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desde 13/07/2003 |
O que há de errado com Pamela
Anderson?
Por
Ellen Augusta
Imagens:
Reprodução

O ativismo pelos animais em muito tem semelhanças com o ativismo
feminista, mas podemos perceber hoje exemplos de comportamentos
questionáveis entre ativistas pela causa animal.
O que há de errado com a Pamela Anderson? A meu ver, nada. Mas, percebe-se
que entre mulheres vegetarianas ela não é muito bem-vinda. Seja pelo seu
comportamento que alegam ser fútil ou pela sua aparência: o fato é que ser
mulher, famosa, rica, linda e ainda por cima lutar pelos animais tem
incomodado muita gente. Pessoas como Morrissey, por exemplo, saem do palco e
fazem o que querem, mas não têm essa visão negativa por parte do público.
Então por que ela tem?
É uma pergunta que incomoda pois não há nada de errado em ser vegetariana
e usar a sua fama, dinheiro e influência para promover essa causa. Ser
vegetariano/vegano não tem relação com o sexo ou com o contexto social das
pessoas. Eu posso ser fútil e rica e mesmo assim posso ter consciência de
algo que realmente me parece óbvio, que é o sofrimento animal. Se há sexismo
e preconceitos diversos nas campanhas, isso é uma outra discussão que não
envolve logicamente apenas o meio ativista.
Todos nós temos nossos momentos de futilidade e a futilidade masculina é
curiosamente aceita ou possui outros nomes, a feminina, não. O próprio
conceito (ser fútil) é vago e o senso popular há muitos séculos não nos
serve de referência do que é verdade ou não.
A belíssima Brigitte Bardot é um exemplo de beleza e ativismo e
provavelmente em sua época foi dessa forma criticada pelas mulheres de seu
tempo. Hoje ela já é velha (e continua linda, na minha opinião) e "pode" ser
ativista numa boa, mas por que a Pamela Anderson não pode?
A Brigitte Bardot usou seu tempo, sua beleza, influência e dinheiro para
ajudar os animais e faz isso de maneira intensa até hoje. Ela é uma
referência feminina para muitas mulheres e um exemplo para todos.
Provavelmente teve todas as "facilidades" da fama e todas as "futilidades"
ao seu alcance, mas ao longo do tempo refletiu e agiu. Será que muitos de
nós que nos rogamos corretos e com 'bom senso' seríamos assim mesmo, se
tivéssemos a oportunidade que estas mulheres tiveram de usar seu dinheiro
para a causa animal? Será que muitas das pessoas que possuem o estereótipo
de "eco-lógicas" na sua essência são realmente preocupadas com os animais?
Por isso acredito que essa crítica que a ativista Pamela Anderson sofre
agora é mais baseada na insegurança feminina, no machismo generalizado, na
inveja, do que em algo palpável. E gostaria de estar errada.
Não há problema nenhum em ser bonita, em usar a imagem ou o que quer que
seja, se a pessoa é adulta e dona de si. A causa animal não é um dogma, ela
é uma idéia e muitas ações em conjunto. Não é uma religião onde mulher não
possa entrar pois "ameaça", pois é uma "tentação". A mente humana está
deveras imersa em conceitos puristas, nossa própria linguagem é baseada em
idéias antiquadas pois nossos ancestrais eram assim. Por isso, temos mesmo
que nos desvencilhar de certos conceitos que nos impedem de ver algo real e
só ver malícia onde não há.
A mulher vegana deve ter em mente que os meios usados para a escravidão
dos animais, exploração da natureza e o condicionamento social a que estamos
imersos são muito semelhantes às formas de controle social da mulher. Sejam
veladas ou escancaradas, estas formas de controle existem e é bom abrir os
olhos para não seguirmos além dos séculos reproduzindo estas idéias.
E um viva à beleza destas mulheres!
Obs.: Para quem ainda acha que não existe machismo e que as pessoas
exageram quanto ao feminismo, uma sugestão de leitura abaixo que serve muito
bem para estas pessoas e contém muitas dicas para os ativistas veganos:
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Wolf, Naomi. O mito da beleza: como as
imagens de beleza são usadas contra as mulheres/ Ed. Rocco, 1992. 439p.
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em meio ao
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