(...) Well, show me the way
To the next whiskey bar
Oh, don't ask why
Oh, don't ask why (...)
trecho de "Alabama Song", The Doors
Éramos cinco, quase nome de livro,
hein? Eu, minha companheira, um amigo e suas duas companhias, pequeno grupo
que a pouco fora formado, coisa de encontro na estação... Três mais dois, cinco, talvez
uma ameaça ao segurança do Pepsi On Stage, em Porto Alegre (RS), que perdeu de ouvir
"Alabama Song" quando moleque e não quis
me mostrar o caminho:
- Boa noite, com licença, poderia me mostrar o
caminho? - para poupar de escrever ao leitor que eu queria saber o
acesso à casa.
Pela resposta do mancebo, tentei encontrar uma
embriaguez na qual eu não estava, deu uma sensação de ter dito abertamente que ainda agora
estava com a mulher e na casa dele... Ou que o meu Português era um dialeto
para o nível do guardião, traduzi, peguei o dicionário na cabeça em rápidos
segundos, vi má-vontade e preferi não
continuar. A inflada nas narinas do The Bodyguard não era um bom cartão de visitas, se
repetisse a minha dúvida provavelmente seria um homem não morto, mas
hematoma é foda. No show dos Riders on the Storm, metade do time do The
Doors, a porta do whiskey bar do Alabama porto-alegrense até estava aberta,
porém não bem lubrificada.
(...) Your life's complete
Follow me down
Can't you see me growing, get your guns
The time has come (...)
trecho de "Tell
All
The People", Robby Krieger
O papo do Robby Krieger, logo acima, não agradou nem ao Morrison,
na época do "The Soft Parade", de 1969. Segundo as lendas roqueiras, cada um
assinou as respectivas composições, sem atribuir à banda, fruto da objeção
do Jim a cantar o trecho que quase sobrou pra mim, haja vista a recepção à
la Os Imperdoáveis: pegar em armas. Desarmado e sem porquê para perigoso, saí pela tangente,
como o Rei Lagarto (e o Leão da Montanha) que não quis cantá-la...
Os 30 segundos de
Desejo de Matar, detalhe que na história eu não era o Charles Bronson, foram
suficientes para o trio seguir para um lado e a dupla para outro. Eu não
teria a chance de ver "Os Doors do Século XXI" ao lado do Presidente do
Tribunal de Nuremberg, de São Leopoldo (RS), uma Turma do Amendoim nos jogos
do Palmeiras no Parque Antactica, ou em Português não criptografado, 8 ou 10
que se espraiam em alguns shows e ai das afinações... Pobres notas erradas,
júri que nem Krieger deve ter sido salvo...
(...) Made the scene from week to week
Day to day, hour to hour
The gate is straight
Deep and wide
Break on through to the other side (...)
trecho de "Break on Through", The Doors
Atravessamos para o outro lado. O que interessava, ver e ouvir o
que discos e mil imagens trouxeram de expectativas quando o espetáculo é
de
uma grande banda como os Doors/Riders on the Storm, verbetes no
dicionário do Rock. Sem preocupação de separá-las, apesar dos desfalques do
time,
prontamente substituídos num jogo que poderia ter terminado. E esse é o
lance, é o que me fez esperar e talvez ser um dos últimos a citar a passagem
do quinteto pelo Brasil, juntei na memória o que assisti em
Ainda Muito
Loucos
(Still Crazy), filme muito interessante e que consagra uma banda que não
existiu, a Strange Fruit, vale a curiosidade em torno dele. Bandas que voltam... Mercenários como os Pistols?
Metade do time como o Led Zepellin? Perda de tempo, ruim mesmo é a volta dos
que não foram, que pegaram carona nestes ventos filmados e antecipados na Inglaterra,
final da década de 90. Na era glacial neoliberal, ou se preferir década
2000, saem os covers, entram as reuniões! Dito e feito, só que ninguém
contava - mas era óbvio - com o retorno - olhe a volta dos que não foram aí!
- dos covers a ocupar a lista de
atrações dos bares. No máximo, trabalhos que "reúnem o pessoal" de duas ou
três bandas da hora e fazem um som conceitual... :(
(...)
Riders on the storm,
into this house we're born,
into this world we're thrown
like a dog without a bone,
an actor out alone
(...)
trecho de "Riders on the Storm", The Doors
Com trombetas de Carmina Burana para anunciar a cavalaria, não
tem pra ninguém a "parceria" dos californianos com Carl Orff, verdadeiro autor. Aliás, difícil não
lembrar do Jim Morrison durante a execução desta música... Ou da estátua cara de pau (de mármore,
talvez), num cemitério de Paris, que fecha filmes como "The Doors",
de Oliver Stone, e "The Doors - Live in Europe 1968" e a única
tour do então quarteto pela Europa.
Ty Dennis (bateria), Phil Chen (baixo e camisa à la Grêmio) e Brett
Scallions (vocal)
juntaram-se a Ray Manzarek (teclados, vocais e doses de cachaça) e Robby
Krieger (guitarrista), eles mesmos. Sai "O Fortuna" de Carmina Burana e
chega "Love Me Two Times", em ponto, 22 horas, pontualidade para dois jovens senhores... Talvez
cinco mil pessoas assistiram à avalancha de êxitos.
Os detalhes, que tanto importavam num outro canto "Rock" da cidade, tipo "se
é hype ou não é" (blergh!), ao lado do Aeroporto Salgado Filho o céu era de
brigadeiro, uma amostra de parte da mística dos Doors. Profissional na batera,
baixista oriental que já tocou com Ray
Charles, Peter Frampton, Chuck Berry, para citar alguns... Não seria o
vocalista, por não ser o Jim, que pagaria a conta; a sua antiga banda, "Fuel", apesar de parecida com mais umas 7 ou 8
do final dos anos 90 e início desta, efetivou Scallions como cavaleiro da
tempestade. Tem também uns vídeos que circulam na www nos quais ele canta ao lado de Duff McKagan e
Slash, do Guns 'n' Roses, mais para front man que an american prayer.
(...)
So when the music's over
When the music's over, yeah
When the music's over
Turn out the lights (...)
trecho de "When The Music's Over", The Doors
Então a música teria que terminar, a tempestade iria dar lugar ao sol, esperado
a partir de quando um saudoso amigo, num whiskey bar do interior do Brasil,
recinto de tacos de sinuca e testosterona, onde
progesterona dificilmente entrava sequer para comprar a caixa de palitos de
fósforos que acabou perto do almoço... Saí de lá
com o "kit The Doors" semicompleto, quarteto no Hollywood Bowl, discos, VHS, letras
traduzidas, toda a preparação involuntária para o 12.04.2008. Após passarem
sambinhas encachaçados, maracas xamânicas e covers como "Gloria", do Them de Van
Morrison, ou a decantada "Alabama Song (Whisky Bar)", sempre junta de "Back Door Man", as duas do primeiro álbum, de 1967. Sol e fogo
acendidos, da épica "Waiting For The Sun" no meio e "Light My Fire",
desconstruída na saideira,
as portas abriram um déjà vu de primeira viagem... Sem acompanhar a "Spanish
Caravan", por favor!

Morrison Hotel 2,
Paris
(Reprodução)
Saiba mais:
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Riders on
the Storm
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The Doors
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