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Atentados de dormência, barris de
sarcasmo
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Talvez o espectador que tenha pouco contato com as relações internacionais entre países fique tão surpreso quanto o de uma novela das 8 - ambas, no final das contas são previsíveis -, é tudo questão de história: para a primeira, político-econômica ou a lei do mais forte; sobre a segunda, elementos da realidade aparente misturada à ficção folhetinesca. Então, o desavisado total vai ficar decepcionado, pois as legendas e dublagem do documentário do gordinho de Flint, Michigan (EUA), chocam com os interesses do produto vendido para grande parte dos mortais: o 11 de setembro de 2001 fruto exclusivo dos barbudos do Oriente!
Mesmo que o Alceu Valença tenha buscado nos ditados populares o "toda história que se conta tem mentira dentro", nos anos 1970, em Fahrenheit são falácias demais, de tal forma que fazem efeito de surpresa semelhante aos que ruminam o assunto pelo desconhecimento, só que pelo viés de perceber a demência institucionalizada. Nem é preciso levar pelo discurso ideológico, o que dizer de políticos dependentes da assessoria do ponto eletrônico? E as propagandas com megaprodutos para proteger os cidadãos dos atentados? As discrepâncias entre ataques cirúrgicos defendidos nos discursos oficiais com os registros de civis mortos, estropiados por bombas. Os soldados comentando as sensações da presença na guerra, inclusive ouvindo e sendo estimulados pelo Punk Rock, enquanto lidam com pessoas, pseudo-inimigas, como diante de jogos eletrônicos de mortes reais. O que falar do riso e das maquiagens, segundos antes dos líderes irem ao ar e venderem o terror aos miolos moles? Quando não, entre uma e outra tacada de golfe ou peixe fisgado no anzol...
Sarcasmo é pouco.
À época dos acontecimentos dos aviões em Manhatan, lembro-me que escrevia oferecendo importância ao que aconteceu, o que de fato é necessária, mas com as imagens raras do filme, associadas a outras informações ao longo do tempo, era demasiada. De honestos, os sofrimentos das vítimas diretas, como os civis afegãos e iraquianos, além dos presentes na região do World Trade Center. Ou das indiretas, como os excluídos norte-americanos, os quais para terem alguma renda seguem para o front sem ligar para os motivos da guerra, e ignoram os invadidos, igualmente fodidos do sistema internacional, porém, que nada têm a ver com avidez dos governos.
O ritmo pop de trilhas sonoras e humor ácido ao proporcionar o constrangimento dos vitimados aos causadores, e mostrar o quão é ridículo o sentido do tema do documentário produzido, faz Michael Moore ser procurado pelo neófito, passando pelo interessado em política, e até por nerds. Aliás, estes que muitas vezes se vangloriam da apolítica e simbolizam, quase unanimemente, o culto ao egoísmo versão 2000, portanto, devem se guiar no Michael pelo descartável no pop, identificam-se com os letárgicos e omissos que ele questiona, no entanto, não perdem tempo em refletir o lado social e a este aplicar o talento que dispõem. Ou seja, nem aí para o "Rockin' in the free world", embora ouçam Rock, como os soldados que aumentam o volume para se inspirar e matar nas areias de Alá, movidos a emprego, insensatez e petróleo.
Para Fahrenheit 9/11 vingar mesmo, cabe o segundo episódio, de modo a evitar que os republicanos carreguem os barris de petróleo, ops, o piano sozinhos, pois democrata assumido que é, Moore tem no Nobel da Paz Obama, caso queira, material farto como roteiro. Sem falar que nenhum dos conflitos anteriores ao seu mandato regrediu, pelo contrário, novos foram agregados nas tais "Revoluções Árabes"; já pensou em assistir também ao making of daquele discurso na noite da hipotética execução do "Homem Mais Procurado do Mundo"? Pode até ganhar outra Palma de Ouro, pois por mar, terra e ar a morte continua a chegar, a troco de barris, informação e rezas.
Enquanto isso, é como Ray Bradbury lista, no parafraseado livro "Fahrenheit 451": homogeneidade às custas de antenas, livros queimados e gostos iguais. Tudo agendado, tudo dominado. Caos induzido.
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O trailer:
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![]() . Sessão de cinema no Front . | |