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Diário de
viagem - 2ª. parte - Vivendo com os porteños...
Acho que a semana que passei em Buenos Aires não dá uma noção completa
do porteño (o argentino da capital), afinal é pouco tempo e ele passa
rápido. Mas não tive aquela impressão de arrogância ou de que não gostam
de brasileiros. Muito pelo contrário, fomos muito bem tratados.
Luís, namorado da
minha amiga que mora lá, não cansava de nos dizer como adorava o Rio,
queria ter uma casa lá. É provável que a suposta prepotência desse povo
tenha a ver com os anos de riqueza e luxo do país, que com seu ar europeu,
poderia se achar superior aos seus vizinhos sul-americanos. Mas, assim
como toda a América Latina, sofreu com governos corruptos, ditatoriais,
incompetentes ou tudo isso ao mesmo tempo, colocando tudo a perder. E a
elite fazendo aquela sua parte de lutar para manter tudo como está para
ela, mesmo que com outro nome e embalagem. É a história de nossas
vidas...
Turista nunca quer
parecer turista, então equilibramos nosso roteiro entre lugares típicos e
andanças pela cidade. Eu confiava em meu companheiro de viagem no
quesito comunicação, porque ele já havia cursado espanhol, mas acabou se
revelando que o portunhol dele era tão vagabundo quanto o meu. Depois de
um dia fica fácil fazer as comunicações básicas, então nada de grave.
O MALBA (Museu de Arte Latino-Americana) foi bem interessante, pena que
fui travado nas minhas fotos e só deu para tirar algumas poucas. Bem na
hora do Diego Rivera, a mulher me flagrou e tive que parar. E eu nem uso
flash...
A coleção do
museu, apesar de ser até pequena, é muito boa. Tem o Rivera, o Di
Cavalcanti, a Frida Kahlo (um auto-retrato). Nada mal...
Joana, minha amiga de lá, nos levou em uma festa pelo “Dia do Amigo”.
Oito pesos para entrar e olha só o que você leva: jantar com sopa,
refrigerante, vinho e brownies à vontade (isso mesmo, enquanto você
quiser/agüentar), um curto, mas excelente show de mágica. Depois disso,
somem as mesas e botam a galera para dançar. Só a partir de então se
pagava a bebida. Um bom negócio, eu diria. Infelizmente não estava muito
bem nesse dia e não deu para acompanhar a galera. Quando todos estão
bêbados, a sobriedade se torna uma coisa estranha.
Joana também tirou uma folga para nos levar "por aí" e esse foi um dia
especial. Fomos ao Cemitério da Recoleta que, apesar das obras, é muito
bonito. Por lá detonei a memória da minha câmera e tirei muitas fotos
das belíssimas estátuas do cemitério. Engraçado como algumas famílias
escolhem um visual “modernoso” para seu "lar eterno". Feitas com vidro
fumê, algumas pareciam até entrada de escritório, só faltava uma
secretária: "Perdão, mas o Sr. Viana não pode lhe atender hoje, ele não
está muito disposto". Enfim, bobeiras minhas...
Nesse mesmo dia,
visitamos uma exposição muito bacana com o tema "Comida e
Alimentação na Arte". Numa mesa com um prato vazio, uma lupa reflete a
tela de uma televisão no mesmo prato.
Para contrastar com toda essa arte, fomos assistir a algum filme e sobrou
“Terminator 3”... Diríamos que a exterminadora, apesar de
inacreditavelmente incompetente como assassina, é o que vale no filme
que, como previsto, é um lixo (e eu até gostei dos outros dois).
A loira, apesar de
ser o que há em matéria de tecnologia de matança, aniquila tudo em volta
do alvo, menos o próprio. O Arnold? Pô, robô é o papel perfeito para
ele... Além de governador da Califórnia!
Houve noites que não saímos, ficamos no albergue tomando cerveja com uma
brasileira muito simpática de Porto Alegre, discutindo se a Eva Perón
era ou não uma populista barata. Ela era a favor da Eva e meu amigo
Daniel, era contra. Fiquei do lado da menina sulista por motivos
estratégicos (entre outros), que, aliás, não funcionaram. Mas meu argumento
era de que os benefícios que as atitudes da mulher de Perón trouxeram
eram mais fortes do que os supostos motivos duvidosos por trás deles.
Minha ignorância não me permitiu ir muito além, é verdade.
Entre todos essas atividades, acho que o que mais me agradava era sair
andando e olhar a vida comum, seguindo nesse lugar tão diferente da minha
casa. O viajante se diverte até comprando leite achocolatado na esquina,
pois se trata realmente de uma aventura.
E antes que eu termine isso aqui e volte ao trabalho, vale informar: até
na Argentina passava “Faustão” no domingo, na Globo Internacional. Pode
isso? Acho que o Brasil contribuía mais exportando pão de queijo...
Semana que vem, a terceira e última parte com meus pensamentos (?)
conclusivos.
Texto e fotos: Peter Strauss
(pstrauss@emimusicpub.com)
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Minado
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