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    Canudos é aqui


                                                                      

                                                                                        
                                                                                                        Por Fernando Paiva
                                                                                                     Imagem: Reprodução

                                                                                                       
                 


 

 

  O Rio viveu um dia de Canudos. A capital fluminense presenciou na última quarta-feira, 27, a maior operação policial da história do país. Mais de 1,3 mil “homens da lei” invadiram o morro do Complexo do Alemão. Mataram pelo menos 19 pessoas e feriram outras tantas. Mas não tinha nenhum Antônio Conselheiro. E não havia resistência popular armada alimentada pela fé.
 

  De comum em relação a Canudos o que havia era o eterno desejo que o Estado tem pelo controle, custe o que custar. Por falar em custo, se o preço a ser pago pela manutenção do controle for de vidas de pessoas pobres, tudo fica mais fácil. Afinal, para essas pessoas a Justiça não funciona. Elas só têm valor para o Estado quando se aproximam as eleições.

  Fala-se tanto em impunidade dos criminosos... E quanto à impunidade do Estado? Entra sem bater, atira primeiro e pergunta depois, mata e enterra como indigente, e daí? Para evitar problemas, os mortos são sempre classificados como traficantes. O ônus da prova cabe à família da vítima, não ao Estado assassino, em uma flagrante inversão das leis desse mesmo Estado.

  A política de segurança pública do Rio de Janeiro é um desastre há décadas. Aqui adotou-se a estratégia do confronto permanente. Criou-se um círculo vicioso. A polícia mata um, os traficantes matam dois para revidar, a polícia mata três como vingança e por aí vai. No meio desse fogo cruzado, quem paga a conta são milhares de pessoas pobres e honestas que vivem nas favelas. As crianças dessas comunidades não têm medo de bruxas ou Bicho-Papão. Têm medo é do Caveirão, o carro blindado da PM que percorre as favelas atirando a esmo e entoando canções de terror que marcarão para sempre a vida das crianças do local.

  Este ano a violência policial parece ter se intensificado no Rio. Só no Complexo do Alemão já morreram cerca de 60 pessoas em três meses, vítimas dos confrontos entre policias e traficantes. Tudo isso a troco de quê? De uma tentativa de limpar a cidade às vésperas dos Jogos Pan-Americanos. Matam os traficantes, matam os favelados e varre-se a pobreza para debaixo do tapete vermelho que se estenderá às delegações de atletas. Um tapete vermelho de sangue. Uma vergonha para a cidade, para os cariocas e para o Brasil.

 

 

 Para quem quiser se aprofundar no tema, recomendo os seguintes websites:  

 * Caveirão Não: http://www.caveiraonao.org

 
* Observatório das favelas – http://www.observatoriodefavelas.org.br 

 * Rio Body Count - http://www.riobodycount.com.br


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