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13/07/2003 |
Super
size me: Bob's!
Por
Fernando Paiva
Imagem:
Reprodução

Tive uma idéia genial. Vou passar um mês inteiro comendo três vezes ao dia
no Bob's! Registrarei tudo com uma câmera de vídeo e editarei um
documentário! Alguém precisa deter o avanço dessa maldita rede de fast-food
que se espalha rapidamente pelo Brasil inteiro com seu cardápio gorduroso e
sua propaganda que hipnotiza as crianças.
Não, não, esse documentário não faria sucesso. O Bob's não é uma cadeia tão
grande assim, o Brasil é um país que passa fome e eu não sou um cineasta.
Além do mais, Morgan Spurlock já fez isso. Esse sujeito passou um mês
comendo no McDonald's e registrou tudo em seu aclamado documentário “Super
Size Me”.
Alguns críticos acusam Spurlock de surfar no sucesso obtido por Michael
Moore e seus premiados “Tiros em Columbine” e “Fahrenheit 9/11”. Oportunista
ou não, a verdade é que “Super size me” é um bom documentário, assim como os
dois filmes de Moore.
O que me questiono é a razão dessa repentina onda nos EUA de filmes
jornalísticos de esquerda. O sucesso desses documentários no exterior é
fácil de entender: não estamos acostumados a ver os patrióticos americanos
criticarem de maneira tão contundente e em público seus próprios costumes -
salvo uma honrosa exceção aberta pelos Simpsons. Para nós, a novidade não
está nas críticas em si, mas no fato delas partirem de dentro dos Estados
Unidos.
Mas o que está levando os americanos a olhar para dentro de sua própria
sociedade e analisá-la dessa maneira? A meu ver a resposta está na atuação
da grande mídia americana: submissa ao governo, oficialesca, auto-censurada,
supérflua etc etc etc. O país que enche o peito ao afirmar ser a “terra da
liberdade” tem uma imprensa de merda, essa é a verdade. Norman Solomon, um
jornalista e pesquisador americano que se dedica a estudar a mídia de seu
país, afirmou em recente entrevista à Globo News: ser um jornalista bem
sucedido e manter sua integridade, hoje, nos EUA, é praticamente impossível.
Parece-me que os americanos estão com fome de verdade. Talvez essa seja a
razão para o sucesso de documentaristas como Michael Moore e Morgan Spurlock.
Torço para que isso leve o país a uma reflexão maior sobre seu papel no
mundo, seu autoritarismo, sua arrogância etc. Por outro lado, com a esquerda
levantando a voz, a direita também o faz, e a polarização se torna
incrivelmente forte. Isso pode ser mais perigoso do que imaginamos... “Ou
não”, como diria Caetano. Mas quem nos EUA escuta Caetano?
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