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Mais uma noite
Deixamos para
trás o primeiro bar e os primeiros chatos. É quando ele me diz que
está pagando seus pecados. Está aguentando o que outros aguentaram
com ele. E onde estão esses? Não sei, mas tenho certeza de que
estão gordos tomando Natu Nobilis todos os dias. Vamos para um bar
frequentado por todo tipo de pessoas. Menos as saudáveis. Todos os
que se acham artistas passam por aqui. Quem lhes diz para passar
por aqui, senão a história torta da própria cidade? O cara ao meu
lado tenta falar comigo sobre dores do coração, mas é impedido por
amigos músicos. Querem que ele cante num cd de música
experimental. Outro quer que ele faça um curta de ficção
filosófica (?). Peço mais um conhaque para que possamos seguir
adiante na noite quente e suja da cidade. Noite que já nos provou
que é melhor ficarmos em casa durante o tempo que ela dura, mas
que nós, como autênticos imbecis boêmios, nunca fazemos. Mas no
final o que prevalece são as histórias e não os narradores ou
protagonistas delas. Então meu amigo, nem ao menos seremos
lembrados. Parece triste demais, mas até que não é. Pensando bem,
viver se detonando é bem mais divertido, afinal de contas. E
lágrimas todos nós vamos derramar algum dia. O cara ao meu lado
concorda. Mas sorrindo me diz que não poderia escolher outra vida.
O destino é injusto com várias pessoas, mas com alguns poucos ele
é terrivelmente injusto. O cara ao meu lado sabe disso. O cara ao
meu lado vive isso. Pedimos mais um conhaque antes de encararmos
mais uma viagem de volta pra casa após mais um final de semana
bebendo nos bares da cidade.
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