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13/07/2003 |
"Amazonas
Para o Mundo Ver" se apresenta no inverno gaúcho
Por
Aline Ebert
Imagens:
Norma Figueredo
A antiga, porém recente polemizada, disputa pela Amazônia, vale lembrar, não
é só um caso político e ambiental. Milhares de
moradores daquela região buscam diferentes formas de mostrar outras riquezas
da terra, a exemplo do projeto “Amazonas Para o
Mundo Ver”, que está percorrendo o Brasil e logo mais o mundo.
O espetáculo fez uma de suas apresentações no dia 10 de junho, uma
terça-feira muito fria (menos de 5 graus), no Galpão
Crioulo da Ulbra, em Canoas (RS). Vinte e dois dançarinos, oito músicos e
dois apresentadores, todos com a pele da cor
indígena, cabelos negros, corpos desenhados e olhos bonitos típicos dos
nascidos na região, representam, em diversos atos,
uma celebração à Amazônia, tradicionalmente mostrada no Festival de
Parintins, onde competem as agremiações do Boi Garantido,
representado pela cor vermelha, e Boi Caprichoso, pela azul.
Wilson Nobre, um dos fundadores do grupo e, no show, apresentador e cantor,
vem ao meu encontro. Ele usa jaqueta
relativamente fina, luvas pretas de lã e jeans. Lembra que o espetáculo
busca alertar para a preservação da Amazônia.
Questiono sobre o que acha da recente midiatização do problema antigo.
“Estão começando a impor, mas está atrasado. A
Amazônia está sendo comprada pouco a pouco”, fala.
O cenário é relativamente simples e, por isso mesmo, belíssimo. Tudo ali
fora criado e produzido por eles mesmos. O fundo e
as laterais do grande palco de madeira são cobertos por tecido branco que,
pintado, representa a selva e têm também os olhos
de uma índia. Toda a beirada do palco recebeu folhagens artificiais, muitas.
O espetáculo inicia.
Gravações ecoam “Amazônia vive”, “Viva o índio do Brasil”, “Viva o povo da
floresta, Chico Mendes, Marajoara, o verde da
Amazônia, os guardiões da floresta”, entre outras. A batida do bumbo bate
forte nos corações de quem está presente que,
timidamente, parece começar a se aquecer e envolver na apresentação.
Curupira, a Deusa do Amor; o ritual de guerra dos índios; os caboclos
ribeirinhos; as araras; Oiaporanga, que representa a
beleza da mulher amazonense, a padroeira do Amazonas, são alguns dos
assuntos abordados de forma efusiva e contagiante. Sem
falar da parte que envolve a galera, as cores de Garantido e Caprichoso
relacionadas aos times Grêmio e Internacional daqui.
O clima era realmente congelante, mas os dançarinos não demonstravam frio,
trocando constantemente de figurino, sempre com
peças que deixavam boa parte de seus corpos à mostra dos olhos atentos e do
frio.
Shirlene Almeida Batista tem apenas 24 anos e há 4 dedica sua vida ao grupo.
“Já dançava desde os 13, mas como aqui temos um
salário, uni o útil ao que eu adoro”. Shirlene é um dos destaques. Com
traços totalmente indígenas e corpo bem brasileiro,
chama atenção na apresentação representando a arara e Oiaporanga. Ela está
feliz e enche os olhos de lágrimas ao falar do que
faz: “Somos acostumados com média de 38 graus, mas aqui esqueço tudo, vivo
coreografia e cena”.
Já o dançarino Wayne Costa, de 28 anos, é um dos mais antigos do grupo, com
7 anos e meio de participação. Ele se diz
agraciado com o carinho do público por onde passam. “Queremos que os povos
de juntem com força”, idealiza.
A noite ainda reservou a amizade com uma fotógrafa, dona Norma Figueredo, de
81 anos. Vendo-a clicar com sua câmera cheia de
recursos, não hesitei e convidei para esta parceria na matéria. “Sou
amadora, crítica com minhas fotos, vamos ver como vai
ficar e te mando. Fotografar show é para profissional, tem muita variação de
luzes coloridas, requer muita prática”, nos
ensina.
Mais informações:
www.encantovermelho.com.br
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