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13/07/2003
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Salvem
o documentário brasileiro
Por
Fernando Paiva
Imagem:
Reprodução

É difícil escrever sobre “Jogo de
cena”, mais recente documentário
de Eduardo Coutinho. Isso porque se trata de um daqueles
filmes sobre os quais é preciso tomar muito cuidado com o que
se fala, caso contrário pode estragar toda a surpresa dos futuros
espectadores. O problema é que “Jogo de cena” é também um daqueles
filmes que, quando termina a sessão, o espectador tem uma vontade
imensa de conversar a respeito. E eu fui vê-lo sozinho. Por isso, preciso escrever este texto. Mas
prometo, caro leitor, que serei cuidadoso.
Tive contato com as obras de Coutinho na faculdade de jornalismo,
durante as aulas de Consuelo Lins, uma parceira do cineasta em
várias de suas produções. Assisti a diversos filmes dele: “Cabra
marcado para morrer”, “Santo Forte”, “Babilônia 2000”, “Edifício
Master” e “Peões”. Posso dizer que virei um fã. E, como fã, me
decepcionei com os dois últimos. Achei que Coutinho havia perdido
um pouco a capacidade de encontrar personagens incríveis e tirar
deles o melhor possível nas entrevistas. Achei também que os temas
escolhidos já não eram mais tão interessantes. Mas em “Jogo de
cena” ele volta a ser o documentarista genial do início de
carreira. Este é para mim o melhor filme que já vi dele e talvez o
melhor que vi este ano.
É um filme sobre documentários. Sobre teatro. Sobre cinema. Deveria ser visto por todo jovem diretor e por todo jovem ator.
Uma obra-prima. Não sei se Coutinho assistiu a “Salve o cinema”,
filme do iraniano Mohsen Makhmalbaf. Espero que sim, pois seu
filme me parece quase que uma continuação ou, no mínimo, ter sido
inspirado em “Salve o cinema”. Na produção iraniana, o diretor
bota um anúncio num jornal convocando pessoas para fazerem um
teste para um filme. Só que os testes são o próprio filme e as
pessoas não sabem disso. Na prática, é um documentário. “Jogo de
cena” começa de maneira muito parecida: com um anúncio em uma
revista convidando mulheres que tivessem “histórias para contar”
para participar de um documentário. Mas Coutinho dá um passo além
de “Salve o cinema”. Surpreende o espectador, emociona e, ao mesmo
tempo, deixa uma contribuição genial para o cinema documentário
brasileiro. Nada mais posso dizer a não ser: assistam.
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Sessão
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