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As nuvens pairando sobre...
Intermináveis geleiras flutuantes, empurradas pelo vento.
Oceanos glaciais suspensos pairando sobre nossas cabeças,
pacientes como o infinito.
Gigantescas massas de água sólida deslizando os mares, pontilhadas
de pequenos pássaros sinuosos.
Nem o vento que as carrega sabe o seu peso.
Lampejo de luz intensa, abrupta, clara e cegante.
A vagareza sobre o meu pescoço torcido, demonstrando uma
velocidade espantosa.
Trazem milhões de gotas já nem tão límpidas, a realizar a
hemodiálise citadina.
O céu de gelo carregado pelos ventos, que dobram as árvores até a
raiz.
Os pássaros perfuram-no por que conhecem o fenômeno.
Os homens recolhem-se em suas casas secas e covardes.
Os homens fecham os olhos ao mau tempo.
Os homens não sabem de nada e apenas disso eles sabem.
Miseráveis mentes impermeáveis. À luz, e também ao que não lhes
convém perceber.
O alto apagado em branco, sobre branco fosco sobre cinzento, gelo.
Tudo deve ater-se à sua parte e nada pode parar o tudo.
Então o homem consegue sentir apenas medo.
Medo da umidade.
E as nuvens cairão, em sua imensa estrutura corpórea.
Raladas, e desfeitas em inofensivos e penetrantes pingos de chuva.
Texto + Imagem:
João Zandoná
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