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 Salvem o documentário brasileiro

 

                                                                                                Por Fernando Paiva
                                                                                            
Imagem: Reprodução

                                                                                       
                               

Caixa de texto:  
  É difícil escrever sobre “Jogo de cena”, mais recente documentário de Eduardo Coutinho. Isso porque se trata de um daqueles filmes sobre os quais é preciso tomar muito cuidado com o que se fala, caso contrário pode estragar toda a surpresa dos futuros espectadores. O problema é que “Jogo de cena” é também um daqueles filmes que, quando termina a sessão, o espectador tem uma vontade imensa de conversar a respeito. E eu fui vê-lo sozinho. Por isso, preciso escrever este texto. Mas prometo, caro leitor, que serei cuidadoso.

  Tive contato com as obras de Coutinho na faculdade de jornalismo, durante as aulas de Consuelo Lins, uma parceira do cineasta em várias de suas produções. Assisti a diversos filmes dele: “Cabra marcado para morrer”, “Santo Forte”, “Babilônia 2000”, “Edifício Master” e “Peões”. Posso dizer que virei um fã. E, como fã, me decepcionei com os dois últimos. Achei que Coutinho havia perdido um pouco a capacidade de encontrar personagens incríveis e tirar deles o melhor possível nas entrevistas. Achei também que os temas escolhidos já não eram mais tão interessantes. Mas em “Jogo de cena” ele volta a ser o documentarista genial do início de carreira. Este é para mim o melhor filme que já vi dele e talvez o melhor que vi este ano.

  É um filme sobre documentários. Sobre teatro. Sobre cinema. Deveria ser visto por todo jovem diretor e por todo jovem ator. Uma obra-prima. Não sei se Coutinho assistiu a “Salve o cinema”, filme do iraniano Mohsen Makhmalbaf. Espero que sim, pois seu filme me parece quase que uma continuação ou, no mínimo, ter sido inspirado em “Salve o cinema”. Na produção iraniana, o diretor bota um anúncio num jornal convocando pessoas para fazerem um teste para um filme. Só que os testes são o próprio filme e as pessoas não sabem disso. Na prática, é um documentário. “Jogo de cena” começa de maneira muito parecida: com um anúncio em uma revista convidando mulheres que tivessem “histórias para contar” para participar de um documentário. Mas Coutinho dá um passo além de “Salve o cinema”. Surpreende o espectador, emociona e, ao mesmo tempo, deixa uma contribuição genial para o cinema documentário brasileiro. Nada mais posso dizer a não ser: assistam.

 


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.  Sessão de cinema no Front  .

 

 

 

 

 

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