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desde 13/07/2003 |
Quando os detetives entram em
ação
Por
Rodrigo Capella
Imagem:
Reprodução

A história policial, com a presença de um detetive e um método de
investigação preciso, surgiu nas mãos do escritor americano Edgar Allan Poe,
que, em 1841, publicou na revista Graham's Magazine o corajoso conto "Os
Assassinatos da Rua Morgue". Na narrativa, duas mulheres morrem e o detetive
Auguste Dupin, até então um nobre falido que se divertia ao solucionar
crimes, é colocado em cena e, graças a raciocínios extraordinários, consegue
desvendar pistas.
Engana-se, portanto, quem acredita que Sherlock Holmes foi o primeiro
detetive da literatura. Na verdade, Auguste Dupin inspirou o escritor
britânico Conan Doyle a dar vida ao amigo de Watson. "Um Estudo em Vermelho"
é o primeiro caso de Holmes e traz a história do americano Enoque Drebber,
que foi assassinado.
Percebe-se uma grande semelhança com o primeiro livro de Poe. Mas, a obra
de Doyle vai além e, por isso, trouxe certas evoluções para a literatura: o
cadáver não apresentava ferimento e a palavra "Rache", que em alemão quer
dizer "vingança", estava escrita em uma das paredes. Holmes imediatamente
colocou seu método dedutivo em ação: "o assassino escreveu isto com o
próprio sangue dele ou dela. Notem a mancha que escorreu pela parede".
Depois de "Um Estudo em Vermelho", o detetive viveu "O Signo dos Quatro"
e "O Cão dos Baskervilles", considerada até hoje como a melhor aventura de
Holmes ao narrar a morte de Hugo Baskerville por um suposto cão diabólico.
Ao longo da carreira, Conan Doyle publicou sessenta histórias sobre o
detetive Holmes, que se tornaram referências na literatura fantástica e
criminal. O escritor dedicou-se também a poesias, romances, obras de
não-ficção, peças de teatro e ensaios sobre o espiritismo, tais como "A Nova
Revelação", publicado em 1918, quando o escritor estava no auge da fama. A
obra mostra a aceitação do escritor por manifestações paranormais e traça um
cenário espiritualista, bem desenvolvido em sua outra obra "A História do
Espiritismo", composta por dois volumes.
Mais tarde, quando foi escolhido para receber o título de Par do Reino
Inglês, exigiram que Conan Doyle recusasse essas crenças. Mas, o escritor
contrariou a todos, sendo fiel a elas. Para quebrar paradigmas e aperfeiçoar
o que tinha sido escrito, era preciso coragem. E Conan Doyle tinha de sobra.
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