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Sobre edifícios contendo a respiração, segue em marcha de pingüim o
homem são
Por dentro das torres, andares, escadas e persianas, espreita o
homem com olhos de gana
O tempo comum. Três ponteiros, mulheres nuas, fumaças fora, dentro e
além Anda como um boi vendo o martelo, o homem de bem
Para onde foi a prosa dessa criatura, já nem sozinho fala o homem a
essa altura
Lendo revistas semanais, sentado, ereto no metrô, ele tem a certeza de
professor Sem saber o que é, nosso homem espera sem dor.
Nome trocado pela operadora de telemarquetingue de dia Caatinga no
ônibus zona sul-zona norte à tardinha
Morte na calçada, desvia o homem que não quer mais morte por perto
Ele corre para casa onde, há algo escondido, febril e certo
Sua rua, sua calçada, seu portão e sua grade que mantém bem guardado
O nosso homem não gosta de ser visto pelado
Sua porta, sua sala, sua poltrona e a mulher O nosso homem nem
suspeita, mas dele ela já não é
O homem tapa o sol com as mãos E em tarja preta seu olho se cobre
Súbito por sobre o edifício, o pingüim, o boi, o tempo e a tarde,
Nosso homem, visto assim de longe, cada vez mais encolhe.
Texto + Imagens:
Daniel
Paes
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