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Matéria relacionada: * O REI DO PUNK BREGA: Wander Wildner faz show de lançamento do cd "No Ritmo da Vida" - Por Aline Ebert
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No Ritmo da Vida
Fotos: Aline Ebert e Divulgação Site
Encartado na segunda edição da revista Outra Coisa - a "revista do Lobão" -, No Ritmo da Vida é o mais recente trabalho do Wander Wildner, depois de quase três anos sem material inédito. Tudo bem, é uma coletânea e dessa forma a palavra inédito seria aplicável no máximo em 4 canções, mesmo assim, convém lembrar que o trovador gaúcho sempre "garante o ingresso", quando o assunto é sua música e/ou suas composições.
Com uma trajetória respeitável no meio independente, e claro, à frente nos vocais dos Replicantes desde os anos 80, o punk brega reaparece trazendo alguns dos "antigos sucessos", leia-se de discos anteriores, com exceção ao Buenos Dias, lançado pela Trama em 1999. Talvez determinada cláusula contratual com a Trama, sabe-se lá, para justificar a ausência, ou de TODAS as canções do Buenos Dias!, ou das sentidas Quase Um Alcóolatra e Eu Queria Morar em Beverly Hills, respectivamente com autorias do Giancarlo Moreli e do Paulo Francis Vai Pro Céu (extinta banda de Recife). Sem esquecer de Minha vizinha (letra - Carlos Gerbase + música - Wander), todas as três já consagradas do cancioneiro gaúcho... Então é isso, está na cara: à exceção de Ensaístico, soneto do Glauco Mattoso, e Adeus às Ilusões, do Jimi Joe, as demais tiveram a assinatura exclusiva do cabrón gaudério!
As coletâneas sempre trarão a boa desavença em relação à música preterida, sendo de fato traduzível como reconhecimento público-artista. Não reclamaria no Procon em decorrência das ausências do álbum ou por ser uma coletânea, evidente que para esse tipo de disco não há o peso de um trabalho inédito, entretanto, a mescla de músicas há tempo publicadas e lado B´s, acaba valendo o quanto pesa. A irada Bebendo Vinho, as "meio-time" Mantra das Possibilidades e No Ritmo da Vida, o brega-hit Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo, o punk mariachi de Ustê, o tributo às Damas da Noite e à Kerouac em On The Road...
Enfim, um apanhado que leva um pedaço da arte do Wander a uma parcela maior de pessoas, que até então não o conhecia. É sensato também afirmar que o maior "beneficiário" será o independente, com outro dos seus artistas conseguindo divulgar idéias sob um formato alternativo para nichos que até então não os conhecia. A perfeita contrapartida ao formato decadente das multinacionais fonográficas: coletâneas ou discos inéditos nas mãos desse formato ainda vendem aos milhões, milhões a mais que as 20.000 cópias independentes desse recente Wander. Sem jabás ou domingões legais como abre-alas e produtores de ressonância coletiva.
Para quem conhece os antecessores de No Ritmo da Vida, o Punk Brega e seu criador voltaram, este último a anunciar um novo enfoque nas letras, deixa o passado de lado e aposta em composições sobre instantes presentes e futuros. De agora em diante, como ficarão os quartos de empregada, as vizinhas do apartamento, as prostitutas, as baladas sangrentas? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Hasta lluego!
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Dia 12 de março/2004 conversamos com o ídolo do punk brega, minutos antes dele subir ao palco do Expresso 356, numa noite de sexta-feira e de lançamento do novo cd, citado acima. Falando com ele pudemos ouvir suas dissertações, dentre algumas, bastidores da publicação na revista, circuito alternativo e futuro... Divagações? Só rolar a tela, por favor.
Por Ricardo Guerrillero, Aline Ebert e Sérgio Barbosa
Dissonância - Como foi a transação com a
Outra Coisa, conseguir lançar o cd dessa forma alternativa?
Peguei quatro músicas do "Baladas" (N. do E.: Baladas Sangrentas, o primogênito), quatro músicas do "Eu Sou Feio... Mas Sou Bonito" (N. do E.: quarto e último, até então), duas músicas inéditas que são No Ritmo da Vida e Adeus às Ilusões, esta do Jimi Joe, e duas músicas que tinham saído em dois discos que não eram meus, que são "Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro", que saiu na Frente! (N. do E.: Revista Frente!) , e "Ensaístico", que saiu no disco do Glauco Mattoso, poeta paulista que fez um disco com artistas musicando os seus sonetos. Então musiquei esse soneto, e como tinha saído só no disco dele, em mil cópias, eu pensei: "vou botar no meu disco para mais gente conhecer", então são essas quatro que não são dos meus trabalhos.
É uma coletânea que se caracteriza por ser de música de minhas composições,
fora a do Jimi e a do Glauco, as outras dez são minhas.
Caracterizei como coletânea por conta dos direitos autorais, pois pelos
direitos autorais teria de pagar antecipado, então como são vinte mil
cópias, vinte mil discos. Eu não tinha essa grana, daí resolvi fazer uma
coletânea de músicas da minha autoria...
O Roberto Carlos foi colocado como "o tipo de amor", aí depois dele veio o
sertanejo, vem tudo isso, que é um amor irreal, é o amor da sociedade
capitalista. No amor real você não pode sofrer daquele
jeito; se o relacionamento não deu certo, você tem de acabar e partir para
outro, mas não, tu fica chorando "eu não tenho mais ela, ahhhhhh"!!! Isso é
um horror, acaba com a gente...
Lançar um disco de inéditas numa revista não tem sentido para mim. Um disco de inéditas "eu" tenho de lançar, um lançamento alternativo, para todo o Brasil, mesmo que não seja 20 mil cópias. Mesmo começando com 2 mil, acontece que o disco de inéditas segue na história de cada vez alimentar mais o circuito alternativo. Eu trabalho para isso, eu trabalho para cada vez surgir um circuito alternativo maior, cada vez a gente poder fazer uma turnê maior pelo Brasil.
Essa é a minha idéia, o
circuito alternativo tem uma visão diferente da grande mídia.
Essa sociedade perdeu o lado animal, porque desde que descobriram o Brasil começaram a matar índio, e a gente perdeu de ser índio, o índio é tudo, comia tudo. Os europeus que vieram para cá eram a pior espécie. Eram os doentes, assassinos, ladrões, os degredados. Quem queria entrar numa caravela portuguesa? Imagina... Os caras deviam estar pagando assim, "você vai ter uns goles dágua e olhe lá...".
Por isso que a sociedade é tão ruim, sabe, o pobre
brasileiro sempre tá acreditando que vai servir, não acredita em si mesmo.
Ele acredita que vai ser igual ao cara que o colonizou... Não tem força para
mudar, pois na primeira bala ou moeda que recebe, ele se entrega. * Contatos com o punk brega: www.wanderwildner.com
A Banda - Sérgio Bolada (bateria); Wander Wildner (guitarra e voz); Milton Sting (baixo); Jimi Joe (guitarra).
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Conspirações Anteriores: * Luísa Mandou um Beijo (RJ) lança Single * Diários de Motocicleta, Inc. * Punk/Hard Core Cristão - Pogando com O Senhor! * Show Lava (SP), Girlish e Viana Moog no Andar de Cima * Show Detetives, Superguidis e Pública no Dr. Jeckyll * Show Da Guedes e Nação Zumbi, em Porto Alegre *
* Lançamento CD Bebeco Garcia e o Bando de Ciganos * Versão: Empalamento Rock Star * Festival de Rock - Unisinos 103.3 FM
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