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Na Roda Gigante e Carro-Céu do Crivo (ES)


                                                                  

                                                                                      

Por Ricardo Alexandre G.

Imagens: Divulgação

 

 

 

  O hoje sexteto Crivo, capixaba de Vitória, talvez salte aos olhos e ouvidos como algum novo grupo de Rock, ou "uma banda independente-pop-punk-rock-mpb-core-e-outras-coisas-mais", tal como diz o release oficial. Mas o raciocínio não é bem por aí...

 

  A banda foi alçada a uma maior projeção com a coletânea Stereo Magazine (2001), distribuída pela Editora Abril. Juntamente com grupos do calibre da brincando de deus, Wry, Butt Spencer, The Book Is On The Table, Objeto Amarelo e a conterrânea capixaba Mukeka di Rato, essa compilação de bons nomes do alternativo nacional rendeu uma divulgação mais ampla, apesar de não ter sido o único trabalho publicado até então. Por ironia do destino, esse cd deu o pontapé inicial às linhas que estão sendo escritas (e lidas!), graças a uma simples causa: conheci o Crivo através da Stereo Magazine! Entretanto, é válido destacar que apareceram no Vitória Ilha do Rock (1999), apanhado do Rock feito no Espírito Santo, e Dia D (2001), disco do Festival Dia D, um dos maiores eventos musicais da terra da moqueca.

 

 

 

 

    

 

 

         

 

 

 

  O papel das compilações independentes, quando bem feitas, é esse mesmo: fazer-nos garimpar ou uma rara daquela banda sobre a qual já sabíamos no mínimo o nome, ou claro, ouvir e ser estimulado a buscar aquela boa nova e que "valeu" a grana. Dito e feito! Mas como uns grupos se sobressaem e outras ficam meio relegadas? Seria só o talento o critério? Hummm, que tal se a resposta viesse a partir de toda uma divulgação, obedecendo a "esquemas" prontos de estilinhos importados e meramente visuais? Alguém falou aí Nova Iorque ou Londres? Shhh... Nada contra o que vem de lá (ao contrário!), mas daí a irrelevar a atitude de grupos 'desconhecidos' e que dão duro e têm talento, é meio sinistro...

 

  Roda Gigante e Carro-Céu era a canção trazida na Stereo Magazine, o que se concretizou num "tiro certeiro" providencial... Ir além e buscar as demais composições se apresentou como algo natural. Daí obtive mais informações sobre a tal banda de sonoridade acessível, por exemplo, que essa canção fora extraída do "Acústico", segundo registro do Crivo, gravado no Teatro Carlos Gomes e na Escola de Teatro e Dança Fafi (2000). Na verdade o primeiro, "Ilusão", lançado no período de 1998/1999, traz além do referencial para o subseqüente e já citado "Acústico", canções inéditas e que também tiveram a participação do à época baixista Tob nos vocais.

 

 

 

   

            Ilusão                               Acústico                                Crivo

 

 

 

  Agora com o "Crivo", cd lançado em 2003 de acordo com a lei Rubem Braga (nome da lei de incentivo cultural no ES), juntaram-se ao grupo Bruno Miguel (baixo e backing vocals), Bernardo (guitarra), Dimas Wuo (percussão) e Léo (bateria), numa diversidade de instrumentos distribuídos nesses 50 minutos de som. Das 16 faixas, talvez 9 ou 10 inéditas, em roupagens diferentes daquelas trazidas pelo anterior, gravado ao vivo. Enfim, para quem tem curiosidade ou gosta da musicalidade quase sempre convidativa que vem do Espírito Santo, enriquecida com arranjos de fino trato, precisa concepção visual e alguns anos de estrada... 

 

 

 

                         

 

 

 

  Na sequência, uma idéia com a Tati Wuo!

 

 

Dissonância - O que muda no Crivo desde o primeiro trabalho, "Ilusão", e o último, "Crivo", além da própria formação da banda?

 

Tati Wuo (Crivo) - Acho que o mudou foi que eu e a Matê, principalmente porque estamos desde o começo, amadurecemos, crescemos e conseqüentemente, nosso som amadureceu e mudou bastante. Acho que o processo de composição passa pelo que vivemos e sentimos, pelo nosso dia-a-dia. O que antes era uma  brincadeira foi ficando sério e se transformou numa meta, num objetivo de vida! É, hoje, o que eu quero fazer da vida!

 

Dissonância - A capa do novo disco e a resposta da primeira pergunta trazem a idéia de que o Crivo vai mesmo por os instrumentos no porta-malas e encarar a "estrada". Mera impressão?

 

Tati Wuo (Crivo) - Sim! É o que a gente mais quer!!! Cair na estrada, tocar, conhecer novos lugares e pessoas, mostrar nosso som para elas... Fazer o Crivo rodar e levar muita energia boa e mensagens positivas pro público que nos ouvir!

 

Dissonância - E o set list, seria um apanhado da carreira do Crivo, até porque todas as 5 músicas do EP de 2002 estão no novo álbum, ou o EP já era uma "proveta" para o novo momento?

 

Tati Wuo (Crivo) - Claro! Toda nossa história e todas nossas experiências se refletem nesse novo trabalho. Não tem como separar as coisas. A gente sentia que faltava juntar as peças e o que a gente foi construindo ao longo dos seis anos de banda, em um único projeto. Aí nasceu esse novo cd.

 

Dissonância - A parte visual de vocês é diferenciada. Belos site e encarte do álbum... Seria um tempero a mais para a exibir a proposta do trabalho?

 

Tati Wuo (Crivo) - Acho que a embalagem é importante, não fundamental, mas muito importante para que o som consiga alcançar outros públicos. Acho que o site e o encarte do disco são importantes para que as pessoas conheçam melhor quem faz a música, quem toca o quê, quem canta. Faz parte do ciclo: som, imagem, letras...

 

Dissonância - O Espírito Santo desde meados da década de 90 começou a fornecer Rock de primeira qualidade para os ouvidos daqueles que procuram um horizonte não tenebroso da música nacional. Como vocês vêem esta "safra" de boas bandas, inseridos que estão nesta cena? Há interação entre elas ou seria mais um "que vença o melhor"?

 

Tati Wuo (Crivo) - Acho que as bandas daqui, de uma maneira geral, têm crescido e ocupado espaço de destaque cada vez maior. Crescimento baseado na profissionalização tanto de músicos quanto de estúdios, sonorizações, produtores. A interação entre as bandas é essencial para esse crescimento. Participações em shows e cd's ajudam a firmar novos artistas. Isso acontece por aqui.

 

Dissonância - Falando de dificuldades, palavra conhecida entre os independentes, quais seriam as principais no que se refere a uma banda com talento e sonoridade próprios, embora restrita, por que não, ao seu Estado ou região?

 

Tati Wuo (Crivo) - Ainda é difícil, mas acredito que a boa vontade e as boas intenções de quem trabalha na mídia e nas rádios tem dado bastante força ao movimento. Mas ainda há muitas barreiras. É difícil conseguir visibilidade em meio a tantas bandas, tanta gente querendo ser artista e famoso, tanta gente fazendo mal seu trabalho. Acho que no final das contas, é preciso ter fé, acreditar no som e seguir em frente, caindo e levantando sempre.

 

Dissonância - Espaço livre.

 

Tati Wuo (Crivo) - Bom, somos a Crivo e é um prazer participar desse bate-papo. Espero que possamos levar boas idéias a quem estiver lendo. A gente se encontra na estrada!

 

Beijocas carinhosas,

 

Tati.

 

 

  + Contatos: www.crivo.com   

 

 

 

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