Cartas aos dissonantes

por Ricardo Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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desde 13/07/2003


 Polícia para quem precisa

 

   
   Caros dissonantes, 

  Como você bem sabe, estive imerso na mais absoluta alienação nos últimos dias, mas resolvi voltar ao mundo real e abrir os olhos. Comecei lendo jornal, depois migrei para controle remoto e por fim resolvi por os fones e ouvir algo no rádio. Em resumo: todos falavam sobre policiais que matam inocentes. 

  Então desliguei o rádio, peguei meu mp3 e resolvi ouvir Titãs. O refrão dizia: “Polícia para quem precisa/ Polícia para quem precisa de polícia/ Dizem que ela existe para ajudar/ Dizem que ela existe para proteger/ Só sei que ela pode te matar/ Só sei que ela pode te prender...”. Desliguei o mp3, tentei dormir e nada. 

  No fim aquilo ficou na minha cabeça. Comecei a imaginar nossa lógica social. De um lado policiais mal pagos e despreparados, de outro traficantes, assaltantes e larápios de toda a espécie, no meio do fogo cruzado a sociedade civil, e acima de tudo isso, numa espécie de paraíso, estão os governantes. 

  Como disse o verdadeiro Capitão Nascimento, em entrevista à Revista Trip em 2001, defendendo que policiais devem estudar sociologia: “Policial tem que entender de crime. Quem tem que entender de direito é advogado”. Concordo. Mas preciso fazer a ressalva de que político entende de enganação e não de administração, por isso a ineficácia nas gestões policiais. 

  O governo é o reflexo de nossa irresponsabilidade política, pois votos negligentes resultam em “polititica” de galinha. Os policiais antes de sê-los, são assalariados que trabalham com equipamento defasado, salário médio de R$ 700,00 e uma família para sustentar, exatamente igual as suas vítimas. São responsabilizados por serem a parte mais fraca da corda. Enquanto isso, os governantes tomam whisky escocês sentados atrás de suas mesas com suas secretárias gostosas sempre à disposição. 

  Caro amigo, queria ressaltar que não se trata de defender policiais que matam inocentes, mas, sim, de responsabilizar amplamente todos envolvidos no processo. Mas como a justiça é lenta e a máquina cotidiana é rápida, sugiro que você compre seu colete à prova de balas e não esqueça: sempre que ver um policial deite no chão, afinal, é a melhor forma de não ser o alvo de uma bala perdida.

   Abraço,

  Ricardo Machado


PS:
Ricardo Machado é estudante de jornalismo e ainda
não conseguiu comprar seu colete à prova de balas.
 

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