estádio com isqueiros e celulares.

  Durante "Sheep" - música que finalizou a primeira parte do show - um porco cor-de-rosa de dez metros foi inflado para sobrevoar o estádio puxado por cabos. Esse porco foi pichado com algumas frases contra violência e também contra os políticos, principalmente o presidente dos Estados Unidos: "Bush, o Brasil não está à venda!".




            



  Após 15 minutos de intervalo, enquanto a platéia se divertia fazendo "olas" e gritava em coro "Olê, Olê, Waters, Waters", os músicos voltaram ao palco com a segunda parte do espetáculo, baseada em clássicos do CD "Dark Site of the Moon", lançado em 1973, que vendeu mais de 40 milhões de cópias e ficou por 15 anos na parada dos mais vendidos da Billboard.

  Um prisma de laser, que fazia parte da pirâmide erguida por um guindaste a 70 metros no topo do palco, iluminava as arquibancadas e ao final de "Any Colour You Like" as cores foram unidas formando um arco-íris.

  No bis, Waters falou em português "Vamos aplaudir as crianças do Projeto Guri" e o público obedeceu. Enquanto os quinze jovens adentravam ao palco, usando a camiseta com a mensagem "O Medo Constrói Muralhas", começava o clássico "Another Brick In The Wall", também acompanhado pela platéia que cantava em coro. Muitas pessoas choraram durante essa música. O Projeto Guri é uma associação que promove inclusão social e cultural de jovens e crianças em São Paulo. "Comfortably Numb" encerrou o set list que durou um pouco mais de 2h30min.

  Waters, 63 anos, mostrou estar em boa forma caminhando por todo o palco durante a apresentação. O músico britânico e a banda que o acompanhava são muito profissionais - com destaque pro coral formado por três mulheres e também aos naipes de metal. E, além disso, mostraram alegria em tocar e cantar, diferente de muitos astros internacionais que apenas cumprem agenda para receber o cachê.

  "Roger Waters conseguiu se superar, pois foi ainda melhor que o show realizado em 2002, no estádio do Pacaembu", disse empolgado Rogério Santos, 22 anos, morador de Curitiba, que viajou até São Paulo para assistir ao show.




      



  A turnê "The Dark Side of The Moon" foi lançada no Rock in Rio Lisboa, em 2005, com repertório e conceito visual baseados em shows do Pink Floyd nos anos 70. A CIE Brasil negociou durante um ano a vinda desse show ao Brasil, e para a felicidade dos fãs brasileiros - que esperavam mais de trinta anos por esse acontecimento -, puderam finalmente conferir como é um show do Pink Floyd, pois Roger Waters consegue nessa turnê chegar muito próximo do que fazia ao vivo com seus ex-companheiros de banda.


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