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Cartas aos dissonantes
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Então desliguei o rádio, peguei meu mp3 e resolvi ouvir Titãs. O refrão dizia: “Polícia para quem precisa/ Polícia para quem precisa de polícia/ Dizem que ela existe para ajudar/ Dizem que ela existe para proteger/ Só sei que ela pode te matar/ Só sei que ela pode te prender...”. Desliguei o mp3, tentei dormir e nada. No fim aquilo ficou na minha cabeça. Comecei a imaginar nossa lógica social. De um lado policiais mal pagos e despreparados, de outro traficantes, assaltantes e larápios de toda a espécie, no meio do fogo cruzado a sociedade civil, e acima de tudo isso, numa espécie de paraíso, estão os governantes. Como disse o verdadeiro Capitão Nascimento, em entrevista à Revista Trip em 2001, defendendo que policiais devem estudar sociologia: “Policial tem que entender de crime. Quem tem que entender de direito é advogado”. Concordo. Mas preciso fazer a ressalva de que político entende de enganação e não de administração, por isso a ineficácia nas gestões policiais. O governo é o reflexo de nossa irresponsabilidade política, pois votos negligentes resultam em “polititica” de galinha. Os policiais antes de sê-los, são assalariados que trabalham com equipamento defasado, salário médio de R$ 700,00 e uma família para sustentar, exatamente igual as suas vítimas. São responsabilizados por serem a parte mais fraca da corda. Enquanto isso, os governantes tomam whisky escocês sentados atrás de suas mesas com suas secretárias gostosas sempre à disposição.
Caro amigo, queria
ressaltar que não se trata de defender policiais que matam inocentes, mas, sim,
de responsabilizar amplamente todos envolvidos no processo. Mas como a justiça é
lenta e a máquina cotidiana é rápida, sugiro que você compre seu colete à prova
de balas e não esqueça: sempre que ver um policial deite no chão, afinal, é a
melhor forma de não ser o alvo de uma bala perdida.
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