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13/07/2003 |
Portas abertas para as produções alternativas
Por
Larissa Oliveira + Ana Paula Sardá
+ Ricardo Alexandre
G.
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Imagem:
Reprodução/www
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“(...) Assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do
livro (...)”. É o que propõe a Lei Nº 10.753, ou a Lei do Livro, no seu artigo
1º, parágrafo I, que institui a Política Nacional do Livro, assinada em 30 de
outubro de 2003. Contudo, a realidade do país é a de que poucos lêem, já que a
média anual é de 1,8 livros por pessoa!
Publicar um livro no Brasil por muito tempo não foi fácil. Para o
consumidor, o preço dos livros, proporcionalmente ao salário mínimo, sempre foi
assombroso. Para quem produz, a grande questão é se dará ou não lucro
significativo, e ainda, a divisão do mesmo entre editor e autor. Mas, antes de
tudo, o conhecido dilema de ser necessário o interesse de alguma editora pela
obra.
Fora dessa corrente, as ditas editoras independentes surgiram como
alternativa para as dificuldades mercadológicas. As propostas são várias:
produzir livros baratos, dar espaço para publicação de temas menos comerciais,
ou mesmo oportunidade para quem não encontra espaço nas grandes editoras. Em
algumas, mediante um orçamento - em que se considera tiragem, número de páginas,
tipo de papel, entre outras coisas -, praticamente qualquer um pode publicar.
A Oikos é um exemplo de editora que atinge o público que têm dificuldades
para ter sua obra publicada. “Várias pessoas nos pediam apoio logístico e legal
na publicação de suas obras, de forma independente, especialmente na revisão,
editoração e registro”, diz Erny Mügge, falando da criação da Oikos. Sobre o
mercado, Mügge afirma que é difícil autores novos ganharem espaço nas grandes
editoras, pois elas precisam vender bem para ter retorno, e os autores
desconhecidos vendem pouco, ainda mais se não for feito um amplo trabalho de
divulgação, o que custa caro.
A editora se responsabiliza pela diagramação, revisão ortográfica,
arte-finalização, fornecimento de ISBN, ficha catalográfica e impressão. Depois
de pronto, as informações do livro publicado vão para um catálogo virtual
disponível em seu site, funcionando como forma de divulgação. O autor, numa das
características do formato editorial independente, quase sempre fica com os
direitos autorais das obras e aparece como peça responsável pela distribuição e
comercialização das mesmas. “Um dos maiores desafios hoje está na distribuição
de livros. Ela representa praticamente 50% dos custos. Isso faz com que o preço
final de um livro fique efetivamente caro para o consumidor”, conta Mügge.
Outra editora que ajuda os pequenos escritores é a AGEI, Associação
Gaúcha de Escritores Independentes. A AGEI funciona também como elo entre esses
escritores e o mundo literário e fornece o apoio técnico que os escritores
precisam para publicar um trabalho. Fundada em maio de 2001, reúne autores sem
vínculos com grandes editoras, seja por opção ou mesmo pela dificuldade em ter
seus trabalhos aceitos pelas mesmas.
Segundo o seu atual presidente, Vilson Quadros, a entidade não busca o
lucro, mas precisa de subsídios para se manter atuando. “A maior parte do lucro
que temos é durante a Feira do Livro de Porto Alegre, já que poucos associados
pagam mensalidade”, revela Quadros. A banca na Feira do Livro foi conquistada
com muita luta, e foi cedida pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, quase
um ano após a fundação da AGEI. Hoje, a associação conta com a participação de
cerca de 200 escritores, proporciona sessões de autógrafos e dá todo o apoio
necessário.
Vilson diz ainda que a divulgação das obras é muito importante, “Têm
escritores que acham que com o livro finalizado não precisa se fazer mais nada,
mas não é assim que funciona. Quando fiz meu primeiro livro consegui vender 2
mil exemplares, e o trabalho de divulgação foi árduo”, ressalta. A AGEI ajuda
ainda na divulgação de títulos na mídia, sejam eles publicados pela associação
ou de outra forma independente.
Numa mesma banca, mas na Feira do Livro de São Leopoldo, o Seu Aderbal
Braz representava, no Rio Grande do Sul, a Editora Expressão Popular. Pensada
desde 1999 e ligada aos movimentos sociais, a Expressão chegou ao mercado não
com o intuito exclusivo do lucro, mas determinada a catalisar o hábito da
leitura entre os brasileiros. E essa prática não é ilusória, pois comparado com
a média, o valor dos títulos são bem acessíveis: oscilam entre 3 e 22 reais. E a
qualidade que não deixa a desejar a qualquer outra editora.
Palavra que não falta para este “milagre” no circuito editorial é a
militância, imprescindível para tal barateamento dos exemplares. Braz grifa que
é gratificante trabalhar com a editora: “A aceitação por parte do público
leitor, que está engajado na idéia de que todos possam ter acesso à leitura, é
surpreendente”. No ramo dos livros há 30 anos, lida há sete com direcionamento
político, a partir da representação da revista Caros Amigos e do Jornal Brasil
de Fato no Estado. “A diferença é muito grande. Estou fazendo um trabalho de
divulgação de um ano para cá, pegando os autores, dando cartões, com isso as
pessoas vão lá buscar o livro. Esse tipo de leitura não se encontra facilmente
em livraria”.
O trabalho em células espalhadas pelo País é satisfatório e reafirma o
voluntarismo, não apenas para baratear o produto final. Braz percorreu a capital
e o interior gaúcho com João Pedro Stédile, que organiza uma série da Expressão:
“Fizemos uma divulgação no lançamento do livro "A Questão Agrária", que na época
tinha até o número 3. Hoje está no 5º volume. É bom, e mesmo aqueles que não têm
conhecimento chegam até a gente. Entre nós é uma família, dos movimentos sociais
como a Via Campesina, o MTA e outros sociais do MST”.
Apesar das dificuldades na publicação, algumas coisas já foram feitas
para impulsionar o mercado editorial. A Lei do Livro, medida tomada em 2004,
visa à extinção da cobrança do PIS/Pasep e Confins na produção e comercialização
de livros por editoras, distribuidoras e livrarias. Já a Lei Rouanet, de 1991,
abatate até 4% do imposto de renda para patrocínios culturais. Além disso,
divulgações pontuais em feiras e sites dão a interatividade necessária para
entender a realidade das editoras independentes.
Saiba mais:
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http://www.oikoseditora.com.br .
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http://www.expressaopopular.com.br .
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