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 Super size me: Bob's!

 

                                                                                               Por Fernando Paiva
                                                                                            
Imagem: Reprodução



  Tive uma idéia genial. Vou passar um mês inteiro comendo três vezes ao dia no Bob's! Registrarei tudo com uma câmera de vídeo e editarei um documentário! Alguém precisa deter o avanço dessa maldita rede de fast-food que se espalha rapidamente pelo Brasil inteiro com seu cardápio gorduroso e sua propaganda que hipnotiza as crianças.

  Não, não, esse documentário não faria sucesso. O Bob's não é uma cadeia tão grande assim, o Brasil é um país que passa fome e eu não sou um cineasta. Além do mais, Morgan Spurlock já fez isso. Esse sujeito passou um mês comendo no McDonald's e registrou tudo em seu aclamado documentário “Super Size Me”.

  Alguns críticos acusam Spurlock de surfar no sucesso obtido por Michael Moore e seus premiados “Tiros em Columbine” e “Fahrenheit 9/11”. Oportunista ou não, a verdade é que “Super size me” é um bom documentário, assim como os dois filmes de Moore.

  O que me questiono é a razão dessa repentina onda nos EUA de filmes jornalísticos de esquerda. O sucesso desses documentários no exterior é fácil de entender: não estamos acostumados a ver os patrióticos americanos criticarem de maneira tão contundente e em público seus próprios costumes - salvo uma honrosa exceção aberta pelos Simpsons. Para nós, a novidade não está nas críticas em si, mas no fato delas partirem de dentro dos Estados Unidos.

  Mas o que está levando os americanos a olhar para dentro de sua própria sociedade e analisá-la dessa maneira? A meu ver a resposta está na atuação da grande mídia americana: submissa ao governo, oficialesca, auto-censurada, supérflua etc etc etc. O país que enche o peito ao afirmar ser a “terra da liberdade” tem uma imprensa de merda, essa é a verdade. Norman Solomon, um jornalista e pesquisador americano que se dedica a estudar a mídia de seu país, afirmou em recente entrevista à Globo News: ser um jornalista bem sucedido e manter sua integridade, hoje, nos EUA, é praticamente impossível.

  Parece-me que os americanos estão com fome de verdade. Talvez essa seja a razão para o sucesso de documentaristas como Michael Moore e Morgan Spurlock. Torço para que isso leve o país a uma reflexão maior sobre seu papel no mundo, seu autoritarismo, sua arrogância etc. Por outro lado, com a esquerda levantando a voz, a direita também o faz, e a polarização se torna incrivelmente forte. Isso pode ser mais perigoso do que imaginamos... “Ou não”, como diria Caetano. Mas quem nos EUA escuta Caetano?



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